É dificil não pensar em ti... Estás tatuada no meu coração
Talvez não tenha sido amor... Apenas paixão
Mas o certo é que entraste... neste sitio gelado
No meu coração sombrio... que por trevas foi afogado
Agora que o meu sol já não brilha... A noite está gelada
As estrelas encantam o meu olhar... tal como tu ja encantaste
Talvez tenha sido melhor teres partido... mas será que não posso sofrer?
Tudo não passou de um sonho perdido... que estava destinado a morrer
Os nossos corações fundiram-se cedo demais... ainda cheios de dor
Cedo se separaram... devido á falta de um verdadeiro amor
Talvez um dia quando as sombras desaparecerem
Talvez um dia quando não tivermos outras pessoas para culpar
Possamos esquecer os fantasmas do passado
E possamo-nos amar...
Para a M.
de Sérgio Fortunato 18/03/2004
(outra das já grandes certezas do café)

All Alone by Tottinho 10
As palavras são pintadas,
Adornadas,
Como prostituta que sai
Para ganhar a vida.
Pinto-as de cores vivas brilhantes,
Visto-as com roupas atraentes
E exibo-as .
Mas quando me olho ao espelho,
O espelho real
Não o espelho das palavras
Enfeitadas como putas.
É a mim que vejo
Sem pintura, nem adornos.
E sinto no fim de cada poema
Que tal como as putas,
Houve algo de mim que vendi.
de Ana
(já prata da casa)

Waiting for you by Melissa Bergerstock
Vai haver um almoço de Blogs em Maio no Porto.
Eu já me inscrevi... e tu? Porque esperas?
Vemo-nos por lá...
(e não esquecer um cafezinho!!!)
Arranco o carro no desespero do atraso. Olho o relógio, olho a estrada. Contorno os carros com precisão e mestria, ziguezagueando entre eles à medida que progrido. O objectivo é claro. Chegar a ti. Estou atrasado hoje, aquele último cliente demorou em demasia e eu não consegui antes desmarcar-lhe a consulta, escusado será dizer que mal o ouvi. Agora luto desesperadamente contra o relógio e contra o trânsito para ainda te conseguir ver hoje... nem sei o porquê desta minha obsessão. Talvez sinta que ainda esmorece mais o nosso amor quando não nos vemos... talvez te sinta escapulir ainda mais por entre os dedos... só sei que há esta imensa necessidade de te ver...
"- Amar não é ter medo de se perder uma pessoa..." dizias tu... dizias que o verdadeiro amor não podia nunca ser medido pela falta que as pessoas fazem umas às outras mas sim pelo bocadinho de felicidade que se dá à pessoa que se ama, pela devoção com que nos escutamos, nos completamos, nos tornamos cúmplices. Fácil para ti falar... não estás apaixonada por ti como eu estou. Não sofres como eu a incerteza de um amor em fase terminal. Como um doente sem cura agarrado a uma última réstia de esperança, demasiado desorientado pela dose de morfina que disfarça a dor... o teu sorriso...
"- Merda... mais um sinal vermelho!" O mundo inteiro conspira no meu atraso, contra mim... carros acidentam-se barrando o trânsito, velhinhas atravessam vagarosamente nas passadeiras, o condutor do carro que vai à minha frente conversa vagarosa e distraidamente ao telemóvel, até a polícia saiu toda à rua hoje para controlar a minha velocidade. Tudo me parece puxar para longe de ti, como mãos invisíveis que me puxam pela roupa, pelos braços, pelo cabelo, que me prendem, me seguram. Será isto o destino?
Chego finalmente ao lugar combinado. Tu saíste um minuto mais cedo e eu cheguei um minuto mais tarde. Um minuto, tudo quanto basta para mudar uma vida, para decidir um destino, para dar um beijo ou trocar um olhar. O tempo consegue mesmo ser uma coisa relativa, apologia da teoria de Einstein ao rubro. Mas contrariando-o, porque por muito mais depressa que eu consiga ir, há coisas no tempo que, como o próprio tempo, não é possível retroceder. Mas também, se pudesse voltar atrás... será que mudava alguma coisa mesmo? Será que tudo não terá o seu lugar? A sua lógica...?
Fico parado com estas divagações na mente. Como o semáforo imóvel plantado na estrada. Maldito minuto, maldito relógio, maldito tempo... Tudo o que eu queria era apanhar o teu sorriso nem que fosse de relance, nem que fosse num segundo... maldito tempo... maldito segundo... maldito sorriso...
É com isto que estou quando me apercebo das horas... já estou atrasado para outra coisa qualquer.
Arranco o carro no desespero do atraso. Olho o relógio, olho a estrada. Contorno os carros com precisão e mestria, ziguezagueando entre eles à medida que progrido. O objectivo é claro. Afastar-me de ti...
de João Natal
(Tambem aqui onde a minha alma repousa)

