De aqui, de onde te observo camuflado em desejos irónicos, pareces-me bela demais.
Espreito sem licença, de uma janela longínqua que não sei se existe.
Voyeur conformado nunca te conhecerei. Temo a luz, assustam-me os olhares estranhos. Vivo na sombra, passo o dia à espera da noite, quando te revelas silhueta curva em contra-luz inventada.
Imperfeito, seria película exposta ao sol se algum dia me visses. Assim, escolho a penumbra como habitat e restas-me como única ligação ao mundo que conservo na minha imaginação.
Isolado, desenho-te em traços impressionistas com tintas invisíveis azuis da cor que me lembro do céu.
Vives na minha mente mas és, eu já não sou, fui, mas quero voltar a ser contigo, imortal e perfeito.
Para mim, já somos, mesmo que sejas bela demais...
(enviado pelo próprio... obrigado Gustavo e benvindo ao Poetry, as portas estarão sempre abertas à tua poesia)

belíssimo e sombrio o retrato desta relação, em que o objecto de desejo acaba por ser a possibilidade de existir de quem deseja, "restas-me como única ligação ao mundo que conservo na minha imaginação."
e falando no reverso da medalha:
logo no início desta minha febre dos blogues, li algo interessante no www.eternuridade.blogspot.com, "Nós, que temos blogues, somos exibicionistas tímidos". Um abraço,
nuno.
Obrigado eu por achares que era digna de ser publicada no teu blog.
Prometo ir contribuindo...
Tenho medo de te amar demais, de sofrer demais: posso e quero amar-te mas tremo, e juro que não te amarei para não me magoar...
WB
Na pré-adolescência, namorei um ano inteirinho um rapaz através da janela. A dele ficava a 100 metros e mal nos conseguiamos ver. Namorámos mais outro ano mas normalmente.
Ainda me lembro com saudade desses tempos...
às vezes o amor é mesmo isso, saber observar, saber ouvir, saber ler a outra pessoa. Quando conseguimos isso, aí sim sentimos que crescemos... há um bocadinho de voyeur em cada um de nós...
Está frio lá fora... cafézinho quente?
Afixado por: D_Quixote em março 5, 2004 09:23 AM