novembro 17, 2004

Balada do mar

Tira uma última passa nesse cigarro
velho marujo, lobo-do-mar.
A faina aguarda no mar revolto
onde solto procuras pescar
sempre envolto na fé de voltar.

Abotoa o casaco até cima
que a brisa matinal gela.
Sopro do mar, aquela mulher bela
que no abraço ciumento,
do seu quebrar violento,
te diz serena que tu és dela.

Em terra fica o pranto,
nos trajes negros de quem espera
na saudade voraz que aperta.
A vida dura de vida incerta
de quem no mar tem a sua quimera.

Tira uma última passa nesse cigarro
sem precipitação ou pressa.
Porque essa pode ser a tua última passa.
Que o mar sozinho decide quem regressa
e nem mesmo a Deus ele confessa
aqueles que leva quando o mar os abraça.


de João Natal


,, by choi chulan

Publicado por D_Quixote em novembro 17, 2004 12:24 AM
Comentários

sem dúvida um poema maravilhoso que nos deixa um nó na garganta...Adorei esta pintura feita de palavras.

Afixado por: Nautilus em novembro 17, 2004 12:48 AM

Já estava com saudades de ver a tua poesia aqui exposta. É, como sempre, admirável... A foto perfeita. Beijinho...

Afixado por: Teresa em novembro 17, 2004 01:07 AM

saudades daqui... belo post,bela foto...
um beijo!

Afixado por: Karen em novembro 17, 2004 07:32 AM

gostei muito, quando li o poema pensei que podia imaginar uma musica, infelizmente não tenho esse dom. gosto deste poema porque em si mesmo, tem musica e ritmo. sei que a rima não é importante mas neste poema o joão consegue trabalhá-la bem um abraço

Afixado por: lobo em novembro 17, 2004 10:15 AM

A sensação é de grandiosidade... Quase que ouço o mar, a ir e a vir, quase que ouço o chorar de quem fica...
Adorei, ficou-me no pensamento.

Afixado por: Senhora das Estrelas em novembro 17, 2004 10:25 AM

Gosto muito deste espaço! Costumo vir, ler e sair demansinho para não incomodar ninguem. Acho as imagens lindas e a diversidade dos posts são sempre uma surpresa agradavel. Um bom fim de semanam

Afixado por: myryan em novembro 19, 2004 08:51 PM

Obrigado a todos por apreciarem a minha poesia...

Afixado por: D Quixote em novembro 21, 2004 12:15 PM

se me permites, d. quixote, e parafraseando nautilus, esta pintura feita de palavras sente-se nos gemidos das vestes negras, no livre arbítrio do mar, na fumaça do rasputine pescador. E o mar é sempre digno de ser idolatrado, quer abraçe de mansinho ou faça presas. Um poema faz-nos sempre sair de nós e viajar. Contigo a viagem faz-se sempre.

Afixado por: nina em janeiro 12, 2005 01:48 PM

se me permites, d. quixote, e parafraseando nautilus, esta pintura feita de palavras sente-se nos gemidos das vestes negras, no livre arbítrio do mar, na fumaça do rasputine pescador. E o mar é sempre digno de ser idolatrado, quer abraçe de mansinho ou faça presas. Um poema faz-nos sempre sair de nós e viajar. Contigo a viagem faz-se sempre.

Afixado por: nina em janeiro 12, 2005 01:48 PM

se me permites, d. quixote, e parafraseando nautilus, esta pintura feita de palavras sente-se nos gemidos das vestes negras, no livre arbítrio do mar, na fumaça do rasputine pescador. E o mar é sempre digno de ser idolatrado, quer abraçe de mansinho ou faça presas. Um poema faz-nos sempre sair de nós e viajar. Contigo a viagem faz-se sempre.

Afixado por: nina em janeiro 12, 2005 01:49 PM