auto bahn by David Ho
Grita,
fria e dura,
a ferida que me rasga por inteiro.
Desvaneceu-se no horizonte
o som do riso.
Permaneceu
o cortar de limites.
Com o abismo nas costas,
olhar turvo
da névoa de te não ver,
sinto a vertigem
do recuo.
de ccc

* by zest me potion
(obrigado pelo poema tão lindo... esta é a minha melhor maneira de te responder aos e-mails... beijinhos)
É já neste sabado o encontro sobre a Epilepsia.
Espero ter ajudado na campanha de divulgação deste evento.
A todos os que aderiram à campanha, um grande obrigado.
A todos os que decidirem comparecer, um até já...

Não faltes...!
O Há Coincidências está em obras...
Em breve voltará cheio de coisas boas...
Vão ver!

Já o tempo voa para alem da memória residual do que éramos. Eu, tu, nós… tudo o que nos unia e por nós servia como dínamo do planeta. Chama-lhe egocentrismo cognitivo, chama-lhe romantismo exacerbado, chama-lhe o que quiseres. Mas a verdade singela é que assim eras para mim, a medida de todas as coisas. A referência humana de todas as medidas, a pessoa certa, apesar de todas as nossas incompatibilidades malucas.
Hoje passei perto de tua casa, naquela rua onde tantas vezes te esperei em vão por coisas fugazes, coisas triviais. O teu sorriso, um aceno, um simples vislumbrar repentino da tua passagem na rua, por vezes apenas o teu vulto delineado na sombra do cortinado da tua janela. Passamos bons momentos aqui, nestas ruas quadradas e mecânicas desta cidade suja. Onde os prédios simétricos eram gigantes de pedra que assistiam testemunhas do meu amor por ti. Hoje são apenas jazigos desmesuradamente grandes onde se enterram vidas de pessoas às dezenas. Tudo é demasiado desinteressante, demasiado mortiço, desprovido de vida, de cor, de alma. Sinto a tua falta… sabes?
É engraçado imaginar a quantidade de coisas vulgares que fazíamos juntos, sem nunca atribuir grande valor ou significado a essas mesmas, como se sempre as tomássemos como garantidas de parte a parte, como um casamento velho e gasto onde já nos tínhamos habituado um ao outro. Estranhamente hoje vejo a importância desperdiçada em cada momento não gasto contigo. Em cada gesto em que não te afaguei o cabelo, em que não te beijei as pálpebras fechadas sempre que sorrias, e como sinto saudade desse sorriso… sabes?
A vida é feita de coisas triviais, hoje sei… coisas insignificantes que juntas formam uma história, um passado, a razão de uma ausência, e a razão do peso dessa ausência. Essas pequenas coisas fazem-me o homem buraco que hoje sou, nas pequenas coisas que me assombram no pequeno homem que me tornei, na trivialidade da vida banal que me resta. Nos dias que tenho sem te ter. Na vida sem ti…
de João Natal

