As folhas secas dançam no chão
num estranho bailado
tocado pelo vento
numa manhã de solidão.
Arvores acenam como almas penadas
num gesto forçado
vergado, sem alento
murmurando coisas passadas.
Nos meus olhos reside o teu riso
caindo como chuva
gota a gota na calçada
esvaindo-se de mim todo o juizo.
O vento passa em turbilhão
na janela turva
velha e quebrada
escancarada, rasgada no coração.
Tudo em mim é Inverno,
mar encrespado em ira.
Tudo em mim arde perdido,
condenado ao inferno.
Tudo em mim foi esquecido
porque tudo é mentira...
mentira...
de João Natal
15/12/2001

midnight ~ red moon rises by Lars Raun
o poema está muito bom... mas a imagem... genial...
Afixado por: pedro em março 9, 2004 02:06 AMLinda a foto, mas as palavras juntinhas dessa maneira, dizem-me mundos...
Afixado por: Marta em março 9, 2004 09:34 AMJá me senti assim, como nas palavras de João Natal.
Um abraço.
Brutalmente sublime...
Afixado por: Ricardo em março 9, 2004 01:31 PMOlá amigos... apenas tentei associar a frieza e tristeza da foto à do poema, como sempre... cafezinho quente para toda a gente? Isto hoje tá mais morno...
Afixado por: D Quixote em março 9, 2004 11:12 PM