Nesta noite escura
Galgo sozinho a negra estrada de alcatrão
Onde o meu carro afunda no borrão de luz ténue
Na vertigem da velocidade desenfreada
Na loucura
Venho de ti sem saber p’ra onde vou
Perdido algures na noite
Num caminho deserto e incerto
Com os dedos trémulos nos lábios
E o teu perfume na boca.
Com tanto por dizer
E tanto já dito
Tanto já feito...
E a estrada continua negra por entre as flores de betão
Os prédios apagados no breu da hora tardia
Como arvores mortas algures de pé
Roubei-te um beijo
E tu roubaste-me a alma...
Terá sido assim tão bom negócio?
Terá mesmo valido a pena?
Trocar toda a minha vida por um breve segundo
Condenar-me a isto
A esta semi existência sem ti
A estrada continua negra
E eu nunca mais voltei a casa nessa noite...
Nunca mais...
de João Natal
02/10/03
Publicado por D_Quixote em janeiro 27, 2004 01:30 AMMagnífico! Se eu te entendo...!
Afixado por: Roxy em janeiro 27, 2004 02:33 AMConcordo com a Roxy, na apreciação que faz do teu poema.
Eis-nos face à questão: "estou perante o outro lado de mim?"
Já agora, dá um salto ao "Void" e lê o post "A metade perdida de nós próprios" e lá, diz-nos "de tua justiça". É um excerto de "A insustentável leveza do ser" de Milan Kundera.
Só para terminar: este teu poema remeteu-me para um cenário de David Lynch: o cenário da estrada perdida.
Enfim...
:)***
Afixado por: Sandra em janeiro 27, 2004 06:58 AMo David Lynch usou essa visão em dois filmes... mas realmente, às vezes a minha vida tem contornos "Lynch-ianos"...
apenas relato aqui a confusão da mente após um passo hesitante que se toma... a incerteza, o medo do desconhecido...
Afixado por: D_Quixote em janeiro 27, 2004 11:55 AM plenitude atingida por breves momentos...a partir dos quais surge o antes e o depois.O Preço por tal previlégio é elevado, valerá a pena?
pena tenho dos não previligiados.