junho 30, 2004

Mais um dia...

Mais um dia, mais um poema
tudo regressa paulatinamente ao seu estado normal
à primordial ordem determinada de ser.
A vida retoma a vida que é
e a perda de ontem dá lugar ao vazio que fica.
Restam as memórias dos que amamos,
resta o sorriso que lembramos
com o sorriso com que os lembramos.
É mau dizer adeus
mas é bom nunca dizer adeus no coração.
Aí sim começa o paraíso de quem parte,
no lugar eterno da saudade que deixam
e do carinho com que ainda
chamamos seu nome.

Mais um dia, mais um poema,
mais um passo em frente
na vida...

de João Natal
29/06/2004

(um sincero obrigado a todos os que me apoiaram tanto neste momento dificil, nunca o esquecerei...)


Sunset. by Dr. Rafael Springmann

Publicado por D_Quixote em 01:25 AM | Comentários (5)

junho 29, 2004

II Coríntios 5

1. Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda, for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas.
2. Por isso, suspiramos neste nosso estado, desejosos de revestir o nosso corpo celeste;
3. e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus.
4. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, e assim, aquilo que é mortal seja absorvido pela vida.
5. E quem para isso nos preparou foi Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito.
6. Por essa razão, estamos sempre confiantes, sabendo que enquanto habitamos neste corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor,
7. pois caminhamos pela fé e não pela visão...
8. Sim, estamos cheios de confiança e preferimos deixar a mansão deste corpo, para irmos morar junto do Senhor.
9. Em todo caso, quer fiquemos em nossa morada, quer a deixemos, nos esforçamos por agradar ao Senhor.
10. De facto, todos deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal.


(segunda carta aos Coríntios, Biblia Sagrada)

Clouds by Bill Hogan

Publicado por D_Quixote em 01:12 AM | Comentários (8)

junho 27, 2004

adeus pequenina...

irei cumprir a promessa que te fiz...
descansa em paz.

Publicado por D_Quixote em 11:56 PM | Comentários (10)

junho 26, 2004

até já pequenina...

Segurei a tua mão como se o fizesse pela ultima vez. Estava quente mas dormente, como uma folha velha caída no Outono. Olhava para ti com carinho e dizia-te... "estou aqui pequenina... o teu Nuno..." mas o teu olhar de sofrimento atravessava-me. Eu era agora apenas um borrão de luz com uma voz familiar. Tu tambem te tornaste isso mas de uma forma muda. Chorei por dentro relembrando a tua força, a tua energia ilimitada, eras uma mulher pequenina, mas com uma força e coragem que parecia que podias pegar num touro de frente, como um forcado destemido, jovem e imortal.

Olho de novo para ti, retomando a realidade cruel. Estás prostrada nessa cama, quase inanimada, a unica coisa que te suporta é o amor que te temos. Já nem me pareces reconhecer quando me olhas... maldito cancro.
Roi-te por dentro como a dor de te perder me roi a mim. E a morfina já nem parece fazer efeito... maldita doença...
A vida tornou-se apenas uma contagem decrescente nestes ultimos dois anos, onde fazemos apenas por passar felizes o tempo que temos contigo. Continuo a fazer isso. É bom ao menos poder despedir-me de ti.

"quando eu ficar melhor..." dizias-me ainda no meu aniversário... incrivel o teu espirito de luta. Nunca te dás por vencida, pois não?... Admiro isso!
Voltei a apertar-te a mão com carinho e força, dei-te um beijo e disse... "até já pequenina..." porque mesmo que te vás embora, e eu sei que te vais embora. Um dia irei ter contigo, e o tempo que nos separar, será apenas saudade que mataremos, abraçados a sorrir.

"amo-te muito pequenina... dorme bem..."

Alone by Bulent Ahiskal


(para ti pequenina, para que muitos te lembrem e nunca te esqueçam...)

