março 14, 2005

Na consoa da memória

No espelho partido
o teu rosto cubista
é um arlequim azul
na modéstia do sorriso.

Acendes com as mãos a casa.
O café é só um paliativo
para trocarmos o leme dos dias

num pedido mútuo
sem explicações.

Ambos saímos sós,
acompanhados um do outro,
bebendo filhos e agruras
numa navegação dupla
para a mesma viagem.

O regresso é o desejo
para regarmos as plantas do jardim;
no pó da mobília
desenharmos os rostos
que aparecem à mesa
para a consoa da memória.

de José Félix

(já nem preciso de ver quem assina para te reconhecer a poesia José... ela é inconfundivel... um abraço ainda à espera de te pagar um café quando vieres ao Porto)

Old Times by Nuno Peixoto Branco

Publicado por D_Quixote em março 14, 2005 11:36 PM
Comentários

José Felix, bom ler-te de novo...ainda trago na alma o chã que bebi das tuas mãos, um chã maravilhosamente bem escrito...escreve mais, denuncia-te vivo.Fiquei feliz.

Afixado por: Nina em março 15, 2005 02:36 PM

com certeza a poesia dele tem um jeito q é todo dele e soh dele.. eh incrivel..
e a foto eh sua?..q massa nuno..tah ficando cada vez melhor.
saudade.
;*

Afixado por: ladyheaven em março 15, 2005 06:41 PM

Sim... a poesia do José dá vontade de a mergulhar em água quente e beber de infusão... é deliciosa.

Quanto à foto... sim... é minha! :-)

Afixado por: D Quixote em março 18, 2005 10:25 AM