julho 04, 2008
gaivota minha amiga
onde vais tu gaivota branca?
nessa mistura tua com o fogo do céu
perdida sem o querer saber
só viver com a esperança da liberdade
vais alva e senhora
nesse caminho aberto e amplo
num voo variado de felicidade
porque cheiras as ondas e sobes ao infinito
não tens sinal que te pára
só o receio que eu tenho do Homem
passas tu rapariga altiva
e só eu te vejo isolada
nessa fuga ao teu bando
pra teres realce e vento que te empurre
olha-te como eu
o ilhéu que te inveja as paixões
o teu grito chamativo
neste manto pintado do fim da tarde
onde atraca-mos num admirar do teu movimento
na hora vaga como esta
andas brava de alegria
porque vais ao horizonte
misturar-te com o mundo e o sol posto
pra vingar esse esforço grandioso
e fico aqui pra te ver a ir
ao encontro de um antigo desejo meu
que não alcançarei hoje
mas creio que um dia depois da morte
ambos partiremos
como amigos eternos de uma outra vida
de Silva Costa

.............. by *bucz
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(um poema fresco e a saber a Verão... Obrigado por este momento de maresia alada. Ficarei á espera de mais poemas teus. Abraço!)
julho 01, 2008
Todas as palavras
Olho para a frente do meu destino.
Desembaraço-me da forma passada, um a um os meus pensamentos.
Destruo todas as virtudes contruidas até hoje.
Passagem breve no caminho longinquo.
Supreendo-me com todas as vozes que me fazem reflectir.
Tomar atitudes, diferenciadamente de todas que já tomei.
Ou não tenha tomado.
Tudo simples, ouvindo toques interruptos da melodia que me assoma.
todas as palavras são especiais.
Todas as palavras são diferentes.
Todas as palavras criam-se em momentos de euforia.
Que nos fazem sorrir.
Em surpresas que alegram a minha ansiedade.
Olho para a frente com um passado já criado.
Olhando para todas as amarguras impostas.
Todos os meus desejos foram esquecidos.
Todos os meus pensamentos foram ultrapassados.
Todos os meus sonhos foram abalados pelas as compreensões dos outros.
Peço desculpa antes que chegue a minha despedida.
Pois assim adormecerei mais descansado.
Pois assim tudo o que tenha feito vos será recordado.
Não quero que amem, peço-vos que me compreendam.
Como compreendi toda a vossa preocupação.
Como vos compreendi.
de João Santos

Words of nature... by ~trutruche
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(todas as palavras são importantes João... são elas que nos marcam as memórias cá dentro. Obrigado pelo poema... ficarei à espera de mais. Abraço!)
junho 28, 2008
devassa vertical
ainda faltam cinco horas para acordar, os sentimentos
despertam imersos na dificuldade de escrever no presente
sem passado ou futuro, é sábio o que existe no momento da escrita;
sem um nome que o signifique, avassala e invade - sem atormentar;
sem linearidades ou digressões possíveis, requer devassa vertical
esse existir que exubera sua realidade no corpo e na alma,
independe de crença: toma por inteiro, sem pânico
é
(houve)
será?
ao vestir a alma exterior
algumas notas num texto impressionista: assim a escrita diz
- ao recusar o senso comum - do incompleto e movediço.
é como conhecer sentindo, transgredindo o vigente
é como uma casca que se constrói num reino de sedução, nova versão
onde o falso e o verdadeiro se combinam numa relação metonímica,
sem alegorias que joguem com a palavra, esvaziando-a
mistérios interligam-se quando se expõe o secreto pelo avesso,
não há evasão da identidade que se realiza
ao vestir a alma exterior, a revelação possível da interioridade.
de Sónia Regina

