Porque o meu coração não é só feito de poesia, mas sobretudo de amor, aqui fica a divulgação de algo muito importante. Se têm conhecimento de alguém que precise, se vocês mesmos precisarem de saber mais, porque o saber não ocupa lugar e o amor, meus amigos... o amor alarga o coração, torna-o maior à medida que o preenche...
Apareçam neste evento, há em cada um de nós um poder muito grande, o poder de tornar este mundo um mundo um bocadinho melhor e, se juntarmos esses bocadinhos todos, o mundo eventualmente mudará muito...
Apareçam... vá...!
LIGA PORTUGUESA CONTRA A EPILEPSIA
E com isto aproveito aqui para lançar hoje uma campanha, uma campanha onde peço a colaboração de outros blogs amigos, onde podem colocar um simples link nos blogs para este evento, porque divulgar causas nobres não é só para um Dom Quixote como eu, se todos nos juntarmos nesta luta, ela deixa de ser quixotesca e perdida, e um dia eventualmente derrubaremos os gigantes moinhos de vento...
Para isso só têm que colocar no vosso blog o seguinte link no template:

e ficará assim...
Amigos que já aderiram:
Zen
Lua
Cacaoccino
O desenho do ver
Xobineski Patruska
Ao meu encontro na estrada
Espreita aqui
O teu olhar
Bichinho de conta
Passo a passo
Adufe
Old Afternoons
o meu sincero obrigado!
Essa capital, tão valorizada és
Cheia de mágoa e também alegria
Faz-te tão longe durante o dia
e no escuro, o monólogo me invade os pés
No escuro, invoco à Deusa Diana
pelo teu telefonema, espero paulatinamente
Imagino os ósculos na mente
Mas debalde! Anseio apenas pela canzana.
Deixa-me voar, deixa-me ser a cor
brincar com a fisga que te enrola as pernas
trincar essa borboleta azul com o teu odor
Tal como Luis, mostro o meu coração
sei ser veludo mas também sarapilheira
tal como bocage, tenho a minha tesão.
de Gonçalo Bilé
(enviado pelo próprio, uma cara nova aqui no café... muito promissora e que será sempre bem recebido por estes lados... obrigado Gonçalo)
Há amores estranhos fundos sem razão
- são secretos vivem na cumplicidade
indizíveis nas palavras que aqui vão
são impróprios de viver em liberdade
levaram a ternura ao exagero
e a um excesso saboroso a nossa pele
só compreende quem sente o latejar
bem mais dentro que os olhos do olhar,
há amores que não posso aqui explicar
pois quer queiram quer não inda vivemos
na pré-História de um Futuro de cem mil anos
nas grutas de um sentir que não sabemos
há uma palavra escandalosa e proibida
quando se fecha a porta e começa a fantasia
e me sento no sofá e desligo-me da vida
e fico Senhor completo do teu corpo
e o código começou e tu me ofereces
o máximo que alguém nos pode dar
e a guerra não tem hoje nem tabus
são duas vontades grandes que ali estão
e mais que as mãos e a boca e o Futuro
e o vício de dois corpos seminus
amarro em ti a vida que me escapa
e acordas-me explicando o mundo todo
e cedo a esta raiva que me mata
e sinto em ti Mulher, Mulher de mais
e houvesse aqui, agora, já, um altar
e eu casava-me contigo poro a poro,
casava-me contigo em todos os rituais
se é que não estou exactamente assim casando
o ontem com o presente e o infinito
e a cada jogo beijo salto ou grito
pressinto o chão fugir e o mundo longe
e há um abuso consentido que não peço
e tu olhas-me plácida e tremente raiva e calma
e a tormenta desabrocha e sai de nós
pela porta escancarada do excesso
de Pedro Barroso
(coloco aqui este poema deste cantor fantástico que já há 30 anos encanta almas e ouvidos com os seus poemas e voz)

Sinto o desejo da revolta em todo o eu,
por tudo aquilo que anseio e não sou,
quero desmentir palavras que te disse,
apenas por não ser a única que tas dou,
quero gritar e dizer a toda a gente,
que não tenho vergonha de te desejar
e convenço-me a mim própria,
que estás comigo para "ficar",
quero também,
que todos te vejam como meu
e não discutam mais quem somos nós
e assim os dias passem sem morrer,
na esperança de um amanhã que vai nascer,
para ser só eu a decidir a verdade de ti mesmo
e não possam nunca mais os outros dizer
o perigo que corro por te querer,
dizendo por mim as palavras que esqueci
para destruir um sonho que é meu,
acompanhado de um delírio, esse teu
que dá mais fogo ao fogo que me dás,
testemunhando mais tarde, no amanhã
que tenho direito à loucura de te amar,
assim como tu à desculpa de voltar
àquilo que foste e já não és!
"Roxy"
( ao... meu desconhecido )
1990
(mais um poema talentoso da nossa malandra)
O teu sorriso perturba-me. Este fim-de-semana foi a prova disso. Estranhamente cedeste finalmente em passá-lo comigo. Saímos no Domingo de tarde, algures entre a chuva fria e repentina e as abertas claras mas não quentes que irrompiam ocasionalmente. Aquele "sim" ao telefone soava-me irreal, quase como um sonho bom. E num campo onírico passei o resto do tempo antes de estar contigo. Enchendo a cabeça de esperanças tolas e sonhos infantis.