Publicado por D_Quixote em 06:29 PM | Comentários (14)

intervalo de um gesto

percorria o tempo agarrado ao tronco
à espera que os frutos
amadurecessem

o sabor percorria a língua
nos frutos amarescidos
enquanto o mel corria da colmeia
provisória de um ramo renascido

no intervalo de um gesto

a folhagem afagava os pomos
e a casa adormecida no beiral
dos lábios em combustão.


de José Félix
17.06.2004

(já estava com saudades da poesia fora de série do José)

* * * by Sonia ~

Publicado por D_Quixote em 09:21 AM | Comentários (0)

junho 24, 2004

Nú de amor

Eu estou no teu olhar porque me vejo lá.
Um abraço como o teu, já não acredito...
É verdade, não cheguei a despir-me totalmente,
mas nunca me senti tão perto de o ter feito.
Um abraço como o teu, já não acredito...
Uma manhã parei na entrada da cozinha,
tu punhas a roupa na máquina de lavar,
usavas o vestido curto que deixavas em minha casa
porque vivias longe.
Nesse momento vi a tua alma, a alma que amei,
disse para mim- É aquela mulher!
Na cozinha, de mãos molhadas,
no quarto, com o hálito possível de acordar
na casa de banho, apoiada no bidé
na sala, a ler e a comer cerejas
és aquela mulher, hoje onde quer que estejas!
A tua mão cabia tão bem na minha,
os teus lábios ligavam tão bem nos meus.
E tu gostavas tanto do meu arroz de peixe,
dizias que o fazia com carinho, ainda faço,
só que tu já cá não estás...
Sabes que me deito ao lado do teu vestido!
Agora que as noites estão quentes, nem abro a cama,
não pelo calor, mas porque não estás lá, para entrar nela comigo.
E eu assim também não entro.
Mas sabes que voltei a entrar no carro, uma destas madrugadas!
Desci à praia, tirei a minha roupa, vesti o teu vestido.
Molhei os pés e tive a sensação de que uma estrela me amou
Serias tu, meu amor?



de Miguel Patrício

(mais um poema fantástico que me deixa sem palavras... bravo Miguel...)

trembling blue stars by Tolis Elefantis

Publicado por D_Quixote em 01:08 AM | Comentários (9)

junho 23, 2004

Autoretrato

25 anos, quarto de século passado
cabelo curto e grisalho,
olhar esverdeado, rasgado e triste.
Poeta sempre, apaixonado,
cavaleiro andante por ideais batalho
bramindo poemas como espadas em riste.

25 anos, ombros magros, médio alto,
barriga boémia descuidada,
face trigueira rosada e risonha.
Coração sempre em sobressalto
mas trago nele o nome da amada
e nos lábios o poema com que ela sonha.

25 anos, quarto de século bem gasto
olho para trás e vejo o que fiz
tudo o que tive e o que estou a ter
sei o que quero, e para o que quero basto
sou a teu lado, amado feliz
e isso é tudo amor, o que eu quero ser.


de João Natal
23/06/2004


Na data em que completo esta idade engraçada, aproveito para fazer este poema, em jeito de balanço da minha vida. A todos os que costumam visitar o Poetry e a todos os que o comentam, um grande e profundo obrigado. Vocês são a melhor prenda que um humilde poeta pode ter.

um grande abraço

Love by Ryan Bailey

Publicado por D_Quixote em 01:02 AM | Comentários (17)

junho 22, 2004

Não me deixes mais...

Não me deixes mais
É preciso esquecer tudo o que passou,
O que ficou pra trás
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
O tempo perdido
A pensar demais
Esquecer as horas que quase mataram
De dúvida e de medo
A felicidade
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais

Vou te oferecer
Pérolas de chuva
Vindas de um país
Onde não chove mais
Cruzarei a terra, muito além da morte
Para cobrir o teu corpo
De ouro e luz
Criarei um reino
Onde o amor será rei, o amor será lei
E tu reinarás
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais


Não me deixes mais
Que eu inventarei palavras sem nexo
E tu compreenderás
Para falar de amantes que por muitas vezes
Sentiram seu próprio coração queimar.
Eu vou te contar
A história de um rei
Que morreu tão triste
Por nunca te encontrar.
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais

Dizem que é comum
Renascer o fogo
De um velho vulcão
Que não arde mais
Também já se viu
Em terras destruídas renascer mais trigo
Que no melhor Abril
E para se inflamar
Uma tarde no ar, o vermelho e o negro
Não se casam jamais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais

Não me deixes mais
Eu não vou chorar, não vou mais falar,
Vou ficar em paz
Quero só te ver
Dançar e sorrir
Quero te ouvir
Cantar e falar
Deixa-me existir à sombra da tua sombra
À sombra da tua mão
À sombra do teu cão
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes...



de Jacques Brel
1959

The Big Mistake by Arthur Sevestre

Publicado por D_Quixote em 12:32 AM | Comentários (6)

junho 21, 2004

Ponte sem fim

Caminho sobre uma ponte de gelo,
Implantada sobre o mar.
Sei que a ponte vai cair
Sei que posso escorregar
Sei que me posso destruir,
Mas não consigo parar de caminhar!