..... by Murat Harmanlikli
(tambem aqui, pelas razões que já todos conhecem)
Tenho fome de ti...
sede...
desejo...
Preciso tanto de ti,
como um vampiro almeja sangue...
Num torpor de agonia,
negro,
atroz,
cruel,
sentindo a animalidade da besta
rastejar dentro de mim...
Nos lugares mais recônditos das minhas trevas,
trepando algures,
tentando sair,
num frenesim de loucura...
Anseio,
como um drogado sem dose...
consumido até ao tutano dos ossos num fogo interior...
Dor física,
ausência de razão...
Inquietude,
dependência...
Incompleto, desmembrado...
Tenho tanta fome de ti...
tanta...
de João Natal
04/06/2003

A luz da cidade baila no rio, como pedras preciosas num manto negro de veludo. O tempo está de chuva mas quente, intenso e molhado como um sonho arrojado. O teu perfume deambula pelo ar como incenso queimado, algures entre o exotismo da fragrância francesa da tua colónia misturada com o suor salgado da tua pele, a combinação... é um explosivo aroma agridoce, algo indiscritível...
Não sei como te consegui atrair até aqui hoje, mas ainda bem que cá estás. Como uma aranha mortífera estendi a rede, esperei pacientemente e aqui estás. Mas qual de nós dois será verdadeiramente a presa? Não estranhas nem um pouco quando me inclino sobre ti e te beijo suavemente. Apesar do intenso desejo de te possuir desenfreadamente, a contenção vem sobre a forma camuflada de um beijo suave... tu gelas momentaneamente e eu recuo. Tu agarras-me pela roupa e puxas-me a ti. Estranha esta dança! Retribuis o beijo, plena de paixão. Recuo eu, incrédulo. E ainda mais me puxas, quase me rasgando a roupa. O beijo cresce, como uma onda na praia enrolando a areia, na espuma e sal duma manhã de Verão. Os meus dedos deslizam pela tua face ruborizada decorando no tacto todas as linhas, todos os traços, todos as curvas. As tuas mãos viajam pelo meu cabelo e pela minha roupa, num vai vem constante de movimentos intensos. Puxas, empurras, despenteias e mordes-me o pescoço, páras...
“ – João... é tarde... leva-me a casa!” Disseste fria enquanto te penteavas e compunhas a roupa amarfanhada. Percebi imediatamente a tua postura e nem tentei convencer-te de contrário. A noite profunda já caíra e era tempo de voltar a casa.
Fico com os beijos quentes que aqueceram ainda mais a noite. Fico com o teu gosto rebelde na boca. Fico com o sabor nos lábios daquela gota de suor salgado que tinhas no pescoço. Fico com o teu perfume nas mãos e o teu sorriso na cabeça… fico doido de vontade de fazer amor contigo… confesso…
Tu sais sem olhar para trás nem vacilar, dás-me um beijo formal na face e despedes-te com um “ -Adeus João…”
Fico contigo na cabeça… tu ficas com a minha alma. Troquei-a por pouco… por uma noite quente… mau negócio… não achas?
de João Natal

Passion by Baki Kocaballi
Apetece-me estar quieta,
refugiada no cantinho que criei
Apetece-me dizer 'não',
para não ter de fazer vontades
Apetece-me, finalmente agradar-me,
não ligar ao que os outros possam pensar
Apetece-me falar ou escrever só sobre música, o universo, teorias ou pensamentos que muitos acham estranho e não ligam.
Apetece-me aprender mais e mais sobre aquilo que escrevo.
Mergulhar bem fundo no silêncio da música
Apetece-me não explicar.
Quem não percebe, percebesse!
Apetece-me não ter paciência, mas não me sinto mal por isso.
Não dá? Passa-se à frente! Não há tempo a perder!
Apetece-me que a luz que eu sei que transmito (sim, todos nós temos uma luz e a minha não é nem mais nem menos especial do que a de ninguém!), parta de mim, e em mim, em vez de ser reflectida nos outros. (Contenção de custos energéticos!)
Apetece-me ver caras novas e experientes.
Quero aprender com a Vida e com os vividos!
Faz-me bem à alma. Uma lufada de ar fresco.
Apetece-me escrever de um modo asneirosamente asneirento ou asneirentamente asneiroso...
Apetece-me e sabe-me bem.
(obrigado Filipa por este poema em português, é bom ver que o teu talento não se esgota nos poemas em lingua inglesa)

m(l)ight. by Sandra Indermuehle
"É no teu olhar que estão todas as palavras guardadas para mim,
Não digas nada...
É ao teu toque que toda a segurança transparece,
Não prometas nada...
É assim que nos quero,
no silêncio,
devorando cada pedaço
desconhecido,
lentamente,
pois o tempo é nosso,
Não te apressses..."
de CCC

