junho 24, 2009
Díade
O poeta não conhece limites nem pondera distâncias
Mas voa sobre o abismo, tentando o impossível.
Se deseja, não deseja menos que o absoluto
Se ousa, só sabe ousar o infinito
E se ama, ama o mais alto dos sonhos.
O poeta sem asas habita as sombras e os vales mais fundos
Olha de longe para os sonhos que não se atreve tentar.
Passa noites em branco, rabiscando quimeras
Mas no fim, lascada a última pena das ardidas asas
Regressa ao silêncio áspero de uma página despida.
de Maria José Carvalho

Once a poet . . . by `MYvonne
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(e a tua poesia é como tu, sensivel e complexa. Espero que esteja tudo bem contigo e que continues a escrever coisas assim, tão bonitas.)
junho 23, 2009
parabens para mim :)
30 anos... e quase 6 anos de poetry
balanço...
muito e positivo!!!
Obrigado a todos por fazerem parte da minha vida, com os vossos comentários, com as vossas visitas, mas sobretudo com a vossa poesia, que mantem vivo este espaço em mim.
Abraço a todos.
(e como o ano da colheita é boa... música a condizer)
junho 11, 2009
As sementes da desilusão
A cidade amanhecia suave lá fora, alheia a eles, ou talvez não. Ganhava novas cores que ele nunca tinha reparado existir. Cores que o sorriso dela pintava agora nas paredes velhas dos seus sonhos de outrora. E o sorriso dela era-lhe âmbar, laranja e cor de mel, tons de vermelho quente e notas de jazz solto. Passeios à noite com as estrelas da cidade a dançarem nas águas do rio. E descobri-lo, era como a primeira vez que uma criança vê o mar. A vontade renovada de perguntar porquê e de descobrir um mundo lá fora, um mundo novo nos olhos dela.
Uma semente, uma pequena semente de ilusão. Semeamos aquilo que queremos colher. E somos seres cegos, tão cegos de olhos nas mãos à procura de algo que nem sequer sabemos o que nos falta. E eles trocavam assim todas as perguntas do mundo e todas as respostas dos seus corações. Numa fome estranha que lhes consumia a noite sem se lembrarem do tempo que envelhecia lá fora.
Mas todas as noites amanhecem, todas as sementes crescem, todos os sonhos terminam. É a sua essência tão fugaz que lhes conferem esta beleza trágica que nos prende. Este mundo é um mundo de barreiras, de fronteiras e de distâncias. Um mundo de redomas onde todos estamos sós. Os nossos corações são caixas vazias, que batem dentro de pessoas que são caixas vazias, que viajam em carros e comboios e metros que são caixas vazias, que circulam em cidades que são conjuntos de casas que são caixas vazias dentro de caixas vazias maiores, dentro de caixas vazias ainda maiores. O mundo é uma caixa vazia como nós. Numa busca obsessiva de nos enchermos com qualquer coisa que faça isto tudo ter qualquer sentido.
Dar toda a poesia que os dedos da nossa vida escreveram a alguém que não a vai ler. Abraçar com toda a força e entrega alguém que não nos abraça de volta. Abrir as portas do coração uma ultima vez para a luz entrar. Tornar-nos tão vulneráveis que somos transparentes num gesto carente de entrega. Como se o corpo perdesse a consistência dos átomos e se visse exposto o pulsar sincero e desamparado de um coração que tenta bater de novo.
A cidade já tinha amanhecido lá fora, alheia a eles, ou talvez não. Ganhava novas cores que ele agora nem repara existir. Cores que o sorriso dela pintava outrora nas paredes velhas dos seus sonhos de agora. As sementes da ilusão brotam desilusão quando regadas pela simples água fria da realidade. O sorriso dela ainda tem as mesmas cores, o dele é que mudou. E descobri-lo era apenas a velha certeza de como as coisas são e ele tão bem as sabia. E a vontade renovada de esquecer o mundo lá fora, aquele mundo velho nos olhos dele.
Semeamos aquilo que queremos colher. Mas no tempo em que a semente era apenas a promessa do que eles podiam ser, no tempo em que o sorriso dela era a semente do sorriso dele, ele foi feliz e sonhou de novo.
de João Natal