Não posso fugir.
Não vale a pena abrandar.
Estou a adorar o perigo
De me poder vir a esmagar.

Vivo cada pegada na ponte
Como se do último passo se tratasse.
Não sei até onde posso ir
Não sei se a ponte vai ruir,
Antes de eu a atravessar.
Mas a vida é feita de riscos
E eu tenho que arriscar.
Só assim, conseguirei passar!


de Ana Marta


MOLO audace by donatella tandelli

Publicado por D_Quixote em 08:52 PM | Comentários (3)

junho 18, 2004

Diário da tua ausência – amar é perder

Hoje pensei em ti, ao passar casualmente nos lugares comuns onde coexistíamos felizes. Tu à tua maneira e eu à minha. No jardim de betão que a tanto assistiu entre nós. Nos nossos sítios… sim, foram nossos.

Por breves segundos semicerrei os olhos e recordei-te. Serena e bela como nunca, num sonho perdido o meu sonho perdido. Mentalmente os meus dedos percorriam nos sulcos pequenos da tua face, aqueles que separam as maçãs perfumadas do teu rosto dos teus dentes alvos e brilhantes, aqueles que os sorrisos marcaram terna e lentamente em muitos anos vadios de juventude. Anos passados a sorrir, lembra-me.
Abri de novo os olhos para não chocar no trânsito borratado. Volto a mim, de novo lúcido nem que seja por um pouco. Mas continuo agora com o pensamento em ti reflectindo hipoteticamente todos os ses em nós, no passado, no presente, no não futuro.

Amar é perder Dalila, agora sei. Amar é amar tanto que não interessa com quem. Dizer “és livre como o vento para partir sem rumo, volta apenas quando te cansares do mundo e dos amantes, quando a vida não tiver mais segredos, quando te sentires velha e só, quando o teu coração pensar em mim e apertar, eu estarei por aqui… não serei uma amarra”.

Tiro uma passa mais prolongada, esmago o cigarro no desterro do cinzeiro, cheio de beatas e cinza, cinza desfeita como eu. Abro as janelas engreno a quinta e fujo à fila, encostado à faixa mais da direita fuzilando quem se atravessa com os máximos. Quem dera que os engarrafamentos da alma se pudessem furar assim. Quem me dera poder escolher a próxima saída e escolher melhor o percurso sem confusão. E tudo parece tão simples não é?

Mas o João que conheceste não era eu, esse não sabia. Amava demais até no degredo. Não pensava nos custos nem nas consequências, magoou-te tantas vezes que perdeu a conta… hoje cresceu e ainda te ama.

Amar é perder Dalila, agora sei.

de João Natal
18/06/04

Traffic by Mark Farouk

(hoje resolvi voltar a dar alguma continuidade ao meu conto, sendo que a ideia principal é unificar as histórias, partindo os diferentes temas por capítulos. Assim, crónicas do nada e diário da tua ausência farão parte da mesma obra, em tempos e circunstancias diferentes. Aglomero as histórias à medida que me ocorrem fundindo-as a seu tempo numa continuidade lógica. Mais capítulos surgirão com tempo... espero... O meu agradecimento bem grande a todos os que me costumam ler).

Publicado por D_Quixote em 01:00 AM | Comentários (8)

junho 17, 2004

Combinamos corpos

Combinamos corpos em espumas ardentes
abrimos mundos no nosso mundo
e todo o planeta se evapora
num segundo
combinamos sonhos sem pensar
combinamos frases sem falar
e todo o entendimento se resume
a uma fúria ausente de ciúme
a escassos dóceis espasmos de prazer
a gritos e gemidos de mulher
rugidos cristalinos de paixão
lascivos toques quentes e a função
que deus a tudo isto inventou
é só que a morte pare num segundo
e o paraíso venha a este mundo.



de Luis Daniel

(um poema muito bonito, enviado pela amiga que já é uma referência na poesia deste café, a Ana Marta)

Nude by Yuri Bonder

Publicado por D_Quixote em 12:46 AM | Comentários (2)

junho 15, 2004

Quem dera...

Porque jamais te quis causar dor
Até ferir ou magoar
Um dia apenas gostava que sentisses o sabor,
Leve, das lágrimas,
Agua com dor, que por ti vou derramar

Ainda que pareçam salgadas,
Doces serão, no meu olhar
Onde brotam profundas e molhadas
Rios de pequenas gotas,
Orvalho de Outono a chorar

Tenho de me evadir e enganar o sofrimento
E ver-te triste, sorrir, sem partilhar esse momento



de Teófilo

(obrigado Teófilo por este poema... é simplesmente lindo... e diz algo mais do que aparenta, descubram lá...)

dream by Ewa Brzozowska

Publicado por D_Quixote em 11:50 PM | Comentários (1)

junho 14, 2004

A alma, o nada.

Freneticamente busco a mim mesmo.
Na simetria das linhas
Caminho com frases
Não conto historias
Nem quero reconhecimento
Apenas transcrevo sentimentos.

Eu sou assim
Algumas palavras
Alguns sentimentos
Muitas lágrimas.
Um só motivo.
Um só amor.
Por uma única mulher.

Identifico-me com tantos
Mas igual a ninguém
A dor dilacera a fibra
Mata o sonho
Sufoca a vida.

Dor de uma vida
De uma vida sufocada
De sentimentos oprimidos
Do amor que se esgota.

A alma em chamas
Consome a vitalidade
Tira o brilho do olhar
Mas cauteriza a ferida
Que tanto sangra.

Em meio ao desespero
Salto! Salto em busca de ar
Salto no abismo sem fundo da alma
Salto em busca de algo
Algo que talvez Nunca encontre
Em busca de mim mesmo.


de Antonio Kovalski Junior

(obrigado Junior por mais um texto cheio de profundidade e sentimento)

untitled by Igor Herzyk

Publicado por D_Quixote em 11:24 PM | Comentários (3)

junho 13, 2004

Refeitório

Escolhi o dia de amanhã para te dizer quem sou
o lugar de onde venho e aquilo que pretendo,
só to direi amanhã.
Hoje vou continuar assim, como tenho sido.
Não esperes grandes novidades, a ementa é escolhida à semana,
quando entendem ser muito o barulho no refeitório,
costumam calar-nos com uma nova disposição da mobília.
Se me encontrares de costas para ti, acredita que nada fiz para isso
tenho permanecido calado,
faca na mão direita de frente para o Mário, que hoje é canhoto.
Mastigo devagar, penso no tão diferente que sou do garfo...

Levei o guardanapo à boca e ele foi entrando, não me assustei.
Foi muito suave, quem o fez, fê-lo bem
deve ter treinado o gesto vezes sem fim.
Parabéns à Renova
ninguém reparou
eles fazem isto tão bem!
Saí da mesa sem ruído,
tal qual o guardanapo entrou na minha boca,
ninguém reparou!



de Miguel Patrício

(já estava com saudades da tua poesia Miguel... ainda bem que ela está de volta)

At the Dinner by Lady Delaila's

Publicado por D_Quixote em 12:04 AM | Comentários (7)

junho 12, 2004

sonho-te meu

Acabar com o pensar constante
voar nos teus olhos
devorar o agora
ouve-se o raiar do dia
relógio sem sentido
apaga-se o tempo.

palavras e mais palavras
enroladas nas línguas
que se encaixam
vindas dos corpos
que se descobrem.

sai-o a correr
volto para me saber

Estou aqui no pertencer-te
velo o teu sono de menino
sonho-te meu
começa o despertar
fica-se envergonhado nesta sede
de mergulhar fundo
e nadar em nós.


de CCC

(palavras para quê quando me chega às mãos a tua poesia?... muito bom, como já nos habituaste)

Pasion by Andy Tasher

Publicado por D_Quixote em 12:51 AM