julho 02, 2004

uma poetisa que parte...

Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

de Sophia de Mello Breyner Andresen

(hoje a poesia portuguesa ficou mais pobre, aqui fica o meu tributo a essa grande senhora)

Publicado por D_Quixote em julho 2, 2004 11:54 PM
Comentários

Uma grande perda, sem dúvida...

Afixado por: Teresa em julho 3, 2004 12:33 AM

rest in peace... a poesia portuguesa vai ficar mais pobre, sem dúvida...

Afixado por: pedro em julho 3, 2004 01:03 AM

A poesia é imortal. As palavras de Sophia ficam, vivas.E é bom recordá-las.

Afixado por: Ana em julho 3, 2004 03:23 AM

Ao ler ontem a notícia da morte de Sophia fiquei chocada. Não! Fiquei chocadíssima. O meu interior transformou-se num imenso lamento, num contexto de bem estar que estava a viver. Foi como que uma assombração que caiu sobre mim.
Sophia era/é a "minha poetisa". Sophia é imortal pela obra que deixa. Mas é também imortal pela mulher que foi (lutadora pela Liberdade, pela Democracia E, consequentemente, pelos direitos da Mulher). Um marco para a Cultura. Uma referência nacional. Mas também, uma referência internacional. Alguém a quem o país deve prestar todas as formas possíveis de acarinhamento/homenagem, neste momento de luto. Porque o é. É bom que se tenha consciência disso. Que aqueles que disponibilizam o seu dom ao seu país sejam imensamente reconhecidos e reforçadamente referenciados. Esta é a hora. É mais uma hora.Que as bandeiras, não se esmoreçam, antes se erguem perante esta Senhora. Sim, porque Sophia, foi-o. Sophia é-o. Para todo o sempre.
À poetisa: "Obrigada pelo que me deu. Obrigada pelo que deu a Portugal e ao Mundo. Obrigada por tudo o que produziu. Obrigada pelo que possibilitou sentir e sonhar. Obrigada por ter existido da forma que o foi, até este dia."

Afixado por: Sandra em julho 3, 2004 09:32 AM

{ ... não esquecer-te é ler-te © biquinha ... }

Afixado por: o5elemento em julho 4, 2004 12:25 AM

oema de despedida a Sophia de Mello Breyner Andresen


UNIVERSAL SEMENTE

Eu fui a clara luz que alvorecia
dentro de cada gesto do olhar
onde poisava alegre cotovia
pla alegria de ser o meu cantar.

Eu fui o que não sou quando soaram
nos olhos as palavras que doíam
como passos de verso que treparam
os himalaias donde me caíam.

Eu fui como a manhã de luz nascida
sem névoa para além da que é o sol
estendia pelo verso minha vida
olhando a poesia em mim farol

Eu fui eu fui eu fui, que estranha coisa
eu a falar de mim de morta vida
enquanto o meu sonhar voando poisa
na mesma poesia apetecida

Eu fui eu vou eu sou eu vejo eu trago
um verso e um poema no caminho
da estrada ainda em mim de Santiago
a experimentar o mundo que adivinho

Marília Gonçalves

Afixado por: Marília Gonçalves em julho 4, 2004 06:01 AM

A Sophia era de facto uma mulher espantosa. Fica a poesia que a fará eterna no coração dos portugueses...

Só não percebo é que, com mulheres como esta a escrever assim, ainda há pessoas que dizem que não gostam de poesia.

Afixado por: D Quixote em julho 4, 2004 11:26 AM

Em Sophia a poesia do concreto, sempre o mar, a natureza, o desabafo do indizível.
Prostemo-nos em silêncio nesta hora de partida, mas leiamos amiúde as suas palavras [e também aos nossos filhos] para que a defesa da naturesa e a salvaguarda do futuro, também passe pelo amor à poesia.
Todos os grandes poetas são imortais!

