acolho-me ao lençol do teu cabelo
no amor pedido do teu rosto ilúcido
e entrego-me à irisada luz que zela
os lábios na sombria flor cedida.
a sépala descobre o centro dela
uma a uma dá o corpo à descoberta
na liturgia dos sentidos dados
à reza na capela como oferta.
cavalgo na palavra que me dás
alado nos pequenos montes eros
percorro os sons cativos dos teus ais
aromas luzes são momentos raros.
passeando pela flor acesa o fogo
centelha a cada pétala que apago.
de José Félix

fotografia retirada de SWPlace
(viva o teu erotismo subtil, mas intenso, José... cada vez mais gosto da tua poesia...)
Publicado por D_Quixote em agosto 6, 2004 12:49 AMComecei a aperceber-me que sempre que a noite chega, a solidão vem falar-me de ti. A saudade penetra no meu coração como um pouco de luar dentro da minha noite imensa e vai deixando aos poucos o seu toque magnífico de beleza e suavidade. Vai deitando prata nos recantos mais sombrios. Vai enfeitando de luz as flores mais singelas. Assim é a saudade. Consegue transformar em beleza a tristeza infinita do presente... porque traz para mim o encanto das horas do passado.
A saudade traz o gosto perdido de beijos de amor... Traz o calor dos teus braços inesquecíveis... Traz o eco de tuas palavras...
Fecho os olhos e começo a recordar... Começo a pensar em ti que foste todo meu... e agora é minha saudade. A saudade...Ela é a própria amargura... É o meu único alento, todo o meu sol, todo o meu luar... toda a minha vida, meu amor... Mas bendita seja a saudade, graças a ela eu quase sinto a tua presença...
beijinho
Sem desprimor para os restantes, é este, para mim, o melhor poema da semana do Nuno.
Afixado por: Barbant em agosto 7, 2004 10:18 AMDas duas uma, ou vocês nunca leram poesia que prestasse e estão cegos, ou sou eu que nunca li nada de jeito e não consigo distinguir a boa da má poesia, e o cego sou eu. No entanto, como o Nuno é dado a grandes e despropositados encómios e pelos versos que vejo neste café, estou em crer que o invisual - linda palavra muito na moda - não seja eu. Continuo a ver a mesma charada de palavras, agora de domingo à noite. Alguém me "expilica" o que quer dizer o que vai entre aspas?
no amor pedido "do teu rosto ilúcido"
e entrego-me "à irisada luz que zela
os lábios"
"na liturgia dos sentidos dados
à reza na capela como oferta."
e por aí fora, sépalas, liturgias, sombrias flores, uma série de banalidades jogadas à sorte, que eu nem vocês entendemos, mas que vocês, por não entenderem e muito temerem figuras ridículas, dizem que entendem, e quanto menos entendem, mais afirmam uma qualidade que não existe, acabando por cair no ridículo indesejado.
Não vem mal daí ao mundo e cada um faz o que pode e a mais não é obrigado, nomeadamente o autor daquilo que estava para ser um soneto, para o que lhe faltou um pouco de estro, como diria o Manuel Barbosa du.
Já entre ser medíocre e ter algum talento vai a distância que vocês, O Nuno e o Barbant em especial, nunca souberam medir. Com inteligência e sensibilidade - desde que as haja - seria remédio suficiente começar a ler boa poesia, falo da grande poesia, a de todos os tempos e a grande do séc. XX.
Sigam o meu conselho. Falar do que não sabem é um acto de imodéstia como é, com palavras atiradas à sorte, o autor chapar na cara do leitor sempre o mesmo que lhe tenho lido, aqui e no blog dele.
Caro Petrarca.
Se tem as pernas curtas para subir escadas altas sugiro-lhe que utilize o elevador. Se lhe é muito dificil compreender a poesia escrita neste blog, talvez deva começar por leituras mais acessiveis e ir progredindo gradualmente. Aconselhava-o a começar com a revista da "Maria" e a "Telenovelas", passado algum tempo já estará ao nivel de um bom livro infantil e quiçá... em poucos anos, consiga ler poesia e gostar... (já nem falo em perceber).
Se o seu problema é a falta de vocabulário, certamente que um bom dicionário não lhe fará mal... e olhe que ler não faz dores de barriga nem o conhecimento lhe vai ocupar espaço.
O autor que tão efusivamente critica, já tem alguns bons livros editados, o que só me leva a concluir uma coisa. Ele é invisual, a Editora que o publicou é invisual, as livrarias que o colocam à venda são invisuais e as pessoas que compram os livros dele para ler a poesia que ele escreve são invisuais. É o Portugal dos ceguinhos onde o senhor Petrarca é um iluminado em toda a sua sapiência. Estranho é ver que o sr. Petrarca nada escreve, nada cria e apenas de forma mesquinha vem criticar o trabalho dos outros.
Cresça e apareça. Se não gosta deste blog de poesia, porque me visita tão insistentemente? Porque não cria o seu próprio blog de poesia e me convida a seguir para visitar... faz-me falta umas boas risadas de vez em quando, não lhe levarei a mal de todo.
Agora deixe-me é de incomodar os clientes e os poetas e se o café não lhe agrada a porta da frente é a serventia da casa. Boa viagem.
Deixo-o com um pequeno pensamento. Não há dor mais chata que a dor de cotovelo e há pessoas tão pequeninas que não chegam a tirar o cotovelo do chão. Passe bem...
Afixado por: Nuno em agosto 9, 2004 09:21 AM
Nuno,
Inteligentíssimo o teu comentário, acerca dos maus dizeres inflamados pelo tal Petrarca XXI, em data de 09 de agosto do corrente. Que mente brilhante a tua! Parabéns pelo teu inegável talento!
Um abraço,
Kathlyn
Afixado por: Kathlyn em outubro 24, 2004 06:26 AM