Another sleepless nighttt by ~philhormonic
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(O que mais dizer amiga?... adoro o que tu escreves e a forma como o fazes. Tornaste-te com o tempo uma das colaboradoras mais constantes e dedicadas do café e eu agradeço-te de todo o meu coração por partilhares a tua poesia aqui. Beijinho grande!)
junho 26, 2008
Nas vagas do mar que me cobrem o caixão
Quero abraçar o mar enfurecido
Num último sopro abraço sereno
Num último choro de adeus sofrido
Deste nosso amargo mundo terreno
Deixar-me cair absorto e ameno
Como morto cai o fruto caído
Ou se ceifa já seco o seco feno
Com a foice do tempo em vão perdido
E desossar este corpo cansado
De tanto viver longe de tudo
Mais velho que o tempo ou do que a idade
Pois dói-me tanto este corpo prostrado
Neste sofrer de bramido mudo
Em que aquilo que mais dói é saudade
de João Natal

Drowning Man by ~Janoosh
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junho 18, 2008
Encontro Mudo
Todas as vezes que nos encontramos ficamos estáticos a olhar um para o outro sem saber o que dizer. Antigamente era mais fácil, sorríamos ao primeiro olhar e corríamos aos braços um do outro. Ficávamos assim por longos minutos que pareciam sempre não ser suficientes. Não precisávamos dizer nada um ao outro, o simples respirar chegava. Agora não, agora há no ar a obrigação de soltar as palavras mesmo que não signifiquem nada. O pior é que não existem palavras presas, estamos vazios de palavras. Cheios de sentimentos, mas nenhum deles se escreve, nenhum deles se pronuncia, nenhum sequer tem tradução. Apenas se sentem e se transmitem por todos os sentidos menos o da fala. Continuámos estáticos a olhar um para o outro sem ter o que dizer, mas olhos nos olhos cada um sabe o que o outro sente. Não nos podemos tocar, um pequeno toque que seja separa-nos para sempre.
de E. Afonso

it's over by ~nicejakass
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(E as palavras que não temos para dizer ficam-nos tatuadas na alma para depois as passarmos ao papel assim, de forma tão bonita... obrigado pelo texto. Espero que envies mais! Jinho.)
junho 16, 2008
O meu local divinal
Quero encontrar o local divinal...
Não tenho mapa, não tenho pistas...
Esse é o lugar onde querer muito é poder
Quantas vezes vi esse lugar... nos meus doces sonhos
Posso descrever-to, cada seu milimetro, cada pedrinha dos seus passeios..
As nuvens que são de marshmellows...
Os seus caminhos fazem-te levitar,
as paredes das casas e os muros são versos
toda a gente sorri, no meu lugar não há espaço para o cinzento...
As ruas cheiram a Jasmin, a maçã verde ou a pessego.
Não há pressas nem correrias
lágrimas nunca foram vistas e são um mito...
As más palavras não constam no dicionário...
Podes deitar-te nos bancos de arco-iris dos passeios
ouvir os passaros a cantar ou o som da air on a g string do Bach...
Pela noite, a escada rolante até à estrela do norte está a funcionar
então, podes ir até lá...
Contemplar o seu brilho e perder-te a contemplar todo o universo..
Quando queres algo, com muita alma e a natureza sente que és merecedor
esse teu algo acontece...
Eu hoje, vou-me aconchegar na minha mantinha
fechar os olhos esperançosa e com um sorriso
vou proferir o meu desejo...
quero encontrar o trilho
para o meu local divinal...
quero encontrar a passagem secreta, para o meu lugar divinal...
de Cátia Gonçalves

Unopened Letter To The World by ~eleMENTALKA
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(Este é o segundo texto da Cátia. Lindo como o primeiro... quem me dera Cátia que houvesse um lugar assim para onde pudessemos voar, para fugir de tudo o que nos deixa cinzentos e tristes no dia a dia. Obrigado pela contribuição. Beijinho.)
junho 11, 2008
O Poetry Café apresenta:
O Poetry Café tem o prazer de anunciar o lançamento do
livro "Fragmentos de mim" de Marina Raquel M. Ferraz, que terá lugar no
Sábado, dia 14 de Junho, pelas 15.30 na Casa Municipal da Cultura de
Coimbra.
É, aliás, com muito orgulho que faço este aviso e convite a aparecerem lá. Pois a Marina é mais uma poeta desta casa que vai ser editada.
Que o teu talento continue a fazer-te brilhar assim amiga.