O ciclo lunar - Políptico: Painel 2 Lua cheia by Margarida Cepeda
Indesctritivel, simplesmente belo, poderoso, hipnotizante... este filme não é só um filme, é uma obra de arte, é poesia na tela.
Entrou directamente para a pequena lista dos filmes da minha vida, e fez-me pensar e sentir muita coisa enquanto o via.
Chorei enquanto o via... e acreditem que poucos filmes até hoje tiveram este efeito em mim.
Por ser um hino ao cinema, a Deus, e à fé... e por ser de tal maneira belo, aconselho afincadamente a toda a gente que o veja.

Hoje é dia mundial da poesia, um dia bom para nos recordarmos de coisas boas.
Que a poesia seja as pedras do caminho que pavimenta a vossa estrada.
Assim deixo-vos a sugestão de outro sitio onde podem ler boa poesia.
um sentido abraço a todos os que são habituais leitores da poesia deste café e a todos os novos que vierem...
Já notaram que hoje em dia somos todos demasiados exigentes uns com os outros?
Já notaram que se somos demasiado frios, as pessoas querem que sejamos mais “humanos”, se somos uns sentimentalistas elas querem que sejamos mais “pés assentes na terra”, se amamos não devemos amar porque é um sentimento demasiado assustador e forte, se não amamos é porque somos frios e insensiveis...
Já viram que quando somos divertidos somos considerados os “palhaços” do grupo(seja ele qual for) mas quando somos calados querem que sejamos divertidos e faladores...
Porque é que temos de moldar as pessoas á nossa imagem?
Porque é que temos de gostar de alguém só porque é parecida connosco, e detestar logo quem é diferente?
Será que somos assim tão egocentricos que só achamos que é bom quem é como nós?
Eu começo a sentir que sim, e talvez seja por isso que acho que este não é o meu Mundo, talvez ainda não tenha partido porque tenho uma restea de esperança dentro de mim, para encontrar alguém que me aceite como eu sou, defeitos e qualidades, que receba de braços abertos o meu lado luminoso e não fuja a 7 pés do meu lado negro...
Espero que quem não tenha encontrado essa pessoa um dia encontre, eu vou continuando á procura dessa pessoa e sofrendo, afinal a dor é um sinal de que estamos vivos, e bem vivos, e se a continuamos a sentir é porque achamos que vale a pena viver...
de Sérgio Fortunato

Beatas by BipBip
Desculpai onda, que só te magoo
Que te corto, rasgo, esventro, furo...
Por agora o Amor perdi-o todo
Aquele que já foi mais forte que um touro
O Amor foi-se. Sim é verdade!
Para um, que para outro nem sequer...
As forças perdi pelo meu egoísmo, maldade
Nem sequer existiu, continuando! Falando da mulher.
Estas as diferenças são entre elas
Ondas que sempre amei apenas pausei
Evoluído estou pois as volto a achar belas
Mulheres que sempre quis mas nunca amei
Perdão peço, mas alto lá com elas!
Espero não ser já tarde pois na verdade, Já muito chorei...
de Rod Atluco

