maio 23, 2005

Chuva Interior

Chuva que bates fora na vidraça
Vem cá bater no meu rosto dormente
Só para ver se a tua água disfarça
A mágoa da água que choro demente.

Chuva que cais lá no chão da calçada
Vem cá bater neste meu triste olhar
Vem esconder a minha face molhada
Deste triste ser que aqui está a chorar.

Olho o céu cinzento directamente
E faço dos meus olhos jarras a encher
Com esta chuva que cai sem parar

E talvez esconda convincentemente
Que está no meu coração a chover
Mais do que fora me possa molhar.


de João Natal

(já antes aqui em colaboração com o amigo Alves)

untitled by TCA

Publicado por D_Quixote em maio 23, 2005 01:09 AM
Comentários

Seu café é lindo. Todos os dias entro para tomar um pouco dessas poesias adoçadas com as belas imagens. Que bela música é essa de fundo? Poderia me passar o nome desta que acompanhou este post? E parabéns ao caríssimo João Natal. Um beijo para ti.

Afixado por: Pedro Henrique em maio 23, 2005 07:19 AM

como sempre uma grande interpretação tua. parceria perfeita. obrigado. um abraço.

Afixado por: TCA em maio 23, 2005 01:44 PM

Acho que já te disse isto antes, mas, de qualquer das formas, não me canso de o dizer: adoro ler a tua poesia em forma de soneto...

Um beijinho aos dois...

Afixado por: Teresa em maio 23, 2005 04:56 PM

As tuas palavras e esta música fantástica...Um dos melhores "cafés" servidos ultimamente...
Oxalá chova, oxalá chova muito...
Beijo grande!

Estela.

Afixado por: Senhora das Estrelas em maio 23, 2005 09:18 PM

Belo soneto João. Gosto IMENSO da imagem da chuva colada ao chorar. Parabéns!

Afixado por: Nancy Brown em maio 24, 2005 08:35 AM