abril 24, 2004

Vozes nocturnas

Vozes nocturnas
esmaecidas pelo caudal de um rio
flutuam sobre as águas fartas,
de um oceano futuro.

Peixes ímpios que se escondem
atrás de pérfidos rochedos,
agastados pela erosão dos anos
sobre a carne viva,
de secretos adeus.

Vozes penetrantes
oriundas de cavernas distantes,
moradas de monstros antigos
que se esbatem em solos perdidos
por amores jamais encontrados
porém, jamais esquecidos;

O som fremente de um beijo a cair na almofada;
O cálido sussurro de um gesto pungente
O desvelo de uma carícia abafada
pelo som de uma porta entre-aberta
O abraço entre dois corpos que se desejam
e se consomem com a presença da ausência distante.

Vozes que existem
No imaginário mundo de dois seres
surdos de amor
Sedentos de querer ouvir
palavras tão lindas como a lua.


de Ana Marta

(mais um talento mais do que confirmado por estes lados)

Waterlow Pond by Paula Goddard

Publicado por D_Quixote em abril 24, 2004 11:13 AM
Comentários

Olá...
Vim pousar no teu canto, trazida por não sei que ventos. E como gostei das letras que encontrei aqui! Se quiser e puder, vem conhecer Meu Porto. Será, para mim, uma alegria...

Afixado por: Míriam em abril 25, 2004 03:03 AM

Ana parabéns belo poema

Afixado por: Ana em abril 25, 2004 11:21 AM

Gostei ana.

Afixado por: ccc em abril 26, 2004 07:06 PM

A Ana Marta escreve com uma sensibilidade marcante. Eu pessoalmente gosto imenso da poesia dela!

Afixado por: D_Quixote em abril 27, 2004 02:05 PM