Um som desfaz-se o outro se insinua
sai do compasso foge não se cansa
sobe a cristal a vaga não amansa
despe o silêncio até que fique nua
Não pára. Ruge. A minha mão na tua.
O surdo clamor, convite à dança
dos infernos. Espeta a fera lança
e diz-te que arte é carne crua.
Sopram os anjos. Canhões o ar se rende
enquanto a garra solta mais se prende
em teu cantar de lírios e de pasmo
Explode o grito nas raízes. Dei.
Agora vou-me embora. Voltarei
para matar o silêncio noutro orgasmo.
de Rui Costa

Boudoir nº 46 by Didier Hubert
(uma foto intensa para um poema intenso... já tinha saudades dos teus poemas Rui...)
Gosto muito deste soneto, é intenso e envolvente.
Felicito o autor.
"para matar o silêncio noutro orgasmo" Que bela frase !
Afixado por: Finurias em agosto 11, 2004 01:15 PMParabéns pelo poema. É verdade: a rudeza, no amor, é apenas mais uma manifestação de beleza. Felicidades aos autores do blogue. Já agora aproveito para convidar-vos a visitar: gavetadospapeis.blogspot.com; Um "jovem" blogue de poesia. Obrigado!
P
Rui.
Não te vás embora depois de dares.
Mesmo que voltes.
:)
Afixado por: AMarta em agosto 11, 2004 11:59 PMEste soneto está de facto incrivel Rui... não me canso de o reler!
Afixado por: D Quixote em agosto 12, 2004 12:16 AM