Paisagens by Rui Camara
As noites são passadas assim. Olhos no tecto escuro, vagos e tristes, semicerrados, semiabertos, perdidos na ausência de luz. O escuro do tecto assemelha-se a um abismo, um abismo sem fundo nem fim. Um buraco negro que tudo aspira, incluindo a minha atenção. Talvez como o abismo que um dia me disseste que eu podia saltar pois estarias sempre lá para me aparar a queda. E eu saltei crédulo... um Ícaro perfeito não achas?
O tempo torna-se uma coisa relativa quando estamos deitados à noite a contemplar o nada, vitimas da falta de sono e do peso da consciência. Os segundos demoram minutos, os minutos horas e as horas dias. Conseguimos fazer autenticas viagens no tempo, mergulhar no passado ao ínfimo pormenor, pensar na vida.
Lembro num flash o sol quente a bater na minha cara, o vento forte levantando a areia da praia, arremessando-a contra nós, o reflexo da luz no teu cabelo ruivo e o contraste deste com o azul do mar da paisagem. Tínhamos a vida pela frente e era esse o rumo que queríamos seguir, não tínhamos passado, nem erros, nem pecados. Apenas vontade de sermos felizes. E inocência... muita inocência.
A barra de Espinho enchia-se de espuma quando o mar desabava sobre ela. A areia brilhava enquanto dançava ao vento. O sol deitava-se lentamente sobre o mar tingindo-o de um laranja vivo. As cores esbatiam-se secas como o “cottage” de Monet.
Adormeço finalmente com o calor do sol a bater-me na fronte, sinto uma sensação de conforto e aconchego. Assumo uma posição fetal, fechada sobre mim mesmo, no abrigo do cobertor morno. Adormeço...
Toca o despertador violentamente aos gritos mecânicos. A hora urge, o frio regressa, o peso, a consternação, a responsabilidade. Levantar, acordar, retomar a vida. Retomar o quê? Ah... a vida... mais uma noite que mal dormi...
de João Natal

Changing Light by Robert Whiteman
Fecho os olhos e vejo...
vejo-te ao piano,
os dedos deslizando
de tecla em tecla
numa dança íntima
cujos passos
apenas tu conheces.
Fecho os olhos e ouço...
ouço-te em silêncio,
o coração nas mãos
desfiando sentimentos
de nota em nota,
num marulhar de sons
que inunda os sentidos.
Fecho os olhos e sinto...
sinto-te em cada som,
inconfundível digital
de um tocar
por ti reinventado,
abraçando o ar
como num embalo.
Fecho os olhos...
e é a ti que vejo
e ouço e sinto
em cada movimento
sublimado em sensações
tecidas a preto e branco,
pura essência de ti...
E é tua a música
porque a defines
e lhe dás forma...
E és música
porque te define
e te diz quem és!
de Maria J. Carvalho
(obrigado Maria... fantástico... fico feliz por a tua presença por cá continuar!)

Il pianista by Francesca May
Já conhecem a minha laranja metade?
Um bom sitio para acalmarem o espirito... confiem em mim...!
Cidade mulher és amante quente
com os teus braços longos de betão.
Tens mármore e vidro no coração
sonolento durante o dia dormente.
Mas à noite mudas e és diferente,
com as filas de carros num borrão
como colares de iluminação
com que te enfeitas caprichosamente.
És tu cidade mulher feminina,
misteriosa e repleta de magia;
a dama cuja chama aprendi a amar.
Nesse teu ar de senhora menina,
a sedutora catraia em rebeldia.
És a que ninguém consegue domar.
de João Natal
09/03/04
(dedico este poema ao meu Porto)
Ponte D. Luis à noite by Amen
"Conta-me que fantasias tinhas..." e ela contou e riu porque recuou a um
tempo em que as fantasias, revisitadas, pareciam ingénuas e alheias.
"Mostra-me como te tocavas..." e ela mostrou e tocou-se com gestos de adolescente e com gestos que fora aprendendo, foi assim de novo adolescente e mulher.
"Diz-me se há algo secreto, que nuncas tenhas ousado..." e ela ousou e
desvendou-lhe os segredos, o corpo mistério nunca antes revelado.
Abraçados descansaram do amor feito.
"Conta-me tudo outra vez..." disse-lhe ele baixinho ao ouvido.
de Ana (uma já certeza no Poetry)

