Amá-la
ainda que com pequenas mãos
contudo, tão àvidas
diriam-se prenhes
dos derradeiros ventos solares e da tonalidade murcha dum Outono casual
em segredo confesso
sou ainda o albergue do último arco iris da nossa vida
amordaçado em ti meu amor
num clima de suspeição
vive-se num contínuo acto pio de repulsa
os primeiros anos dos que ainda restam por eclodir.
Não te mereço, não voltes mais
não me faças assim emergir deste casulo
qual ser alado
estropiado
no rastro húmido das tuas lágrimas.
de Renaldo Ventura
(um regresso em grande deste poeta que já tinha brilhado por cá)

+++ by Jörg Gründler
Mais um poema 'daqueles'... do títuo ao 'rastro húmido das lágrimas', consumi-o ávidamente, repetidamente. Obrigado. (e não é que o café é mesmo uma dependência?) :)
Afixado por: Paulo Fogg em novembro 4, 2004 01:33 AMmuito bom..adorei o poema
a foto..perfeita.
saudades d vc
;*
Perdoa-me, Renaldo (Reinaldo?) mas, apesar de não beliscar minimamente a minha anterior opinião acerta do teu poema, devo fazer-te um reparo: 'diriam-se prenhes' não existe; 'diriam-se não existe em Português. 'dir-se-iam prenhes', talvez o que quisesses dizer.
Abraço!
caro Paulo .
Fogg é certamente familiar em muitas latitudes tal como Renaldo
e as palavras são isso mesmo um modo de aproximar sons a outras "fronteiras" pelo menos para mim
1) a ênclise com os tempos futuros; em outros termos: colocar o pronome átono depois dos verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo e no futuro do subjuntivo:
L *fazerei-me / faria-nos / diriam-se / se disser-te / quando puse-las / se trouxe-las etc.
(no entanto agradeço o teu cuidado patente em duas ocasiões ;e não é de todo minha intenção o uso imaculado desta língua ou doutra)
Afixado por: Paulo em novembro 5, 2004 11:33 PMTouché! Abraço. ;)
Afixado por: Paulo Fogg em novembro 6, 2004 04:38 PMAprecio especialmente a aliança do realismo cru(el) ao cómico.
Que haja continuação..
Para LOBO
Afixado por: Lola em novembro 19, 2004 05:06 PMe haverá Lola... e haverá...
Afixado por: D Quixote em novembro 19, 2004 06:37 PMcreio que este é um estado de transicção e metamorfose a lembrar muito kafka....
A pedir, quase a gritar: destrói este casulo que construo em teu nome e deixa-me beber desse rastro de lágrimas húmidas e fazê-las cair tb de mim. Amar é doer.
olha Nina ,a análise que fazes do que está escrito por mim é por si só um poema ,sem métrica mas muita muita metragem.(Renaldo Ventura)
Afixado por: Paulo em janeiro 20, 2005 07:00 PM