O Parque da Cidade estava verde, viçoso, fresco e bucólico como sempre, com os seus caminhos pelas árvores, os lagos, os cisnes... como uma visão do paraíso à escala pequena, onde nada mesmo faltava para eu ser feliz, nem mesmo tu.
Foi, num misto de estranheza e coragem, que algures no percurso aleatório a pé que te segurei na mão, olhei bem nesses olhos grandes e tentei falar... o teu sorriso apareceu.
Queria dizer-te que te amo, que os dias não passam quando os passo sem ti, que as noites não são noites mas apenas dias mais escuros onde tenho demasiado tempo para sentir saudade, abraçado a uma almofada inanimada que desejava seres tu. Queria dizer-te que nada faz sentido sem te ter por perto. Que o tempo que passamos juntos nunca chega para saciar a sede que tenho, a fome que sinto, o vazio que me preenche.
Queria dizer-te que te quero. Mas o teu sorriso apareceu e saiu apenas o que apenas consegui dizer... "- Dalila... sabes... gosto de ti...".
"- Eu também..." retorquiste ainda sorrindo.
E o passeio continuou, insípido e inconsequente como o resto das nossas vidas. Como um assalto a um banco que nunca chegou a acontecer, pois o ladrão incompetente entrou no banco sem nunca ter verdadeira coragem para tirar o revolver do bolso, arriscar ficar com o dinheiro, assumir quem era e o que estava ali a fazer. E em vez disso virou costas e voltou para a pobreza desesperante de onde tinha vindo.
O teu sorriso perturba-me... já te tinha dito? Faz-me sentir especial quando sei que não o sou e ao mesmo tempo faz com que nunca to chegue a dizer. O teu sorriso perturba-me... sabias?
João Natal - 23/02/04
(Mais um texto das crónicas, primeiramente publicado num sitio que adoro e depois aqui...)
"parque da cidade - Porto"
Está em grande um dos mais malucos projectos de que há memória!!!
Xocolaty, Katraponga, Comadre, Melancia, Duvidas Dubias, Padeira de Aljubarrota, Xobineski Patruska, D Quixote e Bichinho de Conta... todos juntos naquele que promete ser o livro de escola obrigatório dos vossos netos!
Sentem-se quietinhos, atafulhem-se de pipocas e não percam a melhor blogónovela de sempre...
Como te lembro
Percorro por detras dos olhos os caminhos da tua pele
Refaço em mim as caricias, que as tuas mãos inventaram
Nos meus dedos o cheiro do teu e do meu orgasmo
Na minha boca o sabor que temos depois do amor
de Ana

Afterthoughts by L. Nimoy
Eu sei que ás vezes a vida é cruel
Entramos num mar de rosas
Mas perdemos logo o pé
Tentamos escrever versos e só nos saem prosas
Tentamos ver o sol...
Mas só vemos escuridão
Pensamos que estamos a viver um grande amor...
Mas só estamos a viver uma desilusão
Tentas encontrar um porto seguro
No meio de uma enorme tempestade
Tentas encontrar alguma bondade
No meio de tanta crueldade
Eu achei-te a ti...
No meio de tantas sombras e escuridão
No meio deste inverno gelado
Ès o quente do verão...
O meu coração já esta tão cheio...
Mas haverá sempre espaço para ti...
Porque nem que viva mil vidas...
Vou conhecer alguém assim...
Fizeste nascer o sol...
No meio de uma chuva intensa...
Fizeste nascer um óasis
No meio de um infinito deserto
Quando olho para os teus olhos vejo o infinito
Adoro perder-me no teu olhar...
A tua dor faz-me ser mais forte para te ajudar
A beleza da tua alma faz-me sonhar
Para todos os que ainda acreditam no amor e não desistiram de amar mesmo quando tudo parece perdido ou até impossivel...
de Sérgio Fortunato
(obrigado Sérgio por este momento sincero de sentimentos puros)
Tinha-me bastado um beijo e tudo ficava bem. Um simples abraço ou um gosto de ti. Já nem pedia um amo-te, pois conheço bem a tua natureza dúbia e o quanto foges dos compromissos. Em vez disso sorriste, deste-me um beijo na cara e disseste com o ar mais cordial do mundo: “- Obrigado João, és um bom amigo...”
E se me sentia pequenino, ainda mais mirrei, encolhi-me no meu nada, reduzido à insignificância da qual nunca devia ter saído. Olhei vago o horizonte composto por luzes citadinas e carros estacionados. Engoli a voz e as coisas que me apetecia dizer-te. Sufoquei. Disseste divertida que foi melhor assim, que preferias não o ter visto, pois sentias uma atracção terrível por ele, que não conseguias resistir quando ele estava por perto. Contudo passas a vida a resistir-me a mim! Foi melhor eu ter-lhe entregue a tua carta... ainda me interrogo do meu papel nisto tudo...
