julho 13, 2005

um poema de pasolini

Os pássaros, presas da existência, cantavam na poeira fina numa trama complicada, incerta, ensurdecedora.

pobres paixões perdidas entre as copas humildes de amoreiras e sabugueiros: e eu como eles nos lugares desertos.

reservados aos puros, aos perdidos, esperava que a noite caísse, que se sentissem em redor os mudos
cheiros a fumo, a miséria alegre que o angelus soasse, velado pelo mistério novo, camponês
no antigo mistério consumado.

foi uma paixão breve. Eram servos aqueles pais e aqueles filhos, tão rudes, para mim, que viviam de religião.

as noites de "casarsa": as suas alegrias austeras eram a monotonia de quem, embora pouco, algo possui

a igreja do meu amor adolescente morrera ao longo dos séculos, e só vivia no antigo e doloroso odor.


de Pasolini enviado por Lobo

(um poema fantástico enviado pelo amigo Lobo... já tenho saudades de abrir a caixa do correio e encontrar coisas tuas... ainda bem que mandaste mais... e desculpa a confusão com o autor deste poema)


Chapel by F. Monteiro
copyright of the photographer

Publicado por D_Quixote em julho 13, 2005 12:28 AM
Comentários

Estás desculpado e obrigado pela retificação.

Afixado por: lobo em julho 13, 2005 11:32 PM

Lobo, não é teu mas foi escolhido por ti. Muito bonito. Mas eu vim aqui para poder comentar a carta do amor eterno do miguel. É que já não é a primeira, nem segunda e nem terceira vez que quero mostrar o que determinado poema me faz sentir aos seus autores e o blog censura..não me deixa entrar...
Sabes, miguel, esta carta faz-me identificar contigo, com este amor que viveste (ou sonhaste)...e nunca se esquece a quem nos ensina o amor. Esquecemos quem nos ama, mas não quem nos faz amar. E ainda que doa, está lá sempre o seu nome a chamar-nos, a trazer-nos de onde estamos, recuando mil anos...e todo o resto perde importancia. Comigo ainda é assim...e também numa praia, o amor chama por mim. Insonia feita de silencios por preencher. Passarão décadas e séculos que sejam, mas ouvirei o seu nome em mim, chamando o meu. O mar imita a sua voz melhor do que ninguém. E eu vou cega, surda e muda para quem me ensinou a amar. Adorei reviver o meu amor na tua carta, anonimamente apropriei-me dela....lobo, não entrei anónima...e ocupei o teu espaço, de pasolini e do teu bom gosto...de alguma forma,um hino a quem algo possui, mesmo perdido o templo do amor adolescente. Bjo

Afixado por: Nina em julho 19, 2005 03:38 AM

Lindo o poema e maravilhosa a fotografia!!

Beijo a todos :)

Afixado por: Maria em julho 23, 2005 01:49 AM

assisti há alguns anos:mamma roma.li mais recentemente poemas de pasolini...sou tb poeta e perdido ser em plenas brumas e luminosidades...sabemos:há pássaros q só se libertam quando chegam ao póstomo...pasolini é ser liberto...imortal ser

Afixado por: luis carlos em junho 6, 2008 01:22 AM
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