A luz da cidade baila no rio, como pedras preciosas num manto negro de veludo. O tempo está de chuva mas quente, intenso e molhado como um sonho arrojado. O teu perfume deambula pelo ar como incenso queimado, algures entre o exotismo da fragrância francesa da tua colónia misturada com o suor salgado da tua pele, a combinação... é um explosivo aroma agridoce, algo indiscritível...
Não sei como te consegui atrair até aqui hoje, mas ainda bem que cá estás. Como uma aranha mortífera estendi a rede, esperei pacientemente e aqui estás. Mas qual de nós dois será verdadeiramente a presa? Não estranhas nem um pouco quando me inclino sobre ti e te beijo suavemente. Apesar do intenso desejo de te possuir desenfreadamente, a contenção vem sobre a forma camuflada de um beijo suave... tu gelas momentaneamente e eu recuo. Tu agarras-me pela roupa e puxas-me a ti. Estranha esta dança! Retribuis o beijo, plena de paixão. Recuo eu, incrédulo. E ainda mais me puxas, quase me rasgando a roupa. O beijo cresce, como uma onda na praia enrolando a areia, na espuma e sal duma manhã de Verão. Os meus dedos deslizam pela tua face ruborizada decorando no tacto todas as linhas, todos os traços, todos as curvas. As tuas mãos viajam pelo meu cabelo e pela minha roupa, num vai vem constante de movimentos intensos. Puxas, empurras, despenteias e mordes-me o pescoço, páras...
“ – João... é tarde... leva-me a casa!” Disseste fria enquanto te penteavas e compunhas a roupa amarfanhada. Percebi imediatamente a tua postura e nem tentei convencer-te de contrário. A noite profunda já caíra e era tempo de voltar a casa.
Fico com os beijos quentes que aqueceram ainda mais a noite. Fico com o teu gosto rebelde na boca. Fico com o sabor nos lábios daquela gota de suor salgado que tinhas no pescoço. Fico com o teu perfume nas mãos e o teu sorriso na cabeça… fico doido de vontade de fazer amor contigo… confesso…
Tu sais sem olhar para trás nem vacilar, dás-me um beijo formal na face e despedes-te com um “ -Adeus João…”
Fico contigo na cabeça… tu ficas com a minha alma. Troquei-a por pouco… por uma noite quente… mau negócio… não achas?
de João Natal

Passion by Baki Kocaballi
Se dele veio a poesia deste texto, nunca pode ter sido um "mau" negócio. E se as mulheres fossem lineares nos sentimentos perdiam parte do seu encanto. Será que um restinho da alma dela não ficou também por aí?
Afixado por: Ella em março 23, 2004 02:31 AMNão foi um mau negócio:)
Afixado por: Ana em março 23, 2004 08:21 AMMomentos que marcam a vida, na pele, na cabeça, na alma.
Afixado por: Marta em março 23, 2004 09:42 AMExcelente! ;-)
Afixado por: Teresa em março 23, 2004 01:47 PMTambém penso que não foi um "mau negócio", a retribuição de um beijo é sempre sentida, mesmo que se quebre no momento seguinte. Por momentos a alma e o corpo estiveram em sintonia...
Afixado por: Maria em março 23, 2004 02:11 PMReparo que só mulheres comentam. Duvido, porém, que só elas tenham sido tocadas por estas palavras. Homens com alma de poetas? Por onde andam?! E tu João Natal, que já assim te sabemos?!
Afixado por: Ella em março 23, 2004 03:15 PMO João é timido, eu é que vou falando por ele. Foi por um desafio de uma amiga (a Xocolaty), que resolvi apimentar um bocadinho as crónicas do nada.
Mas é um mau negócio para o João... nem por amor a alma deve ser vendida ou trocada. E feitas as contas é um negócio fraudulento onde ele está enganado desde o inicio...
Afixado por: Nuno em março 23, 2004 03:49 PMPois é, os conselhos da Xoco são assim...
Que belos desenhos fazes com as palavras. Gosto muito.:)
Só hoje tive a oportunidade de visitar este blog... Gostei tanto que tomei a liberdade de o adicionar aos meus preferidos! Pode ser;)
Afixado por: Vanessa em março 23, 2004 05:30 PMOs negócios são o dinheiro dos outros
Autor: Dumas, Alexandre
Claro que podes Vanessa... farei tambem questão de linkar o teu... :)
Afixado por: D Quixote em março 23, 2004 11:33 PMeste foto tem uma intensidade...
Afixado por: ccc em março 25, 2004 07:43 PM