O confronto era inevitável, adivinhava-se e eu já o ansiava há algum tempo. Nunca pensei foi que me fosse causar tanta mossa. Sempre imaginei, relevar a situação de forma simpática, com a minha habitual descontracção. Não esperava encontrar tantas diferenças, a roupa de marca, o ar dândi e cuidado, algo queque e majestoso dele, o Mercedes Slk estacionado à porta, a pose altiva e segura de quem nada receia no mundo. Mas mais do que isso, a maneira como ficas a falar sobre ele tempo demais sem reparar que me magoas. Senti-me pequenino, senti-me ainda mais o pobre rapaz do campo que sou, perdido na metrópole em confronto com o habitante citadino. Senti-me nu... sozinho... apercebi-me pela primeira vez o quanto o teu mundo é diferente do meu ao ver as diferenças entre mim e ele.
Voltei confuso para o carro onde me esperava o beijo que não me deste, o carinho que não tiveste, o amor que não foi no conforto que precisava. Para saber que não era tão verdade aquilo que tinha sentido... afinal talvez seja... penso agora...
Despediste-te de mim como sempre, esquiva e fugidia e nem reparaste no que ficou para trás. Eu de coração partido, lágrimas nos olhos e cabeça mergulhada no volante. O tiquetaquear do meu relógio de pulso acabou por me lembrar das horas que eram. Horas de ir embora... horas de ir para casa.
João Natal – 18/02/04

Crowded by Hootan Hougtiness
Mais um texto das crónicas, tambem no sitio do costume...
O amigo Miguel Patrício entrou num concurso de escrita de canções. Como poeta da casa que é, o Poetry Café acarinha este prodigioso filho e apela à vossa colaboração.
Vai a www.alargatuavida.com
O nome da canção : Um Bom Dia Que É De Chuva
Concorre pela categoria de musica popular portuguesa. Depois de votares aparece-te uma janela onde escreverás o teu mail, a importância surgirá no acto de clicares no link que logo em seguida te enviarão por mail, só assim o voto será válido.
Uma votação por conta de mail, se tiveres mais contas força, o teu amigo agradece, e o Poetry Café tambem...
Há esta urgencia das palavras
como se escrever fosse fazer amor
e as palavras fossem aquele palpitar que se sente na pele
aquele grito que não se contém
aquela angustia que se solta
no momento do orgasmo
e depois...
depois fica a surpresa, o espanto
do grito que soltei, das palavras que escrevi
por Ana
Cansado de transportar o meu ser
vagueio com calma em excesso
desejei-te sim, desejei-te intensamente
por seres tu, por seres alguém
paixão que corroi intensamente
o meu ser, fico ninguém
transformo vida em sofrer
pela luta infindável de saber
quem és, para onde vais!
Amo olhos, destesto olhar
e tenho tanto medo de te querer
mas perdido, ao sabor da fantasia
continuo crente nas minhas paixões
mas sem ilusões, apenas
na certeza, que talvez
mesmo que só por um segundo
tu vais sentir que sou eu,
quem te disse palavras de verdade
e que nunca poderá falar com saudade
por te ver partir com outro alguém
que preencha os vazios que te dei
apenas porque tu,
nunca saberás o que te desejei!
de FG p/Roxy
1985
"Todos os seres nesta terra morrem sozinhos..."
Roberta Sparrow in Donnie Darko
Foi num dia normal, suave como este. Parece às vezes que foi ontem, apesar dos anos que já passaram por nós. Tu eras o sorriso de Verão, a vida que eu não tinha, o Sol… trazias um capacete debaixo do braço e fazias da scooter o teu corcel azul e cromado de fantasia. Eu era triste, dias de chuva cinzentos, folhas a voar ao vento, um saco de plástico do "Continente" a boiar no mar de Inverno, semblante carregado e expressão séria. Algo me atraiu em ti contudo. Algo me prendeu. Ainda não consegui muito bem perceber o que é, embora me lembre disso sempre que sorris. Ah… é verdade, o teu sorriso desde o primeiro minuto… o teu sorriso sempre…
Disse-te bem cedo o que queria, nunca fui um homem de rodeios. Tu eras tudo o que me faltava ter, e eu não tinha nada. Ainda és…
Disseste-me sem pestanejar que duvidavas de tudo na vida, e que o meu amor não seria diferente, disseste que eu seria passageiro, como o sol do teu sorriso ou a chuva do meu olhar triste. Disseste até que eu não te amava, que era completamente louco e que os loucos não sabem o quanto se podem magoar. Concordei triste à medida que me afastava, e talvez doido fosse quando voltei para trás. Num dia intempestivo, de chuva e humidade abundante, plantei-me na rua debaixo da tua janela, de fato molhado e braços abertos, e os rios de chuva tapavam-me as lágrimas, o vento disfarçava com pó o meu olhar perdido. Abri os meus braços e ali fiquei, indiferente ao tempo, à chuva, ao vento, ao relógio que não parava. A noite veio, os dias passaram, nasceram-me raízes nos pés, liguei-me aquele sítio, passei a fazer parte dele, o meu corpo solidificou e enrijeceu como madeira, nasceram-me folhas nos braços onde pássaros pousavam para repousar do voo. Os meus galhos cresceram até tocar na tua janela, e dei-te flores todos os anos por altura da Primavera. Nunca mais me viste, mas eu estive lá…
João Natal
17/02/04
Light tree and window by Paolo De Maio
(este é um texto do meu mais recente trabalho "Diário da tua ausência", e que decidi revelar primeiro num sitio onde me sinto em casa, pois lá vou todos os dias beber inspiração)
Metas?
