Parecia ficção cientifica comentava ele. O rapaz que desenhava como as crianças, que injectava nas veias a morte, essa que parece ter um sorriso feliz, sabia que o criador tanto existe na folha de um papiro, como no interior de uma velha lagarta de guerra. Exista ele ou não ficamos agradecidos á terra por nos dar uma certa dose de luz e uma certa dose de escuridão, essa escuridão íntima desenhada em lençóis de linho. Aqueles que dormem no frio das pedras, que nos últimos dias bebem o caldo de galinha no hospital público não conseguem chorar , nem sorrir, nem sabem explicar as dores que tem. O realista andou a circular pelo mundo, viu os gordos do império e os magros que a ele se submetem. A moral e a Ética não existem, existe o corredor da morte, uma grande nação terrorista e uma grande besta a trabalhar nos jornais, nas televisões, nas rádios... esta nação é uma ideia vazia. Mas o melhor é pegar uma flor, ela não é uma ideia vazia, ela cheira o perfume dos homens. Na gruta dos comboios anda um temporal, é uma peste que já dura á vários dias, alguém se vai lembrar de que há uma intenção terrorista no criador das coisas ou na natureza. Seja o criador das coisas ou seja lá quem for parece que anda por ai uma coisa que faz desacertar os relógios do mundo. Que absurdo comparar o criador a um fabricante de relógios. Este comentário foi proferido por um pastor evangélico que anunciava a salvação como se Deus tivesse andado pelo mundo a apregoar detergentes.
- Como se chama.
- Pastor Lucas.
- De onde é?
- Estados unidos.
- Já adivinhava que havia em si algo estranho!
- Estranho?!
Um misto de comédia com náusea. O pastor faz um sorriso e sai caminhando na direcção da sua igreja. Cai a noite, oiço o tilintar das moedas, há uma percussão de misérias a bater na saia da cigana romena e no chapéu do velho que toca saxofone. O velho que padece de reumático antes de ser músico da rua era professor numa escola do interior.
- Esta praga já cá anda desde que era professor
- Anda por aí um veneno. Diz o caixeiro-viajante.
- E que coisa é essa? Pergunta o sem pernas, o cauteleiro que costuma circular naquela rua.
- Obesidade mórbida.
- Pode ser coisa do diabo. Sugere o pastor.
- Continuo na Minha, você é um gajo estranho, o diabo a causa da obesidade, o inferno deve ser pegajoso como mousse de chocolate. Ironiza o realista.
Entretanto no gabinete do presidente toca o telefone:
- Aqui a brigada xl
- Do que é que trata?
- Bombas e assalto á mão armada.
- Deve ser engano!
- Nós nunca nos enganamos, a brigada xl é mais perfeita que uma linha recta.
- Mas eu sou o presidente;
- Serve, um tiro certeiro e temos um presidente em linha recta.
- Vou desligar.
- Tome os comprimidos para o coração
- Todos os presidentes que estão nos nossos ficheiros sofrem desse mal.
Durante a madrugada dois homens de espingarda ao ombro andam de um lado para o outro. Perto da janela há um homem amarrado a uma cadeira. Aproxima-se dele um dos homens.
- Quer um cigarro?
- Não fumo.
- Não te queres contaminar! Sabes que se eu te der um tiro ficas contaminado para todo o sempre?!
- Amem diz o outro homem. A seguir dá-lhe um pontapé na boca.
- Estás a ver o gajo?!
- Dá-lhe um tiro!
- Posso? O outro carrega no gatilho.
- Deixa-me contar quantos buracos lhe fizeste no corpo?
- Achas que consegue lá poisar uma borboleta.
- Talvez.
de Lobo
(e a saga continua...)

Death by Marino Thorlacius
Publicado por D_Quixote em novembro 12, 2004 12:14 AMESPERO pelo resto. GOSTO.
JOCAS e BOM FIM DE SEMANA. Tá solinho vai passear um pouco. BJS.
O lobo escreve bem que se farta... consegue levar-nos a viajar por um mundo imaginário, muito dele... mais virá... prometo!
Afixado por: D Quixote em novembro 17, 2004 01:01 PMnão me canso de te ler...não te cansas das dádivas....uma espécie de mensageiro que vem trazendo fontes a gente sequiosa que sem elas morre. lobo, que o teu uivar desacerte todos e quaiquer relógios. eles precisam, mais do que dar horas certas, de marcar os segundos contando vida.
Afixado por: nina em janeiro 12, 2005 02:09 PM