Hoje pensei em ti, ao passar casualmente nos lugares comuns onde coexistíamos felizes. Tu à tua maneira e eu à minha. No jardim de betão que a tanto assistiu entre nós. Nos nossos sítios… sim, foram nossos.
Por breves segundos semicerrei os olhos e recordei-te. Serena e bela como nunca, num sonho perdido o meu sonho perdido. Mentalmente os meus dedos percorriam nos sulcos pequenos da tua face, aqueles que separam as maçãs perfumadas do teu rosto dos teus dentes alvos e brilhantes, aqueles que os sorrisos marcaram terna e lentamente em muitos anos vadios de juventude. Anos passados a sorrir, lembra-me.
Abri de novo os olhos para não chocar no trânsito borratado. Volto a mim, de novo lúcido nem que seja por um pouco. Mas continuo agora com o pensamento em ti reflectindo hipoteticamente todos os ses em nós, no passado, no presente, no não futuro.
Amar é perder Dalila, agora sei. Amar é amar tanto que não interessa com quem. Dizer “és livre como o vento para partir sem rumo, volta apenas quando te cansares do mundo e dos amantes, quando a vida não tiver mais segredos, quando te sentires velha e só, quando o teu coração pensar em mim e apertar, eu estarei por aqui… não serei uma amarra”.
Tiro uma passa mais prolongada, esmago o cigarro no desterro do cinzeiro, cheio de beatas e cinza, cinza desfeita como eu. Abro as janelas engreno a quinta e fujo à fila, encostado à faixa mais da direita fuzilando quem se atravessa com os máximos. Quem dera que os engarrafamentos da alma se pudessem furar assim. Quem me dera poder escolher a próxima saída e escolher melhor o percurso sem confusão. E tudo parece tão simples não é?
Mas o João que conheceste não era eu, esse não sabia. Amava demais até no degredo. Não pensava nos custos nem nas consequências, magoou-te tantas vezes que perdeu a conta… hoje cresceu e ainda te ama.
Amar é perder Dalila, agora sei.
de João Natal
18/06/04

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(hoje resolvi voltar a dar alguma continuidade ao meu conto, sendo que a ideia principal é unificar as histórias, partindo os diferentes temas por capítulos. Assim, crónicas do nada e diário da tua ausência farão parte da mesma obra, em tempos e circunstancias diferentes. Aglomero as histórias à medida que me ocorrem fundindo-as a seu tempo numa continuidade lógica. Mais capítulos surgirão com tempo... espero... O meu agradecimento bem grande a todos os que me costumam ler).
Publicado por D_Quixote em junho 18, 2004 01:00 AMEstes teus textos sempre foram e são um trabalho global que acompanho com atenção. Tudo o que fizeres para a qualidade (que já existe) sobressair, será muitíssimo bom.
Este texto é mais um exemplo que reforça o que disse. Aguardo o que por ai vem e como o vem. Quanto a uma apresentação para outros efeitos, seria realmente interessante que viesse a acontecer. Como que, em jeito de "consagração".
Fico deliciada ao ler estes teus textos; escreves tão bem, e dás às palavras tanta vida... Um beijinho doce...
Afixado por: Teresa em junho 18, 2004 04:54 PMsabes a fascinação que tenho pelo João Natal, adoro a sua escrita. Muito boa noticia esta. bom fds.
Afixado por: ccc em junho 18, 2004 06:49 PMJoão Natal, um poeta que "conheci" no site do poetrycafe e desde então não deixo de ler um texto sequer. Textos geniais que servem, às vezes, de fonte de inspiração quando quero escrever.
Afixado por: Marcus Vinicius em junho 18, 2004 11:56 PMsim.. cada dia melhor!!
Excelente leitura... boas reflexões!
Mais uma vez, obrigado pelas vossas palavras e obrigado por me lerem, sem vocês, não faria sentido.
Afixado por: D Quixote em junho 22, 2004 01:14 AMMais um belo capitulo desta historia, que acompanho desde o inicio. Gosto muito destes teus textos, são simples, verdadeiros e sinto que esta historia podia ser minha, ou de outra pessoa qq , pois sinto-a verdadeira, cheia de pessoas reais.
um grd abraço e continuação de grds textos.
Olá, João, penso q seja este na verdade o teu nome. Escrevi te um mail há uns tempos atrás. Tava com ideia de ter o meu próprio blog, e avancei com essa ideia. Gostava q desses uma saltada e olhasses os textos q escrevi. Se és o João Natal, escreves muito bem.... Sempre em perfeito espanto contigo e com a vida.... um abraço
meu blog é Http:\\amar_poesia.blogspot.com
Afixado por: Filipe em junho 27, 2004 09:09 PM