Quanto a mim gosto das palavras que sabem a terra, a água, aos frutos do Verão, aos barcos no vento; gosto das palavras lisas como seixos, rugosas como pão de centeio. Palavras que cheiram a feno e poeira, a barro e a limão, a resina e a sol.
Foi com estas palavras que fiz poemas.
Palavras rumorosas de sangue, colhidas no espaço luminoso da infância, quando o tempo era cheio, redondo, cintilante.
As palavras necessárias para conservar ainda os olhos abertos ao mar, ao céu, às dunas, sem vergonha, como se os merecesse e a inocência pudesse de quando em quando habitar os meus dias. As palavras são a nossa salvação.
de Eugénio de Andrade

Foto: in Público, 18/3/90
(uma professora de português e amiga deu-me este texto numa aula do 12º ano... tocou-me de tal maneira que o guardei até hoje com carinho! Acho que são as palavras que melhor descrevem quem Eugénio de Andrade era, escritas na primeira pessoa. Acho que é a melhor homenagem que posso fazer a este grande poeta a que muitos chamam mestre e que me serviu de inspiração para hoje amar poesia como amo... Também não esquecendo Alvaro Cunhal, escritor Manuel Tiago... mas como devem compreender... este é um espaço de poesia e hoje a poesia portuguesa perde um dos seus mais talentosos filhos)
A poesia portuguesa perdeu "corporalmente" um dos seus GRANDES vultos. Satisfaz-me apenas a crença de que os grandes escritores nunca morrerão, pelo menos enquanto as suas palavras se propagarem pelos 4 cantos do mundo. Hj vou reler alguns dos seus poemas aos meus filhos, pq a sua poesia é uma ode à simplicidade e ao culto da beleza, pelo menos a beleza q importa.
Afixado por: Nancy Brown em junho 13, 2005 03:06 PMreverência ...
Afixado por: paulo aka Renaldo em junho 13, 2005 04:28 PMFica a saudade...e a imortalidade das palavras, que são a expressão da alma.
Viverá, sempre, em cada um de nós que o leu, o lê e o há-de ler.
É muito triste perder um poeta, especialmente um com poemas tão luminosos. Mas a sua obra permanecerá nos nossos corações.
patrimonios.blog.com
Afixado por: Sertorius em junho 14, 2005 01:48 PMTraços
Este ar meio abstracto
Que as palavras têm ...
Os traços fogem
Ao nosso alcance,
O olhar endurece,
Entristece...
Os traços escapam,
Vagueiam,
Confundem-nos...
Desaparecem,
Aparecem,
Ofuscam-nos...
Estes traços,
Meio reais,
Meio abstractos,
Como as palavras
Que nos confundem!
by myself
Gostei muito do teu blog...
Vou tomar a liberdade de te linkar...
Um abraço lunar
Afixado por: Moon em junho 15, 2005 06:41 PMO texto não podia ter sido mais bem escolhido!
De facto é uma grande perda material...mas a esência, as palavras ficam cá!
É essa a beleza do poeta. Nunca morre!