A eternidade é o momento que o criador dos céus e da terra transformou no jogo da sua solidão pessoal. Como pode ser possível o criador guardar a solidão das suas criaturas nos cinco dedos da sua mão humana?!
O realista conhecido nesta rua como o mais convicto dos materialistas não acredita na eternidade. Ás mesas serve-se o pão duro e o vinho azedo; assim é a guerra; uma terra vermelha e um céu azul de fazer cair os olhos no filme trémulo da paisagem. O realista não acredita que haja um espirito a mexer as águas, nem crê num criador capaz de fazer fenómenos. No fim desta rua há um polícia gordo que guarda as portas do céu. Por guardar a rua, não pode estar ás portas do céu. Entre as portas do céu e as portas da morte fica uma lavandaria, própria para a lavagem das palavras sujas. O realista o que defende a teoria da não existência de Deus pergunta a todas as criaturas presentes na assembleia se alguém viu olhos nos olhos o ultimo silêncio das criaturas? Ninguém ou quase ninguém, soube responder; houve um rapaz surdo-mudo que na linguagem gestual contou que quem criou o mundo o fez fugindo á palavra, tinha que optar entre o poder da criação e o desgaste da linguagem. Como nesta rua existem crentes em Deus, ouvimos que ele fez os montes e os vales, os vales pareciam sinais de pontuação costumava dizer o senhor João professor de português crente em Deus. A Rosalinda conhecida por gorda e apelidada também por “serviços secretos” diz que a gramática é assunto do diabo. Ela diz existir a gramática das tentações.
São seis da tarde hora de ponta, o rapaz negro pinta de vários tons a gruta dos comboios, ele tem o estilo inconfundível das crianças e não é por fazer deste modo que tem de aguentar o desprezo de um qualquer natureza morta, esses que passam arrogantes, sem cheiro de imaginação! Merecem eles o gozo de seus cães e de seus gatos e das pulgas que pulam no colchão dos enfermos. Enquanto as pulgas saltam, o avião cai a pique no meio do urinol, não sei se isto vem descrito no livro de fiados ou no manifesto surrealista publicado na cidade de Paris em 1924.
Ando a passear no jardim público, por lá há uma estátua que guarda todas as dores, todos os velhos mendigos urinam seus litros de vinho e cerveja e num repuxo acertam na boca aberta do ilustre. A estátua que guarda todas as dores, lembra-me a minha velha máquina fotográfica capaz de esconder a idade dos homens e revelar as rugas na pele dos dinossauros. O realista, homem da ciência e do cálculo pensa que o calor do ouro pode mudar a natureza e deturpar a verdade exacta das coisas. Não é garantido que o ministério da poesia e dos malabarismos tenha sido inaugurado. O carteiro entregou os convites na residência oficial do Dr. Jorge enjaulado nos seus deveres de presidente da selva pátria. O presidente espreitou da janela e condecorou o pára-quedista com a grande lágrima do crocodilo cobarde. O realista diz que o crocodilo cobarde não existe, opinião diferente tem o algibeira descosida o alfaiate desta rua e guardador de rebanhos quando criança. Discutiram eles sobre o crocodilo cobarde e foram dar á criação do universo e no meio veio á recordação aquele garoto tão cheio de sol que desejara com muita força ter uma nuvem para levar na mão no caminho da escola. Na sua inocente distracção foi apanhado pelas rodas de um carro de bois e morreu. Enquanto eles discutiam e no meio metiam os carros de bois com as nuvens e a morte de um rapaz cheio de sol o mundo fazia as suas armadilhas.
Esta expressão escutei-a de um jovem Marroquino a quem as musas lhe haviam dado o poder de negociar com o profeta a venda de alcatifas para a decoração do paraíso. Penso eu que as alcatifas levantam pó e com o bater das asas dos pássaros muitos problemas respiratórios podem acontecer. O realista a propósito do bater de asas que levantam pó lembra a vinda do rei envolto numa cápsula de nevoeiro.
de Lobo
(e a saga deste autor continua... por aqui com um café quentinho enquanto chove lá fora!)

Dreams about by Vladimir Lestrovoy
lobo, continua a por ca para fora o que te vai tao bem por dentro...e encanta-nos com o teu mundo de fantasia interior..tantas vezes escondido pelos teus olhso cinzentos.
tania
Afixado por: tania em novembro 3, 2004 08:42 PMgosto mesmo muito desta "meta realidade" que é segredo tão bem guardado por este lobo
Renaldo
lobo...olhos cinzentos que escondem mundos. Só ter entrado aqui nos comentários me deu outro ânimo...e não é que cheguei a pensar que te tinha inventado? e que nem existias??!!
Bem hajas por ofereceres de ti a quem passa no blog. Estes textos nunca poderiam caber no lugar das crónicas do tal e qual...não teriam lá espaço para os desacertos que provocas. Que as mulheres te brindem de sémen nos olhos...( que a semente da tua escrita produza filhos nas editoras)