Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito
É rede a tua lingua
Em sua teia
É vicio as palavras
Com que falas
A trégua
A entrega
O disfarce
E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes
Desperta-de de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo
E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vai descobrindo vales.
de Maria Teresa Horta
(e assim começa um ciclo dedicado à poesia erótica que terá lugar nas proximas noites... está lançada a primeira pedra... apedrejem-me o email com mais à vontade...)

Bem bonito.Hugs do Bug
Afixado por: Bichinho-de-Conta em dezembro 18, 2003 01:19 PMNADA como um pouco de eerotismo pra levantar a moral*risos* aqui vai a minha contribuição:
adeus
Como se houvesse uma tempestade/Escurecendo os teus cabelos,
Ou, se preferes, minha boca nos teus olhos./Carregada de flor e dos teus dedos;
Como se houvesse uma criança cega/Aos tropeções dentro de ti,
Eu falei em neve-e tu calavas/A voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,/Eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse./Ao país onde teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens/E sobre as nuvens mar perfeito,
Ou, se preferes, a tua boca clara./Singrando largamente no meu peito.
Por ti, em ti./Tremi por ti
E risos que mais ninguém riu./Morri sempre em ti
Pois foi em ti mesmo que encontrei/A facilidade de ceder uma única vez
Que impede definitivamente o nunca ceder./
Jose Cavalcanti jr.
Estendida na areia,
Só,
Confortavelmente só.
O meu corpo descontraía-se
No desejo
De se afogar na Natureza.
A meu lado direito,
O mar,
No seu torno e retorno de maré viva,
Desafiava-me com pedacinhos de mar frio.
Lá do alto,
O sol,
Miraculosamente silencioso,
Estendeu-me as suas feições de ouro quente.
Deu-me um segredo.
E eu fiquei prostrada, na areia,
Miraculosamente a sorrir...
Miraculosamente enfeitiçada!...
Muito obrigado por aderirem tão prontamenente à iniciativa...
café pra todos?
Afixado por: D Quixote em dezembro 19, 2003 12:19 AMQuixotinho...pa mim com canderel pelase\_/)»»»»
nada como......chegar ao coração encurtando caminho pelo erotismo*sorrisos*
Café??? Claro e a seguir um Whisky puro com gelo, depois ... depois um cigarro.
Calminha que o meu cafezinho não é nenhum sitio desses... fiquemos pelo cafezinho (com adoçante para a mesa 5)... e sai um whiskey com gelo para a mesa 6...
Afixado por: Nuno em dezembro 19, 2003 03:50 PMFernando Assis Pacheco
A tua nudez inquieta-me.
Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.
A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.
Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho um pensamento despido;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.
Sete dias ao longo da semana
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
iluminando, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.
Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.
Fernando Assis Pacheco, UM CAMPO BATIDO PELA BRISA
Aqui vai um poema, espero que gostes, acho que se enquadra na brisa sensual que percorre agora o blog.
E parabéns pelo blog.
Maria
http://putadevida.weblog.com.pt/
PS. O email deu erro por isso fica aqui como comentário