A noite se faz nas mãos como um pão escuro aquecido no fundo da terra e no calor da alma dos nossos irmãos camponeses que se mataram por causa da poesia que não conseguiram inventar quando a guerra e a fome passou na aldeia deixando uma cicatriz de silencio nas bocas que não conseguem cantar o amor.
A noite se faz nas mãos como um novelo de linho que os olhos vão fiando como quando despes o teu amor que pode ser a árvore ou a rua que fica deserta quando já não tens palavras nem vontade para iluminares os muros com a água que brota dos teus olhos e que fazem os homens levantarem-se flutuando por cima dos telhados onde há um pássaro inventando o cansaço de não ser possível morrer.
A noite se faz nas mãos como um pão escuro aquecido no sangue dos homens e no vinho bebido pelas feras que fazem o ritual do sol para o nascimento dos profetas.
A noite se faz nas mãos como um pão escuro aquecido no fundo da terra e no calor da alma dos nossos irmãos camponeses e no coração dos seus filhos cujas veias são pétalas de flor perfumando a pele das árvores e os cabelos de todos os aventureiros sem destino.
A noite se faz nas mãos como um pão escuro e tu fazes-me uma canção tão quente e forte como um café com amigos que acendem novas fogueiras para os frios diversos e seja isso o fim de todas as indiferenças.
A noite se faz nas mãos como um pão escuro que é a luz que alimenta o trabalho quando o homem fecunda a mulher e esta tem o privilégio de ter um pequeno mundo e ser ela um grande universo.
A noite se faz nas mãos e se faz na língua húmida e por isso a água da boca serve para moldar o pão da alma e por isso te ofereço a musica que não consegues escutar a menos que fiques em sintonia com os pensamentos das forças que rasgam a terra e te dão a luz renovada e sempre pura dos pensamentos primordiais.
A noite se faz nas mãos.
de Lobo
(pois é amigo... e a poesia também se faz nas tuas mãos, como ceramica linda que moldas a teu bel prazer)

Hand made by Ben Goossens
Simplesmente lindo... estou sem palavras!
Afixado por: Teresa em março 28, 2005 10:30 PMlobo, não sei se foi de noite, mas as tuas mãos teceram um belíssimo poema, um profundo texto.
permita-me aproveitar para desejar as melhores felicidades para a sua exposição - não sei se gosto mais dos seus textos se das suas gravuras - que soube estar a acontecer.
abraço amigo!
quantas noites nos morrem no entardecer do pôr-do-sol das mãos côncavas? doces palavras com a ternura que só alguma dor nos dá. se puder ser, aceito um pedaço de pão :).
Reconheci-te nas primeiras palavras. Só tu escreves assim...O amor às palavras se faz nas mãos, nas tuas.
Estela.
a poesia tem tantas cores e é musicado e tu acrescentas tantas outras dimensões no que escreves...lobo solitário, saudds do que escreves...
Afixado por: Nina em março 31, 2005 03:56 PMEu não disse? Das mãos deste homem só saiem obras de arte!
Afixado por: D Quixote em abril 13, 2005 07:33 PM