A concha
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
de Vitorino Nemésio

"scattered to the wind"
by Roger Cotgreave
A minha casa é pequena
e a entrada é dificil,
tem dois metros quadrados
nem dá pra guardar um missil.
Sinto-me tão sozinho
já nem sei onde estou
Raios, quem bate a esta hora?
Ah, foi o Bush que chegou.
Olá. Sou do Brasil e encontrei o seu blog em uns links. Gostei muito daqui, seus poemas são fortes e nos levam a viajar quando os leio....
QUando quiser ma faça uma visita.
Abraços
Obrigado Rafael... tambem gostei muito do teu... passará a fazer parte das minhas visitas diárias...
Afixado por: Nuno em dezembro 17, 2003 09:10 AMpq será q estamos tão nostalgicos?
A tua vida é uma história triste.
A minha é igual á tua.
Presas às mãos e preso o coração,
Enchemos de sombra a mesma rua
A nossa casa é onde a neve aquece
A nossa festa, onde o luar acaba
Cada verso em nós próprios apodrece
Cada jardim nos fecha a sua entrada
Eugénio de Andrade