eu esperava que alguém entrasse na minha vida
alguém esse alguém cujo nome fosse impronunciável
alguém que conhecesse
a razão que me leva a remendar a alcatrão a minha vida
porque me sento aqui
na hora do sonho do fim do dia
o olhar um vão de escada no fim daqueles dias
assim,ninguém sabe
e sento-me aqui,à mesma hora
uns diriam a hora do desespero outros afirmam que só as palavras dolorosas
as palavras que sobrevivem das palavras feito pesadelo
como em criança,assim
se assim o recordam
ele recorda-se de muito pouca coisa
lembra-lhe a cor daquele mar
que agora repousa indigo no relógio
lembra-se duma doença neurodegenerativa
lembra-se de pedir alta a um deus
que não recorda o ar senão ar envenenado
desavindo com alcatrão nos mares
e cansado por entrar na vida das pessoas
Com um ajuste no sobretudo
fuma algo com capa dominicana miolo açoreano e hondurenho
reparte o bote com uma divindade
não usa no rosto blush and kiss miel 04 da lâncome
nem tem os olhos feitos de star powder cobre da make-up forever
mas fundem-se numa só natureza
e tem um nome que por vezes é impronunciável
de Renaldo Ventura
(uma estreia absoluta no café... vale a pena ter assim o palco cheio de talento... vale...)

Red by Yuri Bonder
Publicado por D_Quixote em setembro 8, 2004 11:09 PMA dor que está a passar entre as frases do teu poema, doi-me...
Afixado por: melancia em setembro 13, 2004 11:25 AMExcelente Renaldo, o trocadilho de palavras é divinal !
Afixado por: Finurias em setembro 13, 2004 03:01 PMse não te conhecesse, reconhecer-te-ia aqui. *
Afixado por: marilia em setembro 18, 2004 02:13 PM