junho 10, 2008
É difícil escrever-te
É difícil escrever o que se sente
Se o que se sente está ausente
Perdido entre suspiros esquecidos
Submerso entre lágrimas enxugadas
Escondido entre sonhos doridos
Desnorteado em batalhas derrotadas!
é difícil escrever o que se sente
Se o que sente não pára de chorar
Se o que sente é uma ferida mal curada
Uma lágrima que teima em não cessar!
é difícil escrever o que se sente
Materializar todo o sentimento deste sentir
Toda a tristeza iminente
Neste acto de submergir!
é difícil escrever o que se sente
Se o que se sente não passa de um acto mal comandado
De uma poesia esquecida
De um fim não alcançado
é difícil escrever o que se sente
Se o sentido está no sentimento
é difícil escrever o que se sente
Quando isso vicia-nos o pensamento!
é Difícil escrever-te
Tu, que te sinto
Pois escrever-te é a beleza personificar
é difícil escrever o que sinto,
pois um pecado estaria a alimentar!
é Difícil escrever o que sinto,
Pois tu estás na essência do meu sentir
é difícil escrever o que sinto,
Triste sina da qual não consigo fugir!
Marco Veríssimo

The Last Letter. by ~galifardeu
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(é dificil colocarmos em palavras o que tantas vezes nos vai cá dentro... eu acho que tu o conseguiste muito bem. Parabens por isso. Gostei muito deste poema. Abraço!)
junho 08, 2008
Em ti
Existe em ti um pedaço de mim,
Cada pedaço de ceú, é o horizonte infinito do meu ser,
Cada nuvem, cada gota de chuva,
Palavras silenciadas, gritos calados e suspensos.
No teu peito acendo fogueiras de raiva e de loucura,
No teu ventre lagos de águas paradas, serenas,
Nos teus olhos desenhos de voos rasantes de gaivotas,
No teu sorriso um rio sem margens que me rasga o peito.
Invento constelações de estrelas para te ofertar,
És cosmos, universo, limite e ilimitado,
És o mundo, o mar onde navego sem rumo nem rota.
de Rogério Nunes

Faith of a Dreamer by `LuneBleu
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(um poema simples mas muito profundo e bonito. Obrigado Rogério por o teres enviado, espero que envies mais. Abraço.)
junho 07, 2008
Apegando-se
Pelas fantasias de uma outra vida.
Perdido na inocência de uma despedida.
Que se arrasta num querer passado.
Sentindo um outro momento.
Na plenitude de um presente.
Espero mostrar-te as verdadeiras estrelas.
Espero encontrar-te num outro espaço.
Que não este, só meu.
Onde grito a minha vida.
Onde quero gritar-te ao ouvido.
E dizer que sim.
Não és e nem serás a ultima.
Mas desde o momento em que te encontrar.
Nos meus braços estendida, esperando por absorver da forma mais viva e sentida.
Dizendo:
"Quando te encontrares, já te deixei.
E desde então, aprendes-te a suportar a dôr.
Por nunca ter sido parte de ti.
Mas sim de nós".
de João Santos
08.06.2007

Lovers by ~titegez
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(Que poema tão lindo João... parece uma confissão triste que se sussurra num ouvido. Gostei bastante, faz por enviar mais. Obrigado e abraço!)
junho 06, 2008
Espero
Sento-me, e espero.
Espero pelo amanhã, que tarda em vir !
Ah, o amanhã. !
Espero por um simples sorriso, um abraço, ou um beijo, que me leve os meus
medos e me faça sentir de novo menino..!
Hoje, sinto-me lúcido..!
Lúcido como se não houvesse um amanhã, e eu tivesse todas as certezas do
mundo.
Mas espero. Espero porque realmente quero.
Espero por ti.
"Porque não vens agora, que te quero
E adias esta urgência?
Prometes-me o futuro e eu desespero
O futuro é o disfarce da impotência...
Hoje, aqui, já, neste momento,
Ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento
O desejo, o limite dos mortais."*
de Fábio Serôdio
* excerto de Miguel Torga

