Ela chorava muito e muito, aos cantos,
Frenética, com gestos desabridos;
Nos cabelos, em ânsias desprendidos,
Brilhavam como pérolas os prantos.
Ele, o amante, sereno como os santos,
Deitado no sofá, pés aquecidos,
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,
Sorria-se cantando alegres cantos.
E dizia-lhe então, de olhos enxutos:
- «Tu pareces nascida de rajada,
«Tens despeitos raivosos, resolutos;
«Chora, chora, mulher arrenegada;
«Lacrimeja por esses aquedutos...
«Quero um banho tomar de água salgada».
de Cesário Verde
Lisboa 1874
(lindo, cínico, trocista, moderno... fantástico mesmo este poema do Cesário... foi mesmo um dos grandes mestres da poesia portuguesa, apesar da sua não muito longa carreira como poeta, findada pela sua morte prematura com tuberculose)
Lindo poema! Cada dia eu me apaixono mais por esses poetas portugueses.
Afixado por: Claudia em novembro 6, 2003 08:56 PMOlhando atentamente o seu blog, e principalmente os comentários e sua resposta a eles, me sobreveio uma tremenda dúvida: caro D. Quixote, vc é português ou brasileiro?
Afixado por: Claudia em novembro 6, 2003 09:20 PMEu sou português, mais concretamente do Porto, essa cidade tão maravilhosamente fotografada no poema que já aqui afixei...
Às vezes posso tratar por você as pessoas, mas somente por uma questão coloquial, pois em Portugal o termo "tu" é vulgarmente utilizado nas relações mais pessoais e com alguma confiança... peço desculpa pelo sucedido, pois faço questão de tratar por tu, toda a clientela do meu pequenino café...
volta sempre amiga Claudia...
Afixado por: D Quixote em novembro 7, 2003 12:04 AM Entendi!Bom conhecer pessoas de outros lugares (sou de São Paulo, Brasil). Aparece lá no Poematologia.
Bjs