Apenas o sonho trespassa
na luz da madrugada interrompida.
É a flâmula, a chama, a guia da cinza redentora
sem religião, e só amar uma pedra
pela fala superior com que se comunica
no trabalho das arestas.
A alquimia da obra num Maio global
dá o orvalho, a nobreza do metal,
o desejo de um reflexo no espelho dos deuses,
e um raio nos olhos de um cavalo
sobre as montanhas submersas,
sob aquilo que chamamos água
ou lava ou saliva ou lágrima,
e no estrondo da noite, a dor ser um deus
imperceptível, morder o corpo como
a lâmina de uma navalha
sem a interrupção conjuntiva da gramática
que oprime a frase, o lábio, contrai as faces.
Num período de impropérios
resgatar a alma
ou uma fotografia de bruma.
É o carvão incandescente que mantém
a lucidez antes da morte. É o carvão
incandescente que treme nos lábios
quando se pronuncia o nome das coisas.
É o carvão incandescente que diz, morreste,
morreste-me, quando ainda volita a cinza
no primeiro vento.
É isto que é a separação da vida e da morte.
É tudo isto que é a união da vida com a morte,
a celebração contínua da existência
que dança na copa iluminada da fala,
na sombra e no equilíbrio das cores,
porque a morte é a mais longa morte, mais longa
que o sossego de um pássaro. é o infinito mais
infinito que a definição matemática,
o sorriso, o grito, a admiração, e mais do que isto,
a soberania do nada.
de José Félix

Inner Beauty by Nuno Peixoto Branco
Publicado por D_Quixote em janeiro 11, 2005 12:02 AMcomo não gritar este blog aos ventos? venho aqui sossegar a alma e a sede aumenta...e todos vocês, tu tb josé, embriagas os anjos de azul ( a mim de verde e não sou anjo, antes sportinguista...lol)
qual psicanalista tentando decompor o puzzle, tu procuras o nada no principio da vida, e o que fica
dentro deste envelope chamado nina é o caminho que só se faz caminhando conduzida por ti...soberania do nada!porque me deixo conduzir aos recônditos das vossas almas?...questão pendente...não te leio, bebo-te, como já o disse.
Belo poema; bela foto... ;-)
Afixado por: Teresa em janeiro 11, 2005 10:29 AMNuno adorei a fotografia.Parabéns :-)
Afixado por: Nautilus em janeiro 12, 2005 01:37 PMObrigado meninas... esta foto de facto saiu-me bem... é a mais visitada das minhas fotos no Usefilm, o efeito transformou por completo a fotografia... quanto ao poema... a poesia do José já se tornou uma constante boa aqui.
Afixado por: D Quixote em janeiro 16, 2005 11:30 PMestava a ler o teu poema, a ler a modos de caminhar os meus olhos como a musica que caminha por uma rua, nao basta ler uma vez é preciso saborear mais e eu senti-me bem, senti como diz o teu poema, o primeiro vento.
Afixado por: lobo em janeiro 19, 2005 10:30 AM