O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda

Para minha surpreza e satisfação, meu blog encontra-se entre seus links. Só a título de curiosidade, poderia me dizer o que suscitou interesse pelo Reacionário, visto que resido no Brasil, país de realidade bastante diversa da portuguesa.
Um grande abraço
MG
ora essa... boa escrita é boa escrita em todo o lado, alem do mais, no actual cenário de globalização, o mundo torna-se pequeno, e os problemas globais são os problemas de toda a gente. Eu considero-me um cidadão do mundo e, como tal, procuro constantemente informação, nomeadamente sigo com atenção o panorama economico-politico do Brasil porque acaba por ter um peso importante na economia sul americana e consequentemente mundial.
E, confessando, o seu blog foi dos primeiros que li, e dos que mais gostei, pela acidez do discurso e pela desinibição das ideias...
Serve sempre como ponto de referência...
abraço
Nuno Branco