Trazia um lenço com bordados de morangos
e na sua boca macia e sedenta...
esboços dos últimos retoques...
de uma pintura ciumenta.
A saia de branco linho suas pernas encobria
e no adivinhar das suas ancas sombrias,
se perdeu o meu entendimento.
Algures... pormenores de uma cintura esguia,
um aroma adocicado
e embora por ali e sempre retocado,
um fino esgar idoso e sombrio.
Nos seus seios minhas mãos errantes
os seios... os seus imperfeitos seios...
tortuosos e sem rodeios,
em fuga rumo a um qualquer Levante.
E o pensamento entre o pescoço altivo e anelar,
resguardando um tortuoso e etéreo mal-estar
e correndo aflito em busca do vento...
Trazia um lenço com bordados de morangos
aquela cujos lábios suculentos
injuriava um ténue atrevimento...
de Nancy Brown
(este teu poema é uma Primavera de sensualidade Nancy... fresco... mas tão quente...)

Coy by Haleh Bryan
Publicado por D_Quixote em maio 27, 2005 12:52 AMO pormenor do lenço bordado a morangos depois de termos contacto com o linho branco e a sensualidade dela, deixa antever o ténue atrevimento (nos lábios).
O pensamento (resguardando mau estar) correndo aflito em busca do vento. Comprometida. Gostei uma vez mais da tua poesia. Sem chegar a entender o personagem. É mero instante? uma pose no tempo? Ou uma fuga? :)
Nancy, desta vez e sem rodeios, sinto a tua poesia de forma especial. Consegues manter-me em expectativa até ao final das tuas palavras.
O amor e o sexo tornam-se personagens reais e quase palpáveis. A vontade, é de ler e ler e voltar a ler...