janeiro 22, 2004

Mata-te, enquanto ainda medes um metro e oitenta e quatro

Mata-te, enquanto ainda medes um metro e oitenta e quatro.
Olhos castanhos, caracóis de cabelo e o lábio superior quase inexistente
mãos magras de nunca as ter dado a ninguém.
Mata-te enquanto o aeroporto ainda se situa na Portela
se for lá serás noticia
Como diz o Sampaio ninguém morre sozinho.
Sobe nu ao edifício maior da capital
arranjarão um médico de saúde mental.
Tudo o que ele te disser
aumentará o teu desejo suicida
amplifica a conversa, instala microfones
cria temporariamente um feedback com a vida.
Pede uma garrafa de vinho Rodrigo
um fotógrafo e um padre que já tenha feito amor
um colar de ameijoas, um pão de trigo
e o mesmo avião inibido de motor.


de Miguel Patrício

(que dizer disto?... simplesmente perfeito...)

Publicado por D_Quixote em janeiro 22, 2004 11:49 PM
Comentários

não tenho tido tempo para sentar e saborear o café. foi uma visita rápida. o café do dia. quando este turbilhão passar, volto com mais tempo para saborear as palavras...

Afixado por: pedro em janeiro 23, 2004 04:58 AM

Estranho poema... muito.... terei que o reler daqui a pouco...

Afixado por: Gotinha em janeiro 23, 2004 10:53 AM

Mata-te enquanto podes para q esses poemas comecem a valer ouro eheheheeheh então gostas de chico buarque eheheeh hoje quer dizer amanha vai ter outro passa lá

Afixado por: Anjel em janeiro 23, 2004 10:58 PM

Ha dias de sorte e hoje encontrei este cantinho de poesia, adoro poesia, arte e café preciso dela para viver o quotidiano do racionalismo.
Gosto de autores anónimos, porque desnudam as almas dos que na sua simplicidade, sem a necessidade de agradar a editores e leitoes, são os versos que nos tornam um pouco melhores.
Vou passar a tomar o café neste cantinho acolhedor da blogosfera.
Cumps

Afixado por: Gato em janeiro 24, 2004 12:02 AM

Ai Amigo, é das prendas melhores que posso receber,um poema para cantar! Quero sim senhor! Em relação ao Ary, sou tb ferrenha.Em Junho passado cantei na SIC, programa Às 2 por 3,o poema Os Gatos. Tive algumas críticas positivas.Apesar de só ter gravado esse poema do Ary, tenho no meu reportório muitos versos do Ary,incluindo uma versão italiana de Meu Amor(Meu limão de amargura)do album de Amália "Com que Voz". Essa versão foi traduzida/adaptada por um grande nome da musica italiana, autor que escreveu para Amália, Mina, Ornella Vanoni etc-Trata-se de Pallavicini, que se encantou pelo Ary,a partir do reportório de Amália Rodrigues.Espero pelo poema...o prometido é devido!

Afixado por: Valeria Mendez em janeiro 24, 2004 12:29 PM