Afixado por: Nancy Brown em julho 5, 2004 11:41 AM

POrtugal continua de luto, morrem os artistas os semeadores de beleza
Guitarra que te tocava
cigarra fantoche grilo
enrolado sobre as formas
de teu irreal tranquilo
génio além de quanto som
de quanta alada visão
era o único! o teu tom
que elevava o coração
agora a tua guitarra
vai procurar tuas mãos
que nunca mais a agarram
ficamos orfãos! irmãos!

Marília


Lembro-me de ti Carlos Paredes, numa noite de música no Teatro Lethes de Faro, em 1977. Era verão, e estavam presentes mais dois vultos da Cultura Portuguesa, o José Gomes Ferreira, esse vulto de anc~~ao inesquecivel, de cabeleira branca, como se a lua o tivesse coroado, com seu ar humano e bom, e o Adriano, o nosso inesquecível e terno Adriano! de vocês três já nenhum volta a animar nenhum sarau, nenhuma noite de Cultura, de música, de poesia. Queria dizer-te tudo o que me vai por dentro neste momento em que nos deixaste! e o que me vai por dentro não se traduz em palavras, soam lágrimas que caem no silêncio duma solidão infinita!
Ai meu amigo, que quando morre um Artista, como tu, como eles, a nossa pobreza cresce tanto, que mesmo o grito que nos sobrevoa o rasgão aberto para sempre, não tem força para dizer o que é
Sinto-me vazia! vazia e esmagada por dentro! Porque morreste e porque não tiveste a vida que os que te amavam, os que se desalteravam com tua música, teriam querido para ti! mas sabes? claro que sabes! Nós meu querido amigo, somos, uns, fazedores de versos, outros, inventores de música e de mãos que a desferem, mas em nossas mãos onde brota Arte, não cresce nunca a vileza do ouro e do dinheiro. Por isso nossa vontade solidária, embora grande, nesse campo é tão fraca! é que nunca podemos dar a um amigo nada mais que o nosso coração!que o nosso apreço! e embora isso seja importante,e indispensável, não sustenta um homem, uma mulher, uma família!
entregaste tuas mãos onde poisava a magia da música, a tarefas que te traziam o direito indispensável de sobreviver! e assim foste vivendo, mas sempre com esse manacial de sons que desaguavam na tua guitarra, a dar a cor aos teus dias e aos nossos!
poetas, músicos pintores, escultores, artistas, a colorir e a perfumar a vida; numa época gelando, a trazer no criativo invento, o calor que falta à humana necessidade de acreditar.
Por todos os que estão, que permanecem contra ventos e marés, que sobrevivem numa Arte que traz nela os alicerces da vida, não vamos mais calar nossa crença: a Arte tem um papel fundamental, na transformação das mentalidades, na transformação da sociedade, porque tem que semear pelo mudo, a certeza de que o ser humano, traz nele a solução de todos os seus problemas. Morreu Carlos Paredes, e aqueles que o ignoraram, que lhe negaram o direito de ser aquilo que realmente era, um músico com o direito de viver de sua música, vão até começar, seu cortejo de fúnebres lamentações! não nos deixemos enganar!
Carlos Paredes, se tivesse podido viver de sua música talvez ainda hoje estivesse vivo.
Pelo direito a viver, pelo direito ser o músico que foi, (sempre estes verbos no passado a que me não faço!!) desgastou-se muito mais que o necessário!
e agora? Agora nosso pranto, nossa dor, não o trazem à vida. Vamos continuar a escutar-lhe a Guitarra, a saborear-lhe os sons como se nada fosse conosco? qual o futuro Paredes, qual o futuro abandonado?
Para que tudo mude não nos calemos nunca mai!. pela sua grata e generosa memória e por quantos Paredes nos venham a nascer e a morrer em Portugal! Para que tudo mude, não silenciemos nunca, denunciando toda e qualquer forma de hipocrisia!
Honra à sua grata memória
Viva a Arte
Viva Portugal !


Portugal mais uma vez de luto!!!!
Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves

Viva a Arte, Portugal mais uma vez de luto!

Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha em si!
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves







Afixado por: Marília Gonçalves em julho 24, 2004 05:09 AM

POrtugal continua de luto, morrem os artistas os semeadores de beleza
Guitarra que te tocava
cigarra fantoche grilo
enrolado sobre as formas
de teu irreal tranquilo
génio além de quanto som
de quanta alada visão
era o único! o teu tom
que elevava o coração
agora a tua guitarra
vai procurar tuas mãos
que nunca mais a agarram
ficamos orfãos! irmãos!

Marília


Lembro-me de ti Carlos Paredes, numa noite de música no Teatro Lethes de Faro, em 1977. Era verão, e estavam presentes mais dois vultos da Cultura Portuguesa, o José Gomes Ferreira, esse vulto de anc~~ao inesquecivel, de cabeleira branca, como se a lua o tivesse coroado, com seu ar humano e bom, e o Adriano, o nosso inesquecível e terno Adriano! de vocês três já nenhum volta a animar nenhum sarau, nenhuma noite de Cultura, de música, de poesia. Queria dizer-te tudo o que me vai por dentro neste momento em que nos deixaste! e o que me vai por dentro não se traduz em palavras, soam lágrimas que caem no silêncio duma solidão infinita!
Ai meu amigo, que quando morre um Artista, como tu, como eles, a nossa pobreza cresce tanto, que mesmo o grito que nos sobrevoa o rasgão aberto para sempre, não tem força para dizer o que é
Sinto-me vazia! vazia e esmagada por dentro! Porque morreste e porque não tiveste a vida que os que te amavam, os que se desalteravam com tua música, teriam querido para ti! mas sabes? claro que sabes! Nós meu querido amigo, somos, uns, fazedores de versos, outros, inventores de música e de mãos que a desferem, mas em nossas mãos onde brota Arte, não cresce nunca a vileza do ouro e do dinheiro. Por isso nossa vontade solidária, embora grande, nesse campo é tão fraca! é que nunca podemos dar a um amigo nada mais que o nosso coração!que o nosso apreço! e embora isso seja importante,e indispensável, não sustenta um homem, uma mulher, uma família!
entregaste tuas mãos onde poisava a magia da música, a tarefas que te traziam o direito indispensável de sobreviver! e assim foste vivendo, mas sempre com esse manacial de sons que desaguavam na tua guitarra, a dar a cor aos teus dias e aos nossos!
poetas, músicos pintores, escultores, artistas, a colorir e a perfumar a vida; numa época gelando, a trazer no criativo invento, o calor que falta à humana necessidade de acreditar.
Por todos os que estão, que permanecem contra ventos e marés, que sobrevivem numa Arte que traz nela os alicerces da vida, não vamos mais calar nossa crença: a Arte tem um papel fundamental, na transformação das mentalidades, na transformação da sociedade, porque tem que semear pelo mudo, a certeza de que o ser humano, traz nele a solução de todos os seus problemas. Morreu Carlos Paredes, e aqueles que o ignoraram, que lhe negaram o direito de ser aquilo que realmente era, um músico com o direito de viver de sua música, vão até começar, seu cortejo de fúnebres lamentações! não nos deixemos enganar!
Carlos Paredes, se tivesse podido viver de sua música talvez ainda hoje estivesse vivo.
Pelo direito a viver, pelo direito ser o músico que foi, (sempre estes verbos no passado a que me não faço!!) desgastou-se muito mais que o necessário!
e agora? Agora nosso pranto, nossa dor, não o trazem à vida. Vamos continuar a escutar-lhe a Guitarra, a saborear-lhe os sons como se nada fosse conosco? qual o futuro Paredes, qual o futuro abandonado?
Para que tudo mude não nos calemos nunca mai!. pela sua grata e generosa memória e por quantos Paredes nos venham a nascer e a morrer em Portugal! Para que tudo mude, não silenciemos nunca, denunciando toda e qualquer forma de hipocrisia!
Honra à sua grata memória
Viva a Arte
Viva Portugal !


Portugal mais uma vez de luto!!!!
Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves

Viva a Arte, Portugal mais uma vez de luto!

Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha em si!
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves







Afixado por: Marília Gonçalves em julho 24, 2004 05:09 AM