Eros: The Duo Images by Lindsay Garrett
Eu nunca vi um animal selvagem sentir pena de si mesmo, Um passarinho cairá congelado e morto de um galho sem nunca ter sentido pena de si mesmo.
de D. H. Lawrence
(enviado por Marcelo Lanza)
O mistério invade a minha alma…
Faz-me puxar pela imaginação
Faz-me perder a calma...
Acelera-me o coração
Como serão os teus sonhos?
Como serão os teus pesadelos?
Como serão os teus desejos?
Serão feios ou belos?
Será que o teu olhar...é frio e distante
Ou será que ele...brilha como um diamante?
Será que o teu sorriso...transmite paz e amor?
Ou será que ele apenas disfarça...uma grande dor?
A ansiedade asfixia-me
Faz bater mais forte o meu coração...
Serás uma agradável surpresa...
Ou uma enorme desilusão...
Nada disso interessa desde que sejas apenas tu...
de Sérgio Fortunato
(enviado pelo próprio, já um escritor habitual no nosso café)
O mundo é hoje um imenso fraticídio. Hoje não escrevo poesia, apenas choro por todas as pessoas que morreram em Espanha.
Quando irá parar a guerra civil dentro do coração dos homens?
Quando irá acabar todo este ódio?
Olho por olho e acabaremos todos por ficar cegos...
Hoje apenas rezo pelas almas de todos os que inocentemente partiram.

Candle by Francis Pope
E a campanha de divulgação da epilépsia continua. E tu? Já sabes tudo o que precisas de saber sobre o assunto? Ainda vais a tempo...
Agradeço desde já a todos os amigos que já aderiram à iniciativa. Guardo este vosso gesto no meu coração.
Eles são:
Amigos que já aderiram:
Zen
Lua
Cacaoccino
O desenho do ver
Xobineski Patruska
Ao meu encontro na estrada
Espreita aqui
O teu olhar
Bichinho de conta
Passo a passo
Adufe
Old Afternoons
Pautas Desafinadas
Ginger Ale
Jardins Proíbidos
Dúvidas Dúbias
As comadres
Voando à deriva
E tu? Estás à espera do quê?
Hoje voltei a esperar-te. Tu trabalhaste até mais tarde mas eu não o sabia. Assim esperei-te na hora do costume no local de sempre. Saí do meu carro e senti imediatamente o frio intenso que se fazia, abotoei o casaco até cima e subi as golas como é meu hábito. O vento frio mordiscava-me as orelhas geladas e brincava com o meu cabelo rebelde, lembrando-me de como me costumavas despentear. Desloco-me ágil até chegar junto do semáforo onde te costumo aguardar, encosto-me a ele, rebusco o interior do meu casaco e tiro um cigarro para fumar. Preciso de formar uma forma côncava com as mãos para o lume do isqueiro não apagar com o vento. Tiro uma passa profunda, olho na direcção do cimo da rua, olho o relógio no pulso.
È irónico; passamos a vida inteira a batalhar de forma inglória com o tempo. Estou aqui parado a desejar que ele passe mais depressa para mais depressa estar contigo e, ao mesmo tempo, estou a odiá-lo profundamente, a desejar que ele nem sequer passe, pois cada dia que ele avança, mais um dia se aproxima da tua partida. Estranho não achas? Como ele nos molda e muda, nos faz crescer. O teu mau feitio já não me afecta, a vontade de estar contigo suplanta-o... até a tua frieza ou a incerteza do que sentes... o tempo ajudou-me a superar isso tudo. Mas estranhamente o mesmo companheiro que me ajudou agora te leva. Irónico não achas?
Dou por mim demasiado perdido em pensamentos profundos quando me apercebo da hora... já é tarde demais e eu tenho de ir embora! Acabo por não te ver de novo. Atiro a beata acesa para o jardim à minha frente. Apago-a com o pé, calcando sem querer um “amor perfeito”. Mas o que é que um amor pode ter de perfeito? Que raio de nome mais estúpido para dar a uma flor.
Amarfanho o casaco à volta do pescoço para tentar aquecer-me, de repente fiquei com mais frio. O mundo todo é um lugar frio hoje à noite.
de João Natal
09/03/04