...alone by ~nunoramos0
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junho 03, 2009
DE REPENTE
É como se de repente fosse Outono no Inverno.
E de repente a tua mão não fosse a minha.
Tudo de repente
Balões de ar comprimido.
Cheiro de lírios brancos em rosas amarelas.
E gotas de água num país deserto
Como se de repente o mundo me fugisse
E as metáforas
Morressem no poema
Como se as rectas fossem curvilíneas,
Mas finitas.
Paralelas ao infinito do amor
ou desamor.
É como se tudo morresse quando nasce
E como se tudo renascesse além da morte.
Como se a morte fosse de repente
a felicidade
Como se de repente o riso se trocasse.
Pelo canto inaudível das sereias
ou
Pelo tremor das ondas de um mar morto.
É como se o mundo desabasse
E serpenteasse por entre o oco do sentir
Como se o sentir fosse, assim meio de repente
uma constelação inominada
Numa noite chuvosa e sem luar.
Tudo assim, mesmo assim meio de repente!
Como que um poeta a imitar outro poeta.
Que lhe diz, dia após dia,
De repente, não mais que de repente!
de Olívia Santos

Introspection by ~Mj07x
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(lindo e triste, como a vida... obrigado Olivia por este poema maravilhoso... mais um dos tantos poemas fantasticos que envias. Beijinhos e obrigado!)
maio 26, 2009
Deixai-me
Deixai-me
A minha voz vai selar o sonho de uma caminhada curta mas intensa
Vai calar o grito que trago na alma
E o voo desta ave que voo sempre sem destino
A minha voz vai calar-se porque temeu o mundo
Em garras e lápis de carvão que se partiram sucessivamente
O meu silêncio jazerá para sempre na lápide mais azul que grava o destino de um pássaro à deriva no mar
E se o medo me vier buscar, que me leve sem pausas e traças e num espasmo só
Me deixe ir sem tempo, sem saber, mas com a sabedoria de uma vida tatuada no corpo e em feridas da alma
Deixai-me ser melhor
Deixai-me ser maior
Concretizar os sonhos dos meninos
Da minha herança de sangue
Limpar a crosta que sempre sangrou
Deixai-me ainda sorrir
Sentir na pele o orvalho da manhã
A audição daquela gargalhada sonora
A colheita de um abraço tão forte quanto o teu
Deixai-me ainda sorrir com a idade
Iluminar as rugas
Chorar por mais
Cantar e dançar
E quem sabe… Voltar a voar
de Joana Freitas

free by =lyddie
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(Espero que te deixem é continuar a sonhar e a escrever assim. Porque seria uma perda para quem gosta de te ler. Obrigado por mais este poema e ficarei à espera de mais, como é obvio!)
maio 18, 2009
Porquê tu?!?
Desta janela do infinito vejo-te de alegria espelhada nos olhos durante o teu passeio matinal à beira mar, onde o vento acaricia os teus cabelos longos e a brisa te entoa histórias mágicas de guerreiros, monstros e navios que já percorreram esse mar agora de águas calmas e límpidas.
Foi aí que te vi pela primeira vez… engraçado, nunca tive intenção de me apaixonar desta maneira. Hoje penso para mim: porquê tu, porque não outra qualquer?!
É incrível como uns olhos e um sorriso bonito nos podem levar à loucura.
Tão bonitas eram as coisas que me dizias, mas no fim mais não eram do que puras mentiras, fantasias de uma mente algo retrógrada e confundida.
Hoje digo sem dó, foi maldito o tempo perdido no perfume do teu corpo que pensei ser “meu” a cada amanhecer, a cada alvorada.
A vida só é bela quando respeitada e tu foste a grande tortura que eu nunca julguei merecer… por vezes somos compensados com estas realidades e às quais não temos resposta.
Entretanto o mundo vai tendo pena de mim e eu só me limito a pensar …
Nos teus olhos… no teu sorriso…
Porque tu?!?!

Perfume by ~flue
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(mais um pequeno grande texto teu Nino, destes que lemos e sorvemos as palavras como se fosse nossas, deixando o pensamento voar a cada linha. Obrigado por estes momentos que fielmente vais proporcionando a todos os leitores do café há já tanto tempo.)
maio 15, 2009
Agridoce
Doces os sonetos que me trazias
Nas madeixas de cabelo ruivo da Primavera dos sonhos
No beijo da promessa das promessas de beijo
Na curiosidade desmedida da novidade
Do encanto que tanto nos surpreende
Com a descoberta de um mundo novo nos olhos de alguém novo
De um amanhã incógnito que tudo pode trazer
E as manhãs envelhecem e ficam dias
Quando vamos sorrindo tristes sem nunca estar risonhos
No calor que se consome na chama de um desejo
Com o rubor na face de um Verão à tarde
Quando amorna a chama e o amor se rende
Num mar azul triste onde num mergulho me envolvo
No acre do acreditar no que queremos crer
Voltamos a descobrir o amor terno
No cair das folhas de um Outono doce
Quando é maduro o amor que se nutre consciente
No carinho dedicado que se dedica a conhecer
Sem medo dos erros, porque todos erramos
Como amantes errantes sem medo da morte
Que um dia nos deixa a todos sós
Mas nada nesta vida é eterno
E o Inverno vem para nos abraçar como se fosse
O último abraço que um corpo morto sente
Pois aprendemos que estamos aqui para perder
Vivemos para envelhecer e perder quem amamos
Até ao dia em que se tivermos sorte
Alguém envelhece para nos perder a nós
de João Natal

