A verdadeira evidencia do ser
Está nos pormenores da existência.
Somos pedaços ocos
De matéria orgânica fragmentada.
Seres estranhos a nós próprios
Com pensamentos devassos
Escalavrados pelo tempo
E esquecidos na memória das palavras
Que ecoam ao ouvido
Durante segundos de existência.
O medo já não assusta
Quem perdeu tudo e mais alguém
Fica a tristeza da saudade
E a mágoa da lembrança
Do que foi e já não é
Do que havia e já não há!
Ao longe vai crescendo a angústia inefável
Da mutabilidade irreparável
Desta montanha-russa a que chamamos vida.
de Ana Marta
(um regresso em grande desta poetisa fantástica, já estava com saudades dos teus poemas Ana)

.feel.THE.distance. by jo pez
Publicado por D_Quixote em maio 24, 2004 01:26 AMSimplesmente maravilhoso,adorei a foto!
Afixado por: D Torres em maio 24, 2004 01:38 AMExcelente poema da autora. Cunho acentuadamente Existencialista. Sem dúvida.
Faço a relação deste poema com o (excerto de) texto que editei hoje no Void da autoria de Albert Camus- "O Homem: sempre desconhecido".
Parabéns também pela edição. A pertinência do conteúdo é uma realidade.
:)
Afixado por: Sandra em maio 24, 2004 09:40 AMFiquei sem fôlego! não sei porquê...fez-me lembrar Fernando Pessoa! Abraço, WB
Afixado por: whiteball em maio 24, 2004 12:39 PMabsolutamente lindo. o conjunto. *
Afixado por: marília em maio 26, 2004 01:34 PMtambém já tinha saudades da Ana.
Afixado por: ccc em maio 26, 2004 04:43 PM