dezembro 29, 2003

Hoje só te trago flores

Hoje só te trago flores, abdiquei do meu salário.
Hoje só um beijo triste, um amor operário.
Outra voz me encanta!
O espelho é magro, uma seara de corpos com movimentos de tempo.
Hoje só te trago a poeira das estradas,
como relevo das mãos suadas, uma outra solidão!
Subo a tua saia e firme de desejo descubro-te o sexo,
nele entrando com a raiva de um cão!
O azul é fantástico, o sol explodiu para lá dos montes.
Reparamos agora que a luz do meio dia nos trouxe o perfume das madeiras,
o brilho dos metais,
damos conta de um silêncio visitado, o pingar das torneiras,
o zunir dos insectos, o trabalhar do velho frigorífico,
a música que não existe, e ainda a música que não existe!

Encosto a cabeça ao teu peito, ouço o bater do coração,
Queria que batesse para sempre esta certeza meu amor.


de Miguel Patrício

(obrigado Miguel pelos poemas que continuas a mandar, começam-me a faltar as palavras para tanto te agradecer)

Publicado por D_Quixote em dezembro 29, 2003 01:56 AM
Comentários

sou eu quem mais te agradece,independentemente do gosto de quem lê aquilo que escrevo, vive a minha necessidade de o fazer, não é entusiasmo sequer, passe o exagero, será antes um filho que dá ao pai de comer,durante e depois o acabado de escrever.
o mesmo se passará contigo em relação ao poetry,
o cuidado e o amor que não duvido, tens para com ele.
Não estamos sós nestes sentimentos, mas é importante que vamos tendo luzes de companhia, sinais de que a vida é muito mais, do que aquilo
que de uma forma ou de outra nos vão tentando fazer crer que ela é.

Afixado por: Miguel patricio em dezembro 29, 2003 02:40 AM

seria desonesto dizer que não me sinto envaidecido por poder ler textos meus no poetry, tenho tão pouca comida para a alma, que tomei o poetry como um restaurante meu, onde como todos os dias uma refeição.obrigado por existires, pela mesa onde descanso os meus braços, pela cadeira onde me sento.Para as almas que se reconhecem no poetry, que a sua luz nunca se apague.
obrigado nuno.

Afixado por: Miguel patricio em dezembro 29, 2003 02:55 AM

obrigado eu... bem... é um bocado cedo para jantar... por isso saia-se um pequeno almoço...

e um abraço...

Afixado por: D_Quixote em dezembro 29, 2003 09:08 AM

Gostei muito de ler este poema do Miguel.

Afixado por: Gotinha em dezembro 29, 2003 11:36 AM

Miguel, não só escreves bem, como "sentes bem"... continua assim...

Afixado por: Teresa Sousa em dezembro 29, 2003 12:18 PM

as tuas palavras Miguel valem ouro... mas olha que é por "clientes" como tu que o Poetry continua aberto... e de resto meninos? Carioca de limão quentinho? A musica está do agrado?

Afixado por: D_Quixote em dezembro 29, 2003 02:10 PM

Parabéns pela tua sensibilidade e pela oportunidade que me dás de ler "coisas" tão lindas, sabes fico com a alma limpa.

Beijinho e um Bom Ano Novo

Afixado por: Marta em dezembro 29, 2003 05:27 PM

Parabéns pela tua sensibilidade e pela oportunidade que me dás de ler "coisas" tão lindas, sabes fico com a alma limpa.

Beijinho e um Bom Ano Novo

Afixado por: Marta em dezembro 29, 2003 05:27 PM

(...)tenho tão pouca comida para a alma,(...)
Não será só o Miguel que procura alimento para a alma neste canto. Eu também.
(...)vive a minha necessidade de o fazer,(...)
Vivemos nós a necessidade de a sentir, à poesia.
Gosto muito do teu poema Miguel.
Um Ano Novo cheio de poesia

Afixado por: Maria em dezembro 30, 2003 10:34 PM

Pronto,não sei o que escrever,obrigado não sei se devo,mas gosto tanto de ser gostado deste modo.
não me sinto muito confortável nestas respostas ao carinho daquilo que escrevo, mas gosto, só eu sei o quanto gosto de ser gostado.
um beijo terno.

Afixado por: Miguel patricio em dezembro 30, 2003 11:27 PM