agosto 09, 2004

Quedei-me no teu apelo

Quedei-me no teu apelo,
nu teu corpo,
e o meu rosto
sorveu-te num brusco esgar
que transpôs
o horizonte.

Sofri-me em mil espasmos
em suave desespero
lançando ao terno afago
de interstícios
os meus dedos.

Num marulhar gemido
as dermes que, ondulando,
exalam do seu enleio
um salgado aroma acre.

São vagas impacientes
num ritmado crescendo
acercando-se da torre
que se ergue na imponência
da rubra vascularidade
e um céu que se desaba
promovendo ao arregaço
a aproximação em delíquio
ao teu ádito regaço
e na fusão de azuis
céu e mar que se caldeiam
findou-se mais preenchido
o odre que se despeja.


de Bruno Amaral

fotografia retirada de SWPlace

(um poema forte e cheio de sensações deste poeta já bem nosso conhecido no palco do café)

Publicado por D_Quixote em agosto 9, 2004 12:17 AM
Comentários

Belo poema, bela música; combinação perfeita... :-)

Afixado por: Teresa em agosto 9, 2004 04:49 PM

gostei :)

Afixado por: ccc em agosto 10, 2004 11:31 AM

O Bruno tem já uma boa colecção de poemas aqui. O seu talento já está há muito confirmado. Este poema esta impregnado de sensações, de cheiros, de tactos... eu gosto muito!

Afixado por: D_Quixote em agosto 11, 2004 09:17 AM

Voltei agora de férias, vim logo cá tomar um cafezinho, delicioso, como sempre. Aproveito para agradecer, qual café, os comentários. Foi um sucesso, pelo que vejo, o ciclo de poesia erótica. Que venham outros. Um abraço a todos.

Afixado por: Bruno Amaral em agosto 18, 2004 07:21 PM