Ouve uns cortes pelo caminho, estanquei o sangue
vivi debaixo do cesto mas nunca agarrei a bola.
As grandes coisas nunca foram para mim.
Metas?
Não! Fui com os cobardes.
Enquanto o sorriso foi dando, sorri
depois, aquilo que sou instalou-se-me na cara
e nunca mais fui por aí.
O sucesso?
Hum! Não sei de onde me vêm as cócegas,
as comichões e as cócegas
o desconforto e a náusea
não sei de onde me vem tudo isto!
Um bom ordenado dava-me jeito,
uma cadeira reservada em meu nome,
num dos bons lugares da sala, fazia-me bem!
seria como se eu lá estivesse, ainda antes de chegar.
Os sonhos são assim,
não estamos lá, mas sonhamos que estamos
o resto é acreditar nisso!
Bem, não me quero lamentar muito,
só o essencial para que a obra nasça.
Uma vez que a luta, travada entre o que sou
ou não capaz de fazer
me tem desgastado bastante.
Nada é uma palavra grande de nada
Uma grávida louca prestes a parir num grande deserto.
de Miguel Patrício
(simplesmente prata da casa...)

Il vecchio e il mare by Marco Donatiello
Habito por de dentro
das palavras
com tectos de saliva
e quartos grandes
na união total
e Humidade
do deslizar a vida
na garganta
habito as manhãs
a cor - o tempo
a curva adocicada da vontade
aquilo que se prende
e apreendo
aquilo que desfaço
e não disfarço
Depois a vastidão
o riso e o sossego
sossego sem ser paz
nem aventura
Respiro o que não tenho
nem viagem
habito o que descubro
e a cidade
O corpo
a revolta
a pele os membros
O ritual interno
e a ternura
E se as palavras tenho
como armas
moldando-as uma a uma
conscientemente
é de habitá-las hoje
que suponho não mais poder
usá-las convinte"
de Mª Teresa Horta
(uma das minhas autoras preferidas, enviado por Pedro Antunes... obrigado Pedro...)
Pousou a mala na cadeira ao lado, abriu o jornal que trazia na mão e levantou
um dedo para pedir um café. Desdobrou o jornal e leu os titulos da 1ª pagina
enquanto acendia um cigarro. Olhou á volta, o café não estava muito cheio, só
umas 4 mesas ocupadas. Um homem sentado numa dessas mesas apanhou-lhe o olhar, incomodada como se tivesse sido apanhada em falta, baixou rapidamente os olhos e tentou concentrar-se no jornal, mas sentia o olhar do homem em si, mirando-a demoradamente, não duma forma vulgar ou ordinária mas sim contemplativo, lânguido.
O peso daqueles olhos fê-la levantar os dela, ele esboçou um sorriso e ela viu como a ponta da lingua dele percorria os labios e os humedecia devagar, viu quando ele levou 2 dedos aos lábios e os lambeu semicerrando os olhos, ficou presa naquela mão que naquele momento descia e procurava o bolso das calças, seguiu-a quando entrou no bolso, quando ele entreabriu as pernas... E quando o contorno da mão dele tocando o sexo se tornou perceptivel sentiu a humidade nela . A cadeira era uma ancora que a amarrava aquele momento, a ela, espectadora e inspiradora. A mão mexia-se em movimentos só visiveis nas rugas e no volume sob o tecido fino das calças. De repente ele parou, ela aguardou ainda uns segundos, a mão saiu do bolso, ele tirou um cigarro do maço e pareceu procurar o isqueiro. Enquanto ela o olhava interrogativamente ele levantou-se, aproximou-se dela e perguntou: tem lume??...
de Ana
(mais uma vez... um texto fantástico que esta nova amiga nos concede...)

Cigarette by A.d A
Ela olha-se ao espelho, ouve o som das ondas incessável, e vê-se; sente-se salva. Volta a procurar a imagem no espelho, memoriza os traços, identifica a expressão e volta a ouvir o mar,
Começa o reencontro…
Sente-se frágil, não há retorno, uma vez atingido o tão imaginário cenário de libertação não há como voltar ao aprisionamento do dia-a-dia, ao visível bem-estar.
Vem o dilema, o eterno dilema do conhecimento, tão procurado mas sempre provocador de insatisfação. Olhos abertos? Olhos fechados? Surge a raiva contra a vida, contra o libertador. O desespero de quem acordou e não consegue voltar a adormecer, de que lhe serve permanecer acordada? Sonha e inventa; revive imagens apenas imagens. Tudo o resto se encontra bloqueado, não consegue ouvir, cheirar, sentir. O passado é um filme mudo a preto e branco, a cor foi anulada, o som foi apagado … não iria suportar o peso da paixão, a cor das imagens, o prazer dos sons.
