Sinto aranhas... a rastejarem pelas minhas veias
Sinto o seu veneno... a ir em direcçao ao meu coração
São milhares delas... que percorrem o meu corpo
Vão-se alimentando do meu sangue... tal como a minha alma se alimenta da solidão
Sinto-a a despedaçar-se... a cada minuto que passa...
A cada minuto a morrer em silencio... aqui sozinho...
Não consigo respirar... até o ar me traz dor...
Tornou-se tão denso... sinto-me perdido...
Os meus olhos já não são castanhos... são brancos sem vida...
A minha pele tornou-se seca... sinto os meus ossos a quebrar
A minha alma já não se alimenta de solidão... mas sim o contrário
Está-me a consumir... Está-me a matar...
Estou em queda livre... não tenho ninguém para me amparar
Sentimento estranho este... de sentir-me à deriva
Mas ao mesmo tempo sentir... que encontrei o caminho certo
Que não pertenço aqui neste Mundo... muito menos nesta vida...
Já ouço o mar... Já vejo o céu
Caminho pela floresta... que dá para o Paraíso...
Vejo anjos a darem-me as boas vindas... com as suas arpas dão-me paz...
Finalmente sinto-me em casa... já não me sinto perdido...
de Sérgio Fortunato
(escuro mas simplesmente lindo...)

untitled by Rene Asmussen
Publicado por D_Quixote em outubro 2, 2004 07:05 PMÉ sempre muito bom visitar-Vos.
A produção cultural está em alta neste blog. Parabens!
(convidi-vos a participarem numa homenagem a Amália,no meu blog. Obrigada.)
Magnífico!
Afixado por: Marcus Vinicius em outubro 3, 2004 03:49 AM