Waiting III by ~oralardabiri
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(Obrigado Fabio por este bonito poema que nos lembra Miguel Torga. E obrigado também pelo tempo que esperaste pela edição tardia. Abraço!)
junho 04, 2008
Castigo da Ausência
A noite passada
A noite passada não adormeci
Respirei fundo mil vezes mil outras mil vezes
Perdi a conta das tantas vezes que virei o rosto na almofada
Eu que nunca durmo sobre ela... curioso
A janela semiaberta
O vento entrava furiosamente no quarto
Trazia o sal do mar
A lembrança do amor que seca os lábios
Que arrepia o corpo
Procurei acender a luz
Quis pegar num livro para ler
Quis acender a televisão para iniciar mais um zapping sem sentido
Quis pensar em tudo menos no que me tirava o sono
Não consegui
Fechei novamente os olhos
Comecei a escrever
O tecto, o quadro
O giz, uma estrela cadente que agarrei num sonho
As letras eram grandes, luminosas
Como o tamanho do silêncio que me percorre esta noite
As palavras intensas e roucas
Sem pontuação
Abri os olhos e tentei ler
Interpretar a escrita
O sentimento.
Estavam escritos os cinco sentidos mais um
Quantas imagens conseguimos salvar no cartão da nossa memória?
Quantos sons tem um momento de amor?
Quantos são os cheiros que combinados nos trazem apaixonados ao longo de uma
vida inteira?
Quantos sabores tem uma caminhada a dois numa praia?
Quantas são as curvas do corpo que temos de percorrer para nos entregarmos?
Quantos de nós já encontrámos a inteligência emocional na palavra Amor?
Somos perfeitos e ignorantes?
Procuramos a perfeição imperfeita?
Mas perdemos tanto de tudo.
No entanto, são estes pequenos nadas de tudo que nos fazem viver
Que nos fazem seguir...
E a noite passada segui...
Levantei-me e dirigi-me até à praia
A noite estava cerrada
A lua espreitava de quando em quando iluminando o caminho
Caminhei descalço sobre a areia
Deitei-me
A areia fina mas fria nas mãos
Fechei-as e senti-te na memória das mãos
Abri os braços e fiquei a olhar o astro
Perante tal imensidão de espaço
Invadiu-me a sensação de pequenez
O corpo
Vencido
Embalou ao som do mar...
Sempre o mar.
Onde as estrelas ainda nos chamam a atenção no astro
Onde sou imortal
Sou vida
Sou infinito
E convencemo-nos de que é possível voar
Porque a vida não pára e,
Os sonhos renovam-se a cada vaga
A cada som
Os olhos ficaram brilhantes
Lágrimas escorreram pelo meu rosto
Sem saber ao certo quando acabam
Lágrimas de saudade do teu beijo
Caminharam até ao mar
E quando se misturaram com o sal
Ouvi o mar sussurrar que era o Castigo da Ausência
de Miguel Cruz

Alone by ~wandereringsoul
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(Bom amigo Miguel, belo poema... se o nosso corpo se compõem maioritariamente de água... juntando-se o sal da vida, restam-nos as lágrimas. Obrigado por este passeio até à beira-mar com a tua poesia.)
junho 03, 2008
Diário
Hoje não tocou o telefone, hoje e nos dias entornados de antes, até chegar àquele dia em que o telefone não precisava de tocar, há momentos que são como filas de espera sem pressa, estamos no corpo, talvez como uma nuvem sem serviço de chuva, um adorno de lugar sentado com vista para os olhos de ontem, hoje há silêncio pela casa toda, hoje e nos dias entornados de antes, nenhuma voz se levanta debaixo do tapete, nenhum ombro de casaco em qualquer porta.
No quarto onde não durmo tenho lá um coração de pó no chão, dobrei-me na procura de um documento e deu-me para o desenhar, não ficou perfeito, no outro quarto durmo eu.
de Miguel Patrício