A ilusão de um dia voltar a ver o filme original impede-a de enfrentar a realidade, agarra-se a ela com todas as suas forças. É mais fácil, bem sabe que muitos filmes virão e que este foi o que quebrou o que estava selado mas não o que lhe dará uma vida colorida como tanto anseia.
Aos poucos a coragem reaparece, sabe o quanto tem de lutar, não fosse ela uma eterna lutadora, sabe o preço a pagar por percorrer o caminho menos percorrido. Olhos abertos? Olhos fechados? A resposta está dada só resta que surja o momento para a libertar, no fundo ela sempre soube mas o caminho até à superfície é longo e doloroso. Ela não está sozinha mas tem de o percorrer sozinha. É bom sentir que não tem prazos, é bom saber que a solidão acabou, é bom poder entregar-se desta forma e saber o nome do destinatário. É aconchegante a cumplicidade, é relaxante a perda de pudor, é fortalecedor a certeza, é admirável a pureza, é indispensável a simplicidade e a tão esperada sinceridade.
Por tudo isto ela sabe que está para breve, mas a ânsia acalmou, o medo começa a desvanecer-se pois a imagem no espelho não mudou, o som do mar mantém-se, o bater das ondas não vai cessar…
de ccc
(obrigado bem grande a esta nova e promissora cliente do café)

#1 Miguel TITO
O mistério invade a minha alma…
Faz-me puxar pela imaginação
Faz-me perder a calma...
Acelera-me o coração
Como serão os teus sonhos?
Como serão os teus pesadelos?
Como serão os teus desejos?
Serão feios ou belos?
Será que o teu olhar...é frio e distante
Ou será que ele...brilha como um diamante?
Será que o teu sorriso...transmite paz e amor?
Ou será que ele apenas disfarça...uma grande dor?
A ansiedade asfixia-me
Faz bater mais forte o meu coração...
Serás uma agradável surpresa...
Ou uma enorme desilusão...
Nada disso interessa desde que sejas apenas tu...
de Sérgio Fortunato
(enviado pelo próprio)
Conheci-o
passou por mim
num fim de noite
... era Inverno!
Cabelos curtos
sorriso sério
desdém de tudo
olhar de todos
mundo a seus pés
conversa simples
resposta curta
olhar atento
que se perdia
no movimento
de mãos esguias
que prometiam
tantas carícias
para oferecer
nunca para dar!
Vi-o mais tarde
com outro olhar
e eu perdi-me,
quais ambições
que apareceram
e que vieram
todas comigo
até ao dia
em que a noite
deixou de ser
...Inverno!
de "Roxy", a Félix
1993
Finalmente os meus problemas informáticos estão resolvidos e eu estou de volta... the show must go on...
O abandono de dentro transborda por fora. Penetro pela noite dentro com o copo como companheiro e a caneta como confidente. Afogo-me com as pedras de gelo no quente sabor do escocês dourado e afundo cigarros apagados no desterro do cinzeiro sujo.
Não sei o que faço. Despenteio-me frequentemente enquanto penso em ti, em nós, em tudo… no quanto tínhamos para dar certo e no quanto falhamos noutro tanto. Tudo é demasiado claro hoje à noite, a própria escuridão das luzes apagadas é incomodativa, como um sol seco e perturbador.
Abandono-me e regresso com a caneta na mão. Quero tanto escrever sobre ti que fico bloqueado. Demasiado dividido entre as coisas más que tinha para te dizer e as coisas boas que me vêem à cabeça quando penso em nós.
- “Não sei amor que mais te dizer. As coisas são como são e assim serão. A conclusão é óbvia, o destino vinga sempre. Ou nos junta de novo um dia ou nada fizemos mais até hoje do que nos degladiarmos com ele… mas as coisas têm sempre uma ordem, um sentido estranho e um escopo… acabam sempre por ficar na ordem certa.
A noite continua clara, o vento agita as persianas velhas da minha casa, não tão sólidas como o meu desgosto. Eu cá continuo, de papel em branco e caneta em riste. Olhar vazio no copo vazio. Cabeça despenteada cabisbaixa, pendida sobre o cotovelo arquejado, expressão de abandono, de esbatimento… como se eu todo fosse uma mancha de tinta num quadro a óleo, disforme, borratada, cadente…
Adormeço trôpego sobre a folha vazia, faço da minha poesia o leito. O peso da bebida acaba por ser maior que o peso da tua ausência e consigo esquecer-te talvez por mais algumas horas… adormeço trôpego sobre a mesa desarrumada…
Acordo a meio da noite enjoado e ainda zonzo. Na boca sinto um gosto estranho que varia algures entre a amargura e a ressaca. Enjoado arrasto-me para a casa de banho, tudo o que tenho dentro tem de sair para fora e desta vez não me refiro ao que sinto por ti… daqui a pouco vou trabalhar… ressaca…
por João Natal 11/02/04
um abraço apaixonado
ou sol ainda
a escorrer pelos ombros
sulcando o dorso até ao umbigo:
ardor líquido do dia
que ferve sem cor na ausência
e no eco em timbre desbotado.
