dezembro 04, 2004

Um mundo todo nela

Um mundo de triste existir em céus de cor parda
bandos quedos de nuvens

outrora

numerosos gases em debandada, em brincadeiras de criança
agora migração de incontáveis lágrimas
pássaros tolhidos
reféns em afluentes de comoção

o acidular de dor num pomo enrugado
o mundo agora é deserto

estes dedos nús
outrora envoltos em vida
na vida, filigrana de vida
sem o terno crepitar do teu cabelo
nús de vida

leva tempo a amar-te ainda o tempo suficiente

de Renaldo Ventura

(dedicado exclusivamente a quem por grandeza de espírito fez o favor de enviar um poema meu para o teu site)

Pôr do Sol 1 by Jorge Rosa

Publicado por D_Quixote em dezembro 4, 2004 06:45 PM
Comentários

Para além de habitué deste café, começo a ficar viciado nalguns escritos de alguns poetas que aqui vão partilhando comigo (connosco) os seus sentimentos. O Renaldo é certamente um deles (e vou revelar-lhe um segredo, aqui que ninguém nos 'ouve', Renaldo: até transcrevi um da sua autoria para o moleskine que sempre me acompanha...), o seu modo de escrever o amor/desamor é belíssimo. Bravo!

Afixado por: Paulo Fogg em dezembro 4, 2004 10:47 PM

É linda a maneira como o Renaldo escreve... acho que todo este poema tem um cunho muito pessoal dele... inconfundivel mesmo... :-D

Afixado por: D_Quixote em dezembro 13, 2004 09:03 PM

não me é fácil sequer ,agradecer as palavras de ambos;digo-vos somente que continuarei a procurar as palavras que me mantenham a salvo do meu "mundo".
saudações Renaldo

Afixado por: Paulo em dezembro 14, 2004 07:59 PM