Durante a travessia do deserto, vi imensas miragens. Quando julguei ver oasis, na verdade via apenas areia. A cada dia que passava, ficava com mais sede, fui perdendo a força. O desalento de não encontrar água, deixou-me enfraquecido, deixando-me correr quando devia repousar. Não sei porquê, mas nunca usei o cantil que trazia pendurado ao pescoço, mesmo sabendo que tinha água. Acho que tive medo de desperdiçar aquela água, que era tão preciosa. Continuo sem perceber porque o fiz. Perdi o entusiasmo de continuar a viagem, como muitas vezes já o tinha perdido desde o seu inicio. Mesmo assim, vou continuando a caminhar com uma esperança descrescente, até chegar ao meu destino, que nunca será escolhido por mim.
Foi tudo mais uma miragem...
(com a qualidade que se lhe reconhece)

Kuwait, 1991 by Steve McCurry
Publicado por D_Quixote em abril 26, 2004 01:04 AMFiquei surpreso e curioso com a presença de uma poesia do Patativa do Assaré (mais abaixo). Apesar de não ser muito conhecido, é considerado um fenômeno, devido a sua origem extremamente humilde.
De seu discreto leitor,
MG.