I
Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
II
Após um dia tristonho,
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias.
III
Uma mosca sem valor
poisa, c'o a mesma alegria,
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria
IV
Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis;
agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.
V
Casado que arrasta a asa
à mulher deste e daquele,
merece que tenha em casa
outro homem em lugar dele.
quadras retiradas da obra: "António Aleixo Este livro que vos deixo..."
verdades de facto, escritas de forma simples por um homem igualmente simples... António Aleixo era um homem sem estudos, quase analfabeto dizem, contudo não se inibiu de se expressar na poesia, sem complexos e de coração aberto... aqui lhe fica o meu tributo...
Talvez não fosse descabido lembrar Tóssan,ilustrador e/ou desenhador (não tenho bem a certeza), e o Dr. Joaquim Magalhães, professor (à época) do Liceu de Faro. Foram eles os "descobridores" do talento do cauteleiro-poeta, foi J.M. que transcreveu oa quadras do semi-analfabeto e as deu a conhecer a todos nós.
Honra lhes seja feita, sem ambos o talento do poeta seria ignorado até hoje.
sim... verdade... tributo lhes seja feito...
não quis penetrar em grandes promenores... apenas lembrei-me de quanto o meu pai aprecia a simplicidade humilde de António Aleixo e o quanto ela nos toca no coração...
Afixado por: Nuno Branco em novembro 21, 2003 01:30 AM