lost in town by -m.c. -lopez
As folhas secas dançam no chão
num estranho bailado
tocado pelo vento
numa manhã de solidão.
Arvores acenam como almas penadas
num gesto forçado
vergado, sem alento
murmurando coisas passadas.
Nos meus olhos reside o teu riso
caindo como chuva
gota a gota na calçada
esvaindo-se de mim todo o juizo.
O vento passa em turbilhão
na janela turva
velha e quebrada
escancarada, rasgada no coração.
Tudo em mim é Inverno,
mar encrespado em ira.
Tudo em mim arde perdido,
condenado ao inferno.
Tudo em mim foi esquecido
porque tudo é mentira...
mentira...
de João Natal
15/12/2001

midnight ~ red moon rises by Lars Raun
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
de Vinicius de Moraes
(enviado pelo amigo Márcio)

s by marcin klepacki
Na clareira estático ficando
Olho "les animales" a correr
No escuro anseio pelo sempre pisando
Mas na luz, ah como eles conseguem morrer
Minha liberdade enfrenta o muro
o caule que não consegue ser cortado
Apesar de todo o esforço futuro
Esta minha raiz é, tenho o destino delimitado
Deveras mais bonito sou
Minha vermelha pétala eles invejam
Mas porquê? pois cinza ela se tornou
Meu egoismo nao permite o monólogo
Muitos como eu estão
"Inferno da clareira? à esquerda logo..."
de Rod Atluco
(enviado pelo próprio... benvindo ao café)
Se penetrar é posse
queria penetrar-te.
Não ter o teu corpo,
ou tu o meu.
Mas simplesmente, penetrar-te,
Entrar em ti
Sentir o que tu sentes.
Se entrega é posse
Queria que te entregasses,
Assim como me entrego
Quando me penetras.
E posse, não é mais posse
Mas dádiva, partilha
Porque possuo quando me entrego,
e tu rendes-te penetrando...
de Ana
(mais um poema encandescente desta tórrida poetisa)
Quero ser a luz dos teus olhos
a carícia do teu toque
o veludo do teu beijar...
Quero ser em ti
a força vital do amor
que o espírito alimenta
e ao corpo traz calor.
Quero ser para ti
o que és para mim...
Ah! Amor
que me preenches!
Sem ti sentir-me-ia
como uma concha,
oca e vazia,
perdida por esse mar.
Ah! Amor...
Só contigo sei amar!
de Maria J. Carvalho
(enviado pela própria, uma estreia absoluta aqui no poetry... uma estreia que adivinha muita boa poesia por estes lados desta autora... obrigado Maria...)
De aqui, de onde te observo camuflado em desejos irónicos, pareces-me bela demais.
Espreito sem licença, de uma janela longínqua que não sei se existe.
Voyeur conformado nunca te conhecerei. Temo a luz, assustam-me os olhares estranhos. Vivo na sombra, passo o dia à espera da noite, quando te revelas silhueta curva em contra-luz inventada.
Imperfeito, seria película exposta ao sol se algum dia me visses. Assim, escolho a penumbra como habitat e restas-me como única ligação ao mundo que conservo na minha imaginação.
Isolado, desenho-te em traços impressionistas com tintas invisíveis azuis da cor que me lembro do céu.
Vives na minha mente mas és, eu já não sou, fui, mas quero voltar a ser contigo, imortal e perfeito.
Para mim, já somos, mesmo que sejas bela demais...
(enviado pelo próprio... obrigado Gustavo e benvindo ao Poetry, as portas estarão sempre abertas à tua poesia)

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simb’lo do Pecado.
Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.
No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,
Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!
de Augusto dos Anjos

Prelude by Hakan Aker
(enviado pelo amigo Márcio Gama o primeiro blog que li quando comecei esta bela aventura)

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga
Que a América roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau
de Carlos Tê e Rui Veloso

Kloster Mill by Kaj Nielsen