Like the Sunshine by ~shecomesincolors
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maio 13, 2009
Corres-me nas veias
Corres-me nas veias confesso...
quando esses teus olhos
que sem ter mãos me tocam
e sem ter olhos me beijam
quando os teus olhos me despem e fazem tua
quando o desejo de ti
o desejo de nós
esta vontade
esta necessidade
de precisar de cada teu beijo
das tuas mãos
a caminharem na minha pele
desse teu corpo suado colado
ao meu
a sentir nossos espamos de prazer...
Corres-me nas veias confesso... e adoro.
de Maria Pereira

Veins by ~neebow
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(e a tua poesia agora corre nas nossas tambem. Obrigado Maria por mais este teu poema tão lindo e sensual)
maio 08, 2009
Escuridão
Refugio-me na penumbra…
Descobri a beleza do lado negro!
A sombra que me protege,
permite-me pensar, dá-me segurança…
O negro da noite é incompreendido
Não é triste a escuridão!
Apenas diferente para quem vive ao sol…
Diferente, por isso fascina-me
é o meu refúgio predilecto!
Porque posso ser só eu,
sozinha no escuro, escondida?
Sou capaz de me mover e ultrapassar certas barreiras
O pensamento adquire outra realidade
As trevas não precisam de ser sombrias
São só um outro plano...
Mais obscuro, mais sentimental?
Gosto de me perder na profundidade do escuro
Perder a noção das cores
ou conhecer a sua verdadeira realidade.
de Ana Silva

Melancolie III by =Lady-Dementia
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(e ainda bem que saiste da "sombra" para mostrar que tambem escreves Ana. Obrigado e ficarei à espera de mais escritos teus.)
maio 07, 2009
Para quem quiser ler
Vivo do outro lado do mundo
Sem conseguir situar-me.
Vou flutuando por aí
Sem ter lugar.
Sorrio perdida
Admirando o que por mim passa.
São personagens eternas
Que o tempo não quer esquecer.
Experimento o sabor da vida
Que atravessa o meu caminho
E não consigo chegar ao fim.
Estou em constante luta
Com tudo o que me rodeia.
Quero encontrar
O meu lugar neste caos.
Mas ele não existe.
Deixo de flutuar
Para me retirar do palco em que me encontro.
É difícil partir sabendo que nunca fiz parte.
Do outro lado,
Vou construir a minha história
Para quem quiser ler.
de Alexandra Mendonça

lost by *raun
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(no fundo todos vivemos assim um pouco... perdidos em nós mesmos à procura do caminho certo, à procura de alguem que nos queira "ler". Pelo menos aqui todos queremos ler a tua poesia Alexandra, espero que envies mais.)
maio 06, 2009
TRAVESSIA
Atravesso
O campo de fragas
(onde flores silvestres se escondem
Nas esconsas frestas)
Percorro-as
Na sua cinzentez viçosa
Vivas
Plenas do sangue da terra
magma embrutecido
Que me conta histórias da aldeia.
de Carla Milhazes

Wayside stones... by ~BrokenLens
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(suave e simples... como a vida devia ser e não é. Adorei os tons de cinzento deste poema. Obrigado Carla por o teres enviado.)
maio 04, 2009
Introspecção
Não sou o leito de morte
nem o tempo de luto
em espiral
Não sou resquício
qualquer
desmentido póstumo
Sou assim
episódico
esporádico
intempestivo verbo
declaração de silêncio...
de Sérgio LDS

Introspecção by Sérgio LDS
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(todos nós precisamos de um tempo assim... de olhar para dentro. De viver num poema dentro do peito e da cabeça. De fazer um balanço sobre a nossa vida. Até eu estou a atravessar um momento destes. Depois dos problemas com os códigos no poetry. Espero que as coisas agora voltem ao normal.)
Existe mais poesia no olhar de quem ama de que em mil poemas que se escrevam, mas nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas para mostrar ao mundo o que esse olhar dizia... assim nasce o meu humilde blog de poesia...

Viajar no tempo





