Nunca fui edifício, antes corri para junto da poesia do mundo.
Sempre fui mais arvore do que casa, mais mar do que automóvel,
mais criança que ministro.
Nunca percebi nada de banca, mas tive de ir ao comércio fazer-me à vida,
embora houvesse sempre uma tristeza aliada a tudo isto!
Sei muito bem de onde me vinha essa tristeza,
de uma certa impossibilidade, de um silêncio orquestrado,
De uma angustia que será talvez a angustia do mundo.
A mesma que empurra as renas do pai natal para a casa de alguns meninos.
Nunca percebi muito bem,
mas sempre me foi ensinado que não era para perceber.
Era entrar e sentar-me, instalar-me antes que outro o fizesse!
- Quando a tristeza me encontrou, talvez já o soubesse,
por isso se instalou em mim antes que a alegria viesse.
- Avisaram-me agora da existência de uma avaria na casa das máquinas!
Um problema de engrenagem, dizem!
- Bem! Não deram de comer às renas,
do que é que estavam à espera?
Grandes renas!
de Miguel Patrício
(enviado pelo mesmo, com umas palavras de apoio que dificilmente esquecerei... obrigado Miguel pela generosidade das mesmas, e pela honra que me concedes de afixar os teus poemas... para muita felicidade minha... eles já fazem parte desta "casa"...)
Publicado por D_Quixote em dezembro 5, 2003 01:15 AM