Waiting by ~ImperialAerosolKid
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(Palavras para quê ao descrever um dos mais antigos e talentosos colaboradores do Poetry Café?... Obrigado Miguel por mais um pedaço épico de leitura... sabes que ainda há hoje pessoas que me dizem que o melhor do café foram os teus poemas?... aquele abraço e continuação de boa escrita!)
junho 01, 2008
Sonho / Realidade
Entro em teu corpo e balanço no teu sorriso enquanto ao longe vejo o horizonte através de teus lindos olhos cor de mel. Entrego-me em tuas mãos e deixo que me leves através dos teus dedos sem medo de escorregar por entre as brechas onde o ar passa. Faço das tuas pernas o meio de transporte para o infinito que procuro sem cessar. Leva-me, eu confio nos teus passos nos teus caminhos mesmo que por vezes alguns buracos se entreponham entre nós e a estrada. Um caminho sem dificuldades não é caminho digno de se percorrer, depois tenho-te a ti para me socorrer de qualquer imprevisto. Sigo em ti e ao mesmo tempo trago-te em mim, nada nos separa, nada nos distância. Somos um só ser, uma só alma. Abraço-te em mim e sinto o teu coração palpitar, estou contente de tal forma que teus olhos choram como se fossem os meus.
Olho-me no reflexo límpido das tuas lágrimas e não me encontro. Talvez tudo não passe de um sonho. Talvez tudo isto mais não seja que uma enorme metáfora.

Underwater Dreams by *SAB687
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(talvez todos vivamos numa grande metáfora amigo... onde nem tudo faça sentido e o sonho por vezes tanto nos iluda. Bom pedaço de escrita, mais uma vez. Aquele abraço!)
Mascara de mim
Ao sorriso desenhado
Junto um
Olhar esculpido.
À palidez pintada
Junto um
Penteado colorido.
À mudez forçada
Junto um
Choro contido.
Ao discurso estudado
Junto um
Trejeito fingido.
À máscara forjada
Juntei um
Principio vivido.
de Manuel Monteiro

untitled by Natalie Shau
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(todos nós usamos mascaras para esconder quem somos, o que nos magoa, o que nos deixa tristes... todos nós usamos mascaras... bonito poema amigo... como sempre gosto de ter a tua poesia por cá. Abraço!)
maio 30, 2008
Outono
Teus olhos são tão tristes como as tardes de Outono
Tua voz é melancólica como a brisa nocturna
Que perpassa entre as folhas
A minha alma no deserto aguarda em silêncio
Você ouve uma canção e quase chora
Não ouso falar
Eu te vejo absorta e por um momento parece feliz
Então eu penso: deve ser uma lembrança
Um raro momento bom
Teus olhos são tão tristes como as tardes de Outono
A canção é muito triste
Quase tão triste quanto você.
de Carlos Augusto dos Santos
Porto Alegre 28 de maio de 2007

Dolls movie scene by Takeshi Kitano
(e do outro lado do oceano chega-nos este poema, lindo e triste. Depois de ter visto o Dolls tive que o trazer para aqui... obrigado Carlos, ficarei à espera de mais! Abraço.)
maio 28, 2008
E por falar em cinema...
O Poetry Café também recomenda:
O Maravilhoso Mundo do Cinema - este blog sobre cinema é um projecto da cadeira de Atelier de Jornalismo de uma amiga que também escreve habitualmente para aqui. E que, para muito orgulho meu, irá publicar muito em breve a sua poesia.
Um sitio a visitar e a comentar!
maio 25, 2008
O Poetry Café Recomenda - The Fountain

...
Como começar a descrever aquele que provavelmente é o filme da minha vida?...
Simplesmente lindo e inenarrável... assim é The Fountain, o ultimo capitulo. Um filme espiritual e profundo de Darren Aronofsky, que versa sobre o amor, a vida, a morte, o renascimento, a alma e sobre a transcendência de todos os seres.
O filme reparte a narrativa em 3 momentos diferentes mas interligados: Tomas, é um descobridor ao serviço da corte de Espanha na sombria época quinhentista que, lutando contra a inquisição parte para o Novo Mundo em busca da arvore da vida por demanda da rainha Isabel de Espanha. Tom é um cientista no presente, que luta uma batalha contra o tempo, tentando descobrir uma cura para salvar a sua mulher Izzy, que definha com um cancro. Tommy é um homem no futuro, em 2500 D.C. que parte numa nave espacial em forma de bolha, com destino a Shibalba, uma estrela moribunda que o povo Maia acreditavam ser um portal para outro plano existencial, levando consigo a Arvore da vida que está a morrer.

