novembro 17, 2003

As Palavras são o Ofício do Poeta

Quanto a mim gosto das palavras que sabem a terra, a água, aos frutos do Verão, aos barcos no vento; gosto das palavras lisas como os seixos, rugosas como o pão de centeio. Palavras que cheiram a feno e a poeira, a barro e a limão, a resina e a sol.
Foi com essas palavras que fiz os poemas. Palavras rumorosas de sangue, colhidas no espaço luminoso da infância, quando o tempo era cheio, redondo, cintilante. As palavras necessárias para conservar ainda os olhos abertos ao mar, ao céu, ás dunas, sem vergonha, como se os merecesse, e a inocência pudesse de quando em quando habitar os meus dias. As palavras são a nossa salvação.

de Eugénio de Andrade

(este pequeno texto lindissimo foi-me dado por uma amiga muito querida no dia em que me despedi dela para partir para outros desafios... era, para alem de amiga, minha professora de português... tenho procurado desde então as minhas palavras... as palavras que mais gosto para compor a minha paleta de cores com que pinto poemas... a ti Carla Leal... a unica palavra que tenho pelo gosto que tanto cultivaste... obrigado...)

Publicado por D_Quixote em novembro 17, 2003 11:29 PM
Comentários

Ainda bem que o teu café está aberto todos os dias, 24 horas por dia. Mais que os poemas que aqui posso ler, as tuas palavras dão-me alento e sinto que há alguém por detrás do monitor. Obrigada pela visita, obrigada pelas palavras.

Afixado por: Bichinho-de-Conta em novembro 18, 2003 12:02 AM

ora... eu é que agradeço clientes tão bons...

:-D

Afixado por: D Quixote em novembro 18, 2003 12:08 AM

A tua primeira frase devolveu-me a coragem, coragem que há muito que estava perdida...

Afixado por: Bichinho-de-Conta em novembro 18, 2003 12:11 AM

fico feliz por ter acertado...
não é sempre que faço uma boa acção...

jinhos e animo...

vá... e sirva-se o cafézinho quente...

Afixado por: D Quixote em novembro 18, 2003 12:19 AM

As palavras dos poetas são realmente aquilo que nos faz vir até aqui. A este "Poetry Café" que tanto nos dá durante todo o dia, ao longo dos dias. E que nos faz ficar. E que nos faz permanecer. Agradavelmente. Envolventemente.
São as palavras dos poetas que nos arrastam para aqui, assim como o bom gosto daquele que os lê e os apresenta frente a frente.
Um belíssimo texto de Eugénio de Andrade que nos faz pensar que a Poesia é muito. Pode ser quase tudo. Para nós. Em nós. E nas relações que desenvolvemos com os outros.

Afixado por: Sandra em novembro 18, 2003 10:11 PM