O cansaço apoderara-se dos seus ombros, daí o movimento cíclico e sem parar.
Stress! a doença dos modernos, diria Jack. Os ombros, as costas, o braço esquerdo sujeitos à doença dos modernos e a rapariga citadina e solitária, recostando a indiferença na mesa quadrada do salão e mirando os frequentadores, o seu passatempo preferido.
Naquele café, e ao contrário dos de Amesterdão, não se sente mal com a sua
pele, veste-a e despe-a e ninguém se acossa, tão pouco ela. A doença dos
modernos de Jack ficara na cidade dos diques e na red zone e não lhe faz mal
nenhum... absolutamente nenhum, esquecer-se da Nancy com a doença dos
modernos, na cidade da praça circense, a mesma que agasalha os descendentes de Eros.
Por ali aconchega o olhar no barman e na sua complacência e bondade, devorando o micro enquanto escrevinha uma derradeira poesia no guardanapo branco ou na mesa cedida por um vizinho benemérito, nas noites soalheiras com os assíduos anónimos e os ébrios dos vocábulos perfeitos.
Em Amesterdão há muitos cafés acolhedores, empregados de mesa profissionais e elixires da eterna juventude, naquele café há o barman e as palavras dos sequiosos, sopros de vida. Por isso, deixara a doença dos modernos de Jack, na cidade dos homens bicicleta, e expira agora o indecifrável fumo do cigarro, por entre as últimas sílabas destemperadas, encontradas ao raiar do dia no café da poesia.
de Nancy Brown
(acho que depois de tão cintilante ideia, a honra de começar este ciclo devia estar entregue ao talento inconfundível da Nancy... obrigado pela tua poesia, e pela tua presença...)

reflected red by Mark Mahar
Publicado por D_Quixote em janeiro 23, 2005 04:17 PMQue Blog!!!!
Como é q só agora dei com ele...?...
Lindo cantinho!
...e porque a liberdade não se sente nos espaços e sim nas expressões que nos permitimos, na forma como vamos pisando os degraus (...)
A virtualidade é uma forma de ser (poetry cafe)
A Nancy é e respira a liberdade com o mesmo atrevimento com que diz: a doença dos modernos ou Jack. Quando escreveres um livro, anuncia-o no tempo da poesia, para que não haja como perdê-lo. Que dizer mais senão que gosto de te ler?
Um magnífico texto, Nancy.
Um Porto, à sua...
Há já algum tempo que cá não vinha, com muita pena minha, pois aqui neste cantinho encontro sempre textos e imagens únicas. Sabe sempre bem ao final do dia, passar por aqui. Muitos Parabens. Um abraço e continuaçãod e grandes momentos.
Afixado por: folhas em janeiro 24, 2005 01:58 AMeu sempre pensei que se pudesse guardar a noite numa chávena . e ler como se lê um livro. o teu poema podia dar um livro, estou com frio e nada melhor que o cobertor quente das tuas palavras. um beijo
Afixado por: lobo em janeiro 24, 2005 10:49 AMEsta foi mesmo a melhor forma de começar... obrigado Nancy, pela poesia, pelo talento, pela forma unica como constrois mundos unicos, pelo carinho dos teus poemas e pela ideia fantástica deste ciclo... beijinhos!