que esperas
da boca fechada, dos olhos vazios, das mãos derreadas
da palavra gasta, da palavra morta, da palavra inútil
do instante prévio, do momento agora, do sei lá depois
de mim?
serei desprezível? invisível?
serei o silêncio?
serei o vento que temes do assobio remoto?
de onde surge? por onde passa?
que te fará?
já não me acreditas? já não me suportas?
eu nada acredito, nada suporto,
qual a novidade?
dirás defraudada a expectativa...
eu sempre te disse nunca te dizendo,
eu sempre te disse que nada perdura,
sempre te disse, calado nunca.
que é que isso interessa?
é obrigatório que se diga digo
que é inevitável.
querias certezas? isto!
fazes-me sentido? às vezes,
que me distraio da incoerência
e traço necessário o absurdo.
faça-se o silêncio
sobre tudo isso.
nada disso interessa.
dorme.
de Bruno Amaral
(Bruno de volta em grande como é habitual...)

Asleep on bench by Paddy Quinn
Gosto muitos dos teus poemas Bruno, continua...
Afixado por: Teresa em agosto 27, 2004 03:44 PMJá não passo sem um cafézito da noite aqui neste espaço. Bonito poema, bonita fotografia.
Afixado por: ognid em agosto 28, 2004 12:46 AMmto belos como sempre os poemas deste excelente blog!
Afixado por: Sandra-Becksfan em agosto 28, 2004 11:30 AMobrigado pela vossa constante presença. um abraço caloroso
Afixado por: Bruno Amaral em agosto 30, 2004 09:31 PMeste poema vai asfixiando sem que se dê conta, inquisitivo, ditador, cruel mas belo. adoro a tua escrita bruno amaral. continua a governar os sentidos e a razão. respeito o silêncio mas incapaz de dormir.
Afixado por: Nina em janeiro 19, 2005 09:16 PM