Um abraço ou amor residual:
fazemos que sexo em distância?
desabotoa-me a sofreguidão:
é luz
que escapa por entre
os ferrolhos da saudade.
de Daniel Veiga
(enviado pelo já amigo Nuno... um grande abraço!)

vania #4 by Marília Campos
Encontro
ela sentou-se na cama
na posição atenta de quem espera...
olhou, estendeu a mão
para tornar real a presença
e no instante do encontro
no momento da entrega
encontrou o seu lugar.
por Ana
(mais um pequeno mas excelente poema desta autora que ainda é praticamente uma desconhecida aqui, mas que promete imenso...)
Hoje não te vi. Meti-me no carro com vontade de ir ter contigo. Arranquei rapidamente e mergulhei no transito. Acabei por dar comigo parado num sinal verde, estático, paralisado. O meu olhar fitava o horizonte desfocado e borratado das luzes citadinas, quase inconsciente de quem era e de onde estava...
- "É melhor não!" Pensei... estacionei em segunda fila com os "quatro piscas ligados" e fiquei a pensar em ti. Não te quero sufocar... sei que o tempo escasseia até ires embora e que me apetecia gastar todo o tempo que nos resta juntos mas... tu tens a tua liberdade, és uma mulher muito independente, firme, decidida. E eu jamais vou querer interferir nisso, jamais vou ser uma corrente que te prende ao chão quando só queres mesmo é voar. É essa liberdade que faz a tua força que tanto admiro, é essa independencia que te faz a mulher que eu amo... não te mudaria um fio de cabelo...
Amar-te é mesmo isso... abdicar de posses, de costumes, de convenções... contentar-me com o teu sorriso ou a feliz sorte de um beijo, encantar-me com a tua simples presença! Aceito... não conheço descrição do paraíso mais aproximada que essa. É estranha esta nossa relação... eu gosto de pensar que funciona... tu não?
Ao mesmo tempo cresci, amadureci um pouco... Dantes tudo era diferente. A paixão com que escrevia sobre ti era tanta que chegava a rasgar as folhas com a simples violência dos traços ritmados da caneta. Hoje mal posso com a caneta, ela desprende-se dos meus dedos frios e levemente arranha o papel a pensar em ti. Fazia do nosso amor um estandarte, uma espada que bramia contra tudo o que me derrotava, um cavalo onde galgava as searas negras da noite incerta. Agora?... o teu amor é como uma mortalha que me cobre, a saudade que me agasalha, a lápide da minha campa onde os sonhos se me acabaram. Estou mais calmo...
Amadureci de facto... aprendi que não és minha, és tua. És feliz como um passaro, livre de voar até ao fim do horizonte, sem gaiolas, grilhetes, fardos que te prendam. És como és e de facto és unica. E, ou eu te amo e respeito como tu és, ou mais vale esquecer-te... porque nenhum dos dois seria feliz... acho que já sabes qual foi a minha escolha... não sabes?
Regresso à realidade alguns minutos depois... alguem buzina frenéticamente, estou a estorvar na estrada... arranco o carro e vou para casa... não há mais nada a fazer aqui.
Hoje não te vi, apenas te amei.
de João Natal

6.59 by Dr. Rafael Springmann
A minha desgraça...é a tua inspiração
O meu frio...é o teu calor
A minha felicidade...é a tua desilusão
A minha descrença...é a tua religião
O meu céu cinzento...é o teu céu azul
A minha poesia...é a tua prosa
A minha culpa...é a tua inocência
A minha sanidade...é a tua demência
O meu sol...é a tua tempestade
A minha isolação...é a tua liberdade
O meu prazer...é a tua dor
O meu ódio...é o teu amor
(mas não conseguimos viver um sem o outro...por muito que te custe)
Dedicado a...
Todas a pessoas que perdem tempo a odiarem-se quando no fundo se amam...
de Sérgio Fortunato
(obrigado Sérgio pela tua contribuição... espero receber mais...)
Os amigos são gente do talho, gente nua, gente exposta
carne de um abraço que celebra o gancho
olhos da ausência que magoa
cálice de sangue que verte para os lábios.
Os amigos são amantes inconclusos, por isso verdadeiros!
Não têm numero de telefone, nem morada atribuída
são uma saudade muito mais veloz.
Os amigos, os amigos! Andamos nós no talho meu amor,
procurando uma flor!
de Miguel Patrício
(confesso Miguel que já estava com saudade dos teus poemas aqui)
Não!
Não é só amor que me leva até ti
Mas esta vontade de rasgar o peito e te prender dentro de mim
Não!
Não é só desejo que me leva até ti
Mas esta fome primitiva, carnal
com que toco o teu corpo, o beijo e mordo
e esta sede de ti, esta avidez da tua pele
Não!
Não é só prazer que sinto quando entras em mim
Mas vontade de te reter, de te colar a mim
que me leva a cerrar as pernas neste amplexo
que te retém e te demora
Não!
