Segurei a tua mão como se o fizesse pela ultima vez. Estava quente mas dormente, como uma folha velha caída no Outono. Olhava para ti com carinho e dizia-te... "estou aqui pequenina... o teu Nuno..." mas o teu olhar de sofrimento atravessava-me. Eu era agora apenas um borrão de luz com uma voz familiar. Tu tambem te tornaste isso mas de uma forma muda. Chorei por dentro relembrando a tua força, a tua energia ilimitada, eras uma mulher pequenina, mas com uma força e coragem que parecia que podias pegar num touro de frente, como um forcado destemido, jovem e imortal.
Olho de novo para ti, retomando a realidade cruel. Estás prostrada nessa cama, quase inanimada, a unica coisa que te suporta é o amor que te temos. Já nem me pareces reconhecer quando me olhas... maldito cancro.
Roi-te por dentro como a dor de te perder me roi a mim. E a morfina já nem parece fazer efeito... maldita doença...
A vida tornou-se apenas uma contagem decrescente nestes ultimos dois anos, onde fazemos apenas por passar felizes o tempo que temos contigo. Continuo a fazer isso. É bom ao menos poder despedir-me de ti.
"quando eu ficar melhor..." dizias-me ainda no meu aniversário... incrivel o teu espirito de luta. Nunca te dás por vencida, pois não?... Admiro isso!
Voltei a apertar-te a mão com carinho e força, dei-te um beijo e disse... "até já pequenina..." porque mesmo que te vás embora, e eu sei que te vais embora. Um dia irei ter contigo, e o tempo que nos separar, será apenas saudade que mataremos, abraçados a sorrir.
"amo-te muito pequenina... dorme bem..."

Alone by Bulent Ahiskal
(para ti pequenina, para que muitos te lembrem e nunca te esqueçam...)
Pensei... Pensei muito antes de decidir se haveria ou não de comentar, ainda agora escrevo sem saber se saber se realmente o deva fazer...porém, um momento só teu. Agora e cada vez mais, noto que não devemos passar imunes à dor que não a nossa, que devemos partilhar o que nos vai na alma. Independemente da dor, a homenagem devida...
Será sem dúvida lembrada!
Um momento teu, mas partilhado por muitos... Força
Abraço
CONVIDO-O A VISITAR ESTE MEU BLOG.
Envio meu abraço bem forte.
ALUENA
"Amar é abrir o coração sem reservas, encontrar-se desarmado de sentimentos de oposição, sempre favorável ao bem e ao progresso mesmo quando discordando das colocações que são apresentadas".
(Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco)
IN: JESUS E O EVANGELHO - A luz da psicologia profunda. p. 88).
Eu estou aqui para ti, sempre! A nossa "pequenina" ficará bem entregue...
Afixado por: Teresa em junho 26, 2004 10:39 PM"porra" Nuno, puseste.me a chorar!
Afixado por: Golfinho em junho 26, 2004 10:58 PMtenho a certeza que alguém assim tão forte e tão cheia de esperança não será nunca esquecida.. e nem os que são sensíveis para perceber essa força, essa luz.. sei do que falo. sei o que sentes!
abraço
...
Afixado por: Pecola em junho 27, 2004 01:17 PMVerdadeiro amor......
Afixado por: Filipe em junho 27, 2004 08:55 PMConfesso-me comovido.
Afixado por: vítor em junho 28, 2004 12:08 AMNão há comentário. Fiquei comovido.
Afixado por: japinho em junho 28, 2004 10:28 PMOh meu amigo, só agora é que vim...Eu sei pelo que está a passar...Eu choro consigo. Que Deus vos abençoe.
Afixado por: valeria Mendez em junho 29, 2004 01:58 AMEstou tão comovida que não sei o que pensar, quanto mais escrever. Nuno, és uma pessoa tão linda! Não merecias, doçura...Mas, onde quer que ela esteja, pelo amor que também te tinha, certamente, que não te quer ver infeliz.Lá de onde avista, vê a tua vida continuare o teu sofrimento deve magoá-la. Por outras palavras, Nuno, a vida continua. Um abraço muito forte e apertado nesta hora tão difícil.
Afixado por: sibylla em junho 29, 2004 09:46 AMFaço minhas as palavras do "Golfinho"...e quando assim se fica, as palavras vao-se...
Um forte abraço...
Obrigado a todos. A vossa solidariedade toca-me no coração... obrigado!
Afixado por: D_Quixote em junho 30, 2004 10:18 AMApesar do que possam afirmar, após a morte o diálogo passa a monólogo.
Muitas vezes, julgavas avistá-la na rua. Às vezes era ela. Agora continuas julgando avistá-la, mas sabes que nunca será ela.
Mesmo sem a conhecer, os olhos ficam húmidos.
Estranho! Um homem pode chorar frente a um blog!