Como garranos num prado
como crianças no recreio
sem culpa sem pecado
sem decoro nem asseio
como cometas lustrosos
numa overdose de luz
como dois cristos formosos
juntos e ao vivo na cruz
fomos amantes sem freio
na curva dos dias
derrapando sem receio
na triste curva dos dias
como um poente na praia
em queda livre de Outono
como o dançarino da noite
cheio de fumo a de sono
como o sonho adolescente
que embate no mar real
ao ver a paixão ardente
perder-se no areal
fomos amantes sem freio
na curva dos dias
derrapando sem receio
na triste curva dos dias
como o acto teatral
da peça que tudo diz
um Shakespeare total
onde ninguém fica infeliz
porque o amor se cansou
acabar é então o preço
só a tragédia é bonita
só ela traz outro começo
fomos amantes sem freio
na curva dos dias
derrapando sem receio
na triste curva dos dias
de Carlos Tê

**.** by Piotr Kowalik
Um belo poema (como tantos outros, aliás) de Carlos Tê que, salvo erro, foi colocado em música pelos Clã no fantástico álbum 'Kazoo'.
Grato a quem se lembrou de o colocar aqui. Por vezes sabe bem ir ao fundo do baú buscar estas pérolas de modo a que a traça não se apodere delas, numa época em que se vive cada vez mais do descartável.
Tens toda a razão Paulo. Para mim, Carlos Tê é um dos maiores poetas na nossa lingua e parece sempre estar em simbiose perfeita com as pessoas para quem escreve letras para músicas. Neste caso com a Manuela dos Clã em mais um tema inesquécivel... eu é que te agradeço a visita e o comentário...
um abraço
Afixado por: D Quixote em novembro 16, 2004 12:00 AMpois...e o talento não se gasta no Tê e vai por aí fora...concordo em absoluto com os comentários...posso assinar por baixo?
Afixado por: nina em janeiro 12, 2005 01:59 PM