novembro 26, 2003

Povo

Povo, onde é que há povo, na língua da casa?
No funeral do Carlos, na galinha , no ovo?
Povo onde é que há povo, no estádio?
Nos lábios que beijam a cerveja?!
No sangue do filho, na transconfusão da igreja?
Povo onde é que há povo?
Nos olhos dos cegos, nos ouvidos dos surdos,
nas pernas dos mancos, na boca dos mudos?
Povo onde é que há povo, se ainda há pouco o muito que havia era só de um que também não era do povo!
Povo que palavra mais tola, vazia, sem gente dentro,
Órfã de país, assim como da idéia,
povo na laje do sentimento.
Povo, povo, povo!
De que terão acusado o povo?
O que terá ele feito de tão mau?
Povo que és tão novo, como se ainda grávido de ti me visse,
Quem te instalou o software da velhice?
Que nobre bengala te votou ao silêncio!
Que reforma a tua, tão bem conduzida que não demos por ela!
Povo, olhar de janela posto no trânsito, golo de clube sem adepto a jogar fora, mulher de mala sem viagem.
Povo onde é que há povo sem que haja também a miragem de uma sua eleição, um povo que vota devotado na sua abstenção.
Povo onde é que há povo no povo de uma nação?
As bancadas desertas e um relvado lindo, um golo na baliza do povo.

de Miguel Patricio "el bacro" (enviado pelo próprio)

Que dizer deste poema? Eu pessoalmente adorei... hoje o meu café ficou um grande bocadinho mais rico... e um novo poeta brilhou no palco...
Até breve Miguel Patricio, espero que nos brindes com mais poemas de sobeja qualidade como este...

Friends in cafe

by Koos Goris

Publicado por D_Quixote em novembro 26, 2003 12:58 AM
Comentários

tens sempre fotos magnificas... onde vais buscá-las?

Afixado por: Ana em novembro 26, 2003 03:23 AM

graças a ti, também coloquei as fases da Lua no meu blog...

Afixado por: Ana em novembro 26, 2003 03:28 AM

Gostei muito do poema.
Sempre achei que a ideia abstracta de povo serve para abusar da simplicidade e da bondade do povo.
Apregoam-se políticas em nome desse povo que nunca se protegido/atingido dpor essas políticas. Nas hipócritas vozes de quem governa povo só existe quando vota.
O poeta (Miguel Patrício ) tem as palavras sentidas de quem sabe do que fala.

Afixado por: malancia em novembro 26, 2003 03:12 PM

(Nuno, não sei se reparaste que as minhas sócias estão fãs deste blog?)

Quanto ao "Povo" está lindo e faz-me lembrar o poema "Calçada de Carriche" do António Gedeão...A Luísa do Gedeão é o Povo do Patrício! Lindo!

Afixado por: Xocolaty em novembro 26, 2003 06:41 PM

Neste café, encontram-se mais que palavras que juntas fazem sentir. Neste café, sente-se o conforto e o calor que urge neste inverno chuvoso e frio, encontram-se caras novas e sai-se sempre com um sorriso... Este é o meu café. Até logo.

Afixado por: Bichinho-de-Conta em novembro 26, 2003 07:36 PM

eba... sou um dono babado...

Afixado por: Nuno Branco em novembro 26, 2003 11:54 PM

era um chocolate quente sff..

e já agora, tenho a dizer q velhice não é software, qt muito será BUG ou VIRUS. se fosse software, qd viesse o técnico para instalar, o pessoal bazava para férias ;-)

espectacular essa foto. dá vontade de ir para latitudes mais frias só para "entrar" nela...

cheers

ginger

Afixado por: ginger ale em novembro 27, 2003 12:07 AM