O poeta tem olhos de água para reflectirem as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas,
mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em são olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas
onde se falam todas as línguas da Terra
e o gesto desolado dos homens
que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula,
e os gelos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados
maravilhando como contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores
esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas prò mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo
se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol
na noite de angústia que pesa no mundo
de Manuel da Fonseca

Pé-de-chinelo de Alberto Alves
Foi com este poema que os amigos Rui e António nos presentearam, a mim e à Teresa, no seu programa de rádio.
Hoje, depois da azáfama, do nervoso miudinho, da natural excitação de quem nunca tinha estado numa rádio, fica aqui, em jeito de balanço, aquilo que aconteceu e o renovado agradecimento a quem tornou possível esse momento inesquecível.
Tanta coisa mais havia a dizer, sobretudo, realçar ainda mais aquilo que o poetry e o MP3za têm de melhor, vocês. E os amigos que se vão fazendo ao longo do caminho e que esperamos para sempre manter.
A todos um grande obrigado.
Foi uma experiência inesquecível, a qual já deixa saudade...
Afixado por: Teresa em outubro 12, 2004 12:18 AM;-)
Afixado por: Nautilus em outubro 12, 2004 01:09 AMPodem sempre contar connosco.
Afixado por: despertador em outubro 12, 2004 02:41 AMFoi sem dúvida um poema muito bem escolhido e muito bem lido/recitado.
Eheheh... essa coisa do nervoso miudinho é compreensível, dado ter sido a 1ª vez. Depois, com a continuação, acaba por passar. Eheheh...
:)**
Afixado por: Sandra em outubro 12, 2004 07:01 AMBelo poema que algumas vezes disse. Excelente foto.
:)
Afixado por: Mocho em outubro 12, 2004 10:35 AMEm nome do Dose Dupla, quero agradecer-vos uma vez mais a presença no nosso programa que contribuiu sobremaneira para o enriquecimento de todos quantos amam as letras e a musica. Estendo também o agradecimento aos fiéis clientes que diariamente dão razão de ser a este "café" com a sua presença e participação. E, naturalmente, saúdo com especial carinho os que sintonizaram a emissão.
Se mais há para dizer sobre o Poetry Cafe, não fiques triste, pois virão novas oportunidades de divulgação. A capacidade e a dedicação deve e tem de ser premiada!
Pela nossa parte fica a promessa de um reencontro e a certeza de que as sinergias não serão desperdiçadas.
(Agora, vou continuar na mesinha lá do fundo a saborear o meu "cimbalino". Poucos são os sítios onde em vez de chocolates recebo POESIA como acompanhamento!)
Afixado por: Rui Vieira em outubro 12, 2004 08:48 PMRui... nós é que agradecemos... essa mesinha onde estás considera-a já tua... terá sempre um papel pequeno a dizer RESERVADO e um café quente com um poema à tua espera.
A quem nos acompanhou na audiência do programa de rádio... o nosso obrigado pela vossa constante e fiel presença...
Afixado por: D Quixote em outubro 14, 2004 01:12 AMRoubei-te a foto...
beijinhus,