A composição estética de Aronofsky, a música de Clint Mansell, a fotografia de Matthew Libatique, tudo isto aliado a duas interpretações estrondosas de Hugh Jackman e Rachel Weisz tornam este filme um filme obrigatório de possuir e de rever vezes sem conta.
Odiado e menosprezado pela critica americana, idolatrado por quem gosta verdadeiramente de um cinema pensado. Este filme é algo de uma beleza transcendente que irá ser visto e revisto, como foi no passado, hoje e daqui a muitos, muitos, muitos anos, como uma das grandes obras alguma vez feitas na sétima arte.
Para quem ficou um bocadinho curioso, deixo a ponta do véu.
Our bodies are prisons for our souls; all flesh decays, death turns all to ash and thus, death frees every soul.
maio 23, 2008
Cyberlove
Pensando no que hei-de dizer
com um brilho eléctrónico á frente
que me turva a mente
e me impede de ser.
Ziliões de sinais de fumo
aquecendo espirais de cobre
visionados por óraculos cancerosos
que tossem sangue e luxúria
ao sentir a nossa fúria
do outro lado do mundo.
E eu, cowboy que cavalgo
um cavalo de perna partida
que relincha descompassadamente
á procura do pôr do sol...
Que sei eu dos indígenas?
Talvez por isso tenha pesquisado
amor no google.
de Daniel Afonso

Cyber Love by ~Spidou
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(simples mas bonito, obrigado Daniel por mais um poema dos teus e desculpa pelo atraso na edição.)
maio 19, 2008
O OURO E O CASCALHO
Sou o poeta das planícies,
Que do Alentejo do meu coração,
Onde molho o pão no azeite
Das Grandes-Oliveiras
E refresco a garganta com o tinto
Que o suor e calor criou;
Monto o burrico que me levou,
Ao ritmo do vento breve
Á Grande Cidade de Lisboa,
Que tanto amo.
Aqui vivo,
Como poeta vestido de negro
Bêbedo dos sentidos,
Vagabundeando pelas
Palavras,
Rodando na minha bicicleta ferrujenta e sábia,
Que só roda quando quer,
Como o espírito livre dos árabes.
Ruas de nevoeiro,
Aqui vou,
Dormindo nas esquinas relvadas,
No manto de folhas abandonadas
Pelas preguiçosas árvores
Do belo bairro dos Olivais.
Estou em casa!
Sou um cão magro e feliz!
Farto e cansado
Do jogo da simetria ambulante
Dos homens-comuns
Que tudo endireitam
Para satisfazer a sua luxúria de mentalidades.
A natureza é torta e bela,
Porquê simetria a mais do que aquela que
Deus nos quis dar?
Lixo! Lixo! Lixo!
Estranho os ciprestes e sequóias de betão,
Desenhadas por artistas cegos,
Mastodontes silenciosos
Esperando o armagedon
Que os livre.
Pena dos homens e mulheres,
Crianças de rosto triste
A lamberem os vidros de 4x4
Fedorentos que se bufam negramente
Para o ambiente que Jeová criou.
Jeová criou.
Vinho tinto, vinde,
Estou só.
Poeta pobre e feliz…
Hoje alimento-me de nevoeiro e neblina,
Amanhã de ar e relva,
De Whitman e sol.
Pobres oliveiras sós,
Esquecidas entre
Pomares de pedras cinzentas com olhos quadrados
Onde moram pessoas infelizes nas suas entranhas.
Bairro dos Olivais!
Alameda das Oliveiras Tristes!
Bicicletas ferrugentas com gordas mulheres
Com gordos sacos de compras
Com gordos braços a estender roupa
Com paredes de tijolo de burro
Ruas direitas e ruas tortas para pesadelo de carteiro
Por entre relvas centenárias
Nuas e carecas
Oliveiras riem-se ao vento
Incólumes e perversas na sua tranquilidade das décadas
Cães velhos vadios magros famintos doentes sós
Por aí
Gajos que não lembra ao diabo
Por aí
Que fazem Onde dormem O que comem
Tiveram mães e pais?
Rostos cavados de medo e sombra,
Para onde ides?
de Carlos Luis
in “Tijolos de Verde Rude”, Corpos Editora