Não é só orgasmo
naquele momento final
mas sim fome, sede, amor, prazer, dor
e esta angustia dos dias em que morro sem ti
de Ana
(enviado por ela própria... benvinda ao café)

" TWO " by Vladimir Feodorov
Não sei, nem nunca saberei,
as razões porque te desejo,
nem o poder da força,
que me atira para ti
nem deixo cair a penumbra do engano
que me faz acreditar
que tu também és feliz
e quando penso na distância
que nos separa,
e vejo em ti beleza,
perfeição e olhos lindos,
comparando tudo isso
e muito mais que está patente,
não posso crer que tu estejas presente
recebendo o pouco que eu te dou,
com vontade louca de dar mais,
sem sequer ter a vaga esperança
de receber aquilo que nunca poderás dar!
Porque também não pretendo conquistar
algo mais do que a tua simples presença
apenas quero fundir a minha mente
com a tua mente e atingir, assim,
a simbiose perfeita, apenas
meros segundos de perfeição
que acho ambos termos direito,
mesmo que a entrega seja impossivel,
mesmo que o amor seja inatingível!
de AS
(enviado pela Roxy... Obrigado malandra, é bom ter-te como habitual fornecedora de poemas aqui, são sempre todos muito bons e surpreendentes... jinhos)
Mulher mistério dona desta lua
teu cabelo é manto que cobre as estrelas,
teu sorriso vento que leva as folhas,
cheiro perfume dos campos lilás.
Voas de vassoura por cima da rua,
na Senhora da Pedra acendes velas
debaixo da chuva onde não te molhas,
debaixo da bruma destas manhãs.
Sentas-te nas ondas do mar irado,
ouves segredos que ele tem a contar;
tu sabes o dia que amanha vai ser.
Mulher feitiço, de rosto fechado
Tu que és filha da areia, sereia do mar
diz-me se feliz algum dia vou ser!
de João Natal
03/02/2004

foto da capela da Senhora da Pedra em Miramar
(este já era um local de culto pagão muito antes de existir o culto cristão actual, é um local imponente, místico, cheio de força, de energia... basta uma visita lá para se perceber a razão de tanto culto à sua volta... é, um local muito associado à pratica de bruxarias e coisas afins... o cenário ideal para este poema... não acham?)
A minha depressão está cada vez mais forte... mais forte a cada dia que passa
Enchendo o meu coração de dor... uma dor de tão forte que até mata
Estou preparado para dar o próximo passo... dar um passo em frente
Saltar para um mar desconhecido... ser levado pela corrente
Não encontro nenhuma razão para voltar a acordar... acordar deste sono profundo
Aqui ninguém me pode magoar... aqui não assisto ás magoas deste Mundo
Cheguei a um ponto da minha vida... em que tudo parece distorcido
O ar que respiramos parece veneno... o sangue que corre dentro de mim parece ter desaparecido
É nessa altura que tudo deixa de fazer sentido... que não vale mais a pena viver
Tudo não passa de um sonho apodrecido... a unica salvação é morrer.
de Sérgio Fortunato
(obrigado Sérgio pelo texto que enviaste... benvindo ao café)
Anos passaram
mágoas ficaram
estou velho...
Sorrisos mudaram
e olhos choraram
ao espelho...
Amigos partiram
palavras mentiram
estou no fim...
Os teus olhos sorriram
mas tudo me tiram
a mim...
João Natal
12/08/1998

: by Peri Kazanci
- A sério, nao há problema. Vem... se quiseres.
Eu segui-o, no rasto da noite. O convite tinha sido providencial, tendo em conta que esquecera as chaves do colegio no quarto e que passava das 5 da manhã. A ideia nao deixava de ser assustadora mas nao julgava estar mais protegida noutro lugar senão naqueles desconhecidos metros quadrados a que ele pudesse chamar casa, para lá do velho gueto.
[ Quando os teus olhos se fecharam encostei-me aos desenhos na parede como se esperasse transformar-me num deles, numa tua obra de arte. Também eu, ali, te tinha inventado, imaginando que nao haveria mais ninguém. Mais nada. Nem antes nem depois. Ou para além de nos. ]
O amanha que se seguiu nascera para ser diferente. Entao fui absolutamente feliz. Estupidamente comovida. Ingénua como sempre. Agora não sei bem porque, aprendi a relativizar melhor os acontecimentos. Mas no momento em que virei costas àquele espaço, apesar do gradual afastamento, todas as imagens reproduziram-se na minha mente, a uma velocidade estonteante, de droga, em “flash” de fotografia. Uma prancha de snowboard a um canto, o instável monte de cds numa prateleira, um enorme caderno de esboços. Enfim as paredes, pulsando de criação, na penumbra. Tocadas pela madrugada, através das portadas verdes das janelas. Pinceladas de Cézanne, repentinas. E aquela cama, que era sua, que não me deixara dormir, com medo que descobrissemos que tudo aquilo era sonho. Nunca me sentira tão dentro de alguém, tao presa à ternura. E à ilusão que me perseguia – ou que eu fazia o possivel e o impossivel por perseguir. ERA A PRIMEIRA VEZ!
