agosto 07, 2004

D. Quixote e Dulcineia

Regressava D. Quixote da sua luta inglória
contra o cavaleiro da Branca Lua
encontrando a noite tristonha e circunspecta
seguindo-a no entanto majestoso
e logo ali aceitando
os atilados conselhos de Sancho Pança:
- Descansai meu senhor! a fama longe soa.
E mais depressa a má que a boa. -

D. Quixote o seu corpo esguio ali estendeu
e em vastas esferas logo reconheceu
a silhueta feminina graciosa
da sua senhora Dulcineia de Toboso
a sua eleita
o indicador prazenteiro lhe estendia
guiando o seu olhar travesso
a uma láctea face torneada e fantasista
de olhar traquina e circunspecto
corpo nu e carnes rijas na ágil madrugada.

E naquele alvo prado encafuado
despojando-se dos trajes de cavaleiro
escudo e elmo, espada e lança
não sem protestos desaguisados
por sua carne seca e estirada
expor sem despudor à sua amada.
Olvidando a supérflua peripécia
o descaramento depressa o alcançou
e correndo como fedelho pelos viçosos prados
o jogo de amor com Dulcineia praticou.
Rápido e inquieto a alcançou
e as longas tranças acariciaram
o seu corpo quente e desembainhado.


de Nancy Brown
Jul2004

NUDES # 5 - PHOTO-GRAPHIQUE # 0 by Jean Vallette

(fantástica esta provocação da nossa já conhecida miss Brown...)


Ah minha Dulcineia de Toboso!
quisera eu ser rapaz mais formoso
e nas tuas mãos honrar a mercê!
Dulcineia sorrindo
violenta, sôfrega e admoestada
na gesta húmida e inconformada
tomando-o no chão coberto de erva
entusiasticamente o seu corpo profanou.

Enumerar aos vindouros o sucedido
é obra de romancista virtuoso e bem sucedido
nas letras e palavras do porvir.
Dulcineia acariciou, mordiscou
e do sémen de D. Quixote provou,
suas mãos e sua língua
do seu odor perfumou,
e pela aurora espargiu sem despudor
os seus aromas intensos na natureza enfurecida.

Ora por quem sois minha senhora!
Podeis todo o meu corpo deslindar
a minha pele e o meu pénis
pesquisar e revelar,
os meus pontos fracos exibir.
As vossas faculdades serão estudadas
na feminina natureza dos vindouros.
Sabeis o quanto um homem é no presente desafortunado?
se a sua senhora no seu corpo não lhe adivinha o desejo
e dando-se como se um frete se tratasse?
e no leito estendendo um corpo morto
avesso à lascívia e eucaristia?

Aqui estou senhora ao vosso dispor
ansioso em vosso escravo me metamorfosear
em vossos lindos olhos e mãos travessas
vossas pernas e mamas rijas e avessas ao conceber
e ao deleite só dedicando aprazimento!
Vossos braços são algemas abençoadas!
Tomai este corpo! É vosso recluso!
Tão tardio o degustar
do vosso mel e da vossa energia
desculpai-me senhora a ousadia:
onde guardaste tanta sabedoria?

Assim cogitava D. Quixote
e não ousava a sua Dulcineia estorvar
quando dos céus um astro ritmado irrompeu
elevando os corpos e
amando-se ao vento no céu
foram agraciados por estrelas
e pela fina flor da cavalaria
conduzidos por trompetas, condes e duquesas
entrando no céu em completa romaria
de Deus e dos seus pares apenas receberam
um inclinar de cabeça e assentimento
pois no céu como na terra se pratica
o amor do outro e o que na carne se explica.

Observando estupefacto tudo isto
o expectante e embasbacado Sancho Pança
sussurrava para Rocinante:
- Este mundo é uma bola; quem anda nela é que se amola -
Ora ali vai um digno cavaleiro
encantado por uma donzela
dessas que nos lugarejos se afamam
e que no espírito dos homens
se transfiguram e proclamam
em perfeição muito aquém dos seus talentos
- vale mais um homem honrado enganar que um cornudo abençoar!-
Até sempre digníssimo D. Quixote
descansai em paz no vosso merecidíssimo altar
e guardai aí no vosso reino
uma ilha pró vosso escudeiro governar.
Não vos esqueceis contudo:
- Qu'eu não tenho pressa em aí chegar! -

Publicado por D_Quixote em agosto 7, 2004 12:08 PM
Comentários