Alentejo II by ~antipopmarket
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(o que dizer deste poema Carlos? É simplesmente genial e fez-me voar na imaginação por terras perdidas tão nossas deste Portugal. Escolhi-te um som do Pedro Barroso... porque para ilustrar um tão grande poema, fui buscar outro grande poeta cantor! Aquele abraço e ficarei à espera de mais textos assim tão bons como este.)
maio 12, 2008
O Poeta
O poeta é um cajado já rachado
Gasto na estrada d'um velho a caminhar
É um lobo cansado e esfaimado
Que só não está cansado de amar
O poeta é uma arma de fogo
Sem travão de segurança nem balas
É uma mulher tímida que vai a jogo
Sem Ases nem Figuras nas jogadas
O poeta é uma vida enrugada
A voz áspera no xaile da fadista
É as gargalhadas que voam nas noitadas
E a tristeza que sempre nos mancha a sina
O poeta é um cajado já rachado
Gasto na estrada d'um velho a caminhar
É um lobo cansado e esfaimado
Que só não está cansado de amar
de Daniel Afonso

The poet. by ~nettocastro
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maio 07, 2008
A tua casa
A tua casa era algo entre névoas. Era algo ameno e confortável, e tudo se podia navegar. O branco da vivenda ocupava sempre o lugar fresco do ar, e parecia impor-se às cores menos luzentes das outras casas. Ficava no canto da vila, virada para o bosque.
A tua casa eras tu à janela, no primeiro piso, a espreitar de dez em dez minutos para ver se eu já tinha chegado e a espreitar dez minutos depois para veres que eu já tinha chegado. Eu adivinhava um sorriso enquanto descias as escadas.
A tua casa estava sempre de entreluz por dentro e tinha cheiros de boas vindas. E andavas à minha frente levando-me pela mão, e falavas, mas pareciam-me pássaros a cantar e a dançar nas teclas de um piano.
A tua casa tinha molduras chamadas janelas onde estava pintado um bosque até ao azul celeste. E havia uma estrada de terra que atravessava o bosque e acabava num sítio que – se o visitássemos – decerto veriamos que ali começava outra estrada.
A tua casa permitia que os raios solares entrassem para desencobrirem dos teus olhos um índice de verde, e tudo parecia que era um filme feito a partir de alabastro. As películas eram segmentos das tuas pequenas unhas a passar pela minha face.
A tua casa calava-se quando eu sentia a energia dos teus braços sobre os meus, enquanto te abraçava e imitavamos asas. E incorporávamos a felicidade. E eram honestos e sinceros todos os arquipélagos que se formaram através da erupção do nosso amor, no fundo do mar.
A tua casa era quando alimentávamos a nudez pura com o desejo de sacrilégios. E seguiamos o trilho que nos levava á intimidade, com cuidado para não tropeçarmos um no outro. Acertavamos todos os passos de dança, no salão vitoriano, os deuses da paixão aplaudiam.
A tua casa era a última estrela a apagar-se naquele bairro, todas as noites. Como se, mesmo depois do sistema solar ter desaparecido, nós continuássemos a reluzir. E havia sempre calor e conforto e segurança e carinho.
A tua casa é uma morada perdida no tempo e na memória, e é o lar do meu refúgio nostálgico. Lá, ainda verias no tecto um pressentimento dos sonhos que sonhei contra ele. Lá, não existe o pranto deste abandono.
de Daniel Paiva

window to my soul by *don-paolo
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(obrigado Daniel por este texto que nos faz pensar tanto nas nossas "casas". Espero que envies muitos mais, porque adorei ler-te. Abraço e desculpa o atraso na edição.)
Existe mais poesia no olhar de quem ama de que em mil poemas que se escrevam, mas nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas para mostrar ao mundo o que esse olhar dizia... assim nasce o meu humilde blog de poesia...

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