Naquela manha não o acordei. Desiquilibraria certamente o equilibrio da escultura. Vim embora, sorrindo a cada gesto cauteloso, delicado, para não despertar sentidos adormecidos. (Onde tinha deixado o casaco?). Sorrindo e ainda tremendo, a cada ultimo olhar a um vulto estendido (E onde se metera o Randazzo? Ia jurar que fazia parte do pequeno grupo que acampara ali horas antes...!) Vim embora, retomando o fio das sensações: sorria, portanto; tremia. E pensava no quanto custa verbalizar as malditas emoções a quem no-las cria.
Ficamos sempre por dentro da experiência, nao queremos sair, vir à tona. Como loucos, poetas em delirio, hipnotizados em fuga, conscientes de que algo inevitavelmente se perde, sorrimos durante todo o caminho de regresso às palavras. Ao colegio, onde uma qualquer amiga, expectante, nos enche de perguntas. A começar por...
- Onde é que estiveste até agora?
[ Dois anos depois sei que existira outra estrada onde – talvez inesperadamente – reconheça teu rosto. ]
de Anna Tomás, enviado pela própria.
(obrigado Anna por este belo pedaço de prosa)
Não me olhes assim!
Por favor não!
Não me peças com o olhar
Aquilo que nunca te poderei dar...
Não me segures a mão
Junto ao teu
Coração...
Não me olhes!
Eu simplesmente não consigo...
Não tenho o dom,
De te resistir...
Não tenho a receita,
Não sei o antídoto,
Não sei qual o mal,
Nem tão pouco o final
Desse veneno que é teu.
Não me olhes assim,
Não ponhas esse semi sorriso,
Não me convenças que queres,
Não me dês a certeza que tens,
Por favor não!
O teu olhar transporta-se
Por tudo à minha volta
Hipnotiza-me,
Transcende as minhas defesas,
Acalma-me o medo,
Esse teu olhar
É o nosso segredo.
Não! Por favor não!
Eu não resisto,
Eu sei...
Pior, tu sabes,
E queres,
E podes, e fazes.
Muito pior!
Eu quero,
Eu quero tanto...
Não te introduzas
No meu passado,
Não assines o meu futuro,
Não arrumes a minha vida,
Não me dês a felicidade instantânea,
Apenas com esse olhar.
Afasta de mim essa água
E esse pó!
Que me faz feliz...
Afasta de mim essa mistura calma,
Afasta de mim essa paz,
Afasta de mim esse carinho,
Esse amor...
Eu simplesmente não consigo!
O teu olhar...
A minha paixão...
O meu futuro,
Na tua mão.
Não! Não pode ser! Não!
Não me olhes assim,
Porque eu quero...
Mas não posso.
Porque eu não tenho,
Mas perdi vontade de.
Porque eu não sou,
Mas nunca soube o quê.
Porque eu não te resisto,
Mesmo sabendo que me vais usar...
Não me olhes assim,
Não me deixes ver o teatro
No teu coração,
Não me mostres
Assim com tanta luz
Essa encenação...
Não me deixes
Adivinhar-te o corpo,
Não me deixes
Pensar que te amo,
Não me deixes
Beijar-te apenas e só
Porque quero.
Não ilumines a minha vida,
Esse teu olhar é luz demais,
Essa tua expressão,
Abarca-me, abraça-me
Prende-me...
Dá-me sentença eterna,
De felicidade instantânea.
Dá-me factura mensal
De gramas e gramas de dor,
Que não sentes.
Apenas a transmites,
Espalhá-la com vontade,
Com gozo, com desprezo até...
Olhas-me assim,
Como nem eu próprio
Me consigo olhar.
Tocas-me na face,
Abraças-me e levas-me...
Adormeces, e eu não acordo.
Por favor não me olhes assim...
de Nuno Vieira
(obrigado Nuno pelo poema... é sempre bom receber poemas assim tão bons para partilhar)
E então a noite foi mais calma,
pude descansar
de todas as guerras já havidas,
fechei os olhos
para assim voltar a estar comigo,
encontrar e saber a verdade do meu eu
medir razão, expressa em força
fazer o cálculo que dê a solução
de um problema que não é só meu!
Pensei e pensei
em busca de algo que fugia,
vi candeeiros apagados,
vi noite à luz do dia,
mãos estendidas pedindo,
o aconchego de outra mão
olhos com fome,
sorrindo à sombra da morte
mulheres bonitas,
doando ao homem que tiver sorte
vi trocar amor - moeda,
álcool fazer paixão,
afogamentos em copos,
amor vendido ao balcão!
Era tudo tão confuso,
quis fugir, sair de mim
voltar ao mundo que sei,
que não é bom
mas é o meu, apenas meu,
porque eu o fiz!
Quis também que tu viesses,
nú de tudo
quis-te puro, quis-te meu,
só, como bastante
ainda não sei se vieste,
talvez estejas a caminho
mas o que sei, isso sim,
continuo a esperar,
que a tua nudez seja minha!
de "Roxy"
(esta malandra aos poucos tornou-se uma certeza aqui no Poetry, é uma poetisa fora de série com uma sensibilidade incomum, adoro o que ela escreve e sinto-me honrado que tenha escolhido este pequeno sitio para afixar a sua poesia... obrigado Roxy... um grande beijinho)

Hidden Thoughts by L. Nimoy