dezembro 03, 2004

anda alguém a desacertar o relógio do mundo ou foi encontrada uma mulher morta com sêmen nos olhos - V

Estás dividido em dois meridianos um deles é um deixar ir, uma sensação de não se saber, de não se pensar o sentido de isto tudo acontecer. A tua amante estava nua, um navio chegou para resgatar a sombra do corpo dela ao calor da praia. tu tens os olhos abertos, o policia gordo está completamente cego, pensamos que não irá cometer mais crimes, também não é por isso que vão acabar, nem as declarações de amor, nem o cheiro a suor que vai ficando nas salas de espera. Olhando mais de perto vem uma voz. Não são precisos olhos para matar, pode ainda usar as mãos. Que Deus criador use a sua misericórdia, que lhe dê a duplicar a cegueira aos olhos e ao pensamento. Mas isso não são os planos dele, a cegueira dos olhos e do pensamento coisa que nunca resolveu o problema das guerras e das doenças. É preciso uma justiça, um chão de pedras outro de folhas para amortecer. Seja o criador, sejam os desígnios da natureza que não se deixe em perdição o que pode ter a luz de volta.


de Lobo

Silence by Karim (Kim) Khamzin

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A dona Alzira a mulher da fruta perguntava numa carta se sémen fazia bem aos olhos? A cenoura, sabia ela que fazia bem, agora que sémen fizesse bem aos olhos! Que fizesse bem à vida, que fosse o liquido fertilizante que faz nascer os reis e os plebeus, os amos e os escravos, os homens perfeitos e os pretéritos imperfeitos instalados nas suas cadeiras giratórias, nas suas bengalas, nas suas apagadas memórias. Ejaculam eles nos lábios de suas amantes e a mulher da fruta pergunta se costuma nevar no céu-da-boca? A directora da revista a propósito dos homens que ejaculam flocos de neve sobre o céu-da-boca responde num suspiro idiota que é possível que o concílio Vaticano segundo faça referencia ao assunto. A dona Alzira e os outros moradores da rua, principalmente aqueles que acreditam numa vida para alem desta, gostariam de saber que rumo seguiu a mulher encontrada morta com sémen nos olhos? Sabemos que ainda tinha aquele líquido nos olhos quando fez a troca de corpos. Desconhecia ela o aspecto que tinha no momento em que deixou o corpo físico, para onde ia não eram permitidos espelhos, registos fotográficos, nem qualquer outro tipo de gravação. A mulher não sabia que requisitos eram precisos para se apresentar! Ela tinha pratica a dactilografar, trabalhara em partime numa loja de perfumes, usava meias de vidro e uma mini-saia que subia e descia consoante o pensamento de quem olhasse. Os alunos do professor João analisavam o parágrafo desta existência e para eles sémen nos olhos era uma figura de estilo, uma figura de estilo era a do polícia gordo a vaguear pelos quartos, a fazer subir a febre ao corpo. O polícia gordo ia ser enviado para um lugar que ainda não tinha nome, que ainda não era lugar nem existência.

Publicado por D_Quixote em dezembro 3, 2004 07:08 PM
Comentários

D.Quixote, no ar anda a conspiração, sinto-o [...] cheiro-a à distância. Mas isso por enquanto não é para aqui chamado. Mas veio-me à ideia ao ler o artigo que ora postaste. Bom, por sinal, o de esse tal Lobo.
Gostei, portanto. Inté.

Afixado por: Espectro #999 em dezembro 4, 2004 04:54 PM

Também gostei do teu blog espectro... acho o teu trabalho admiravel e de muita paciência e talento...

Quanto a conspirações... confesso-me inocente... ;-)

Afixado por: D_Quixote em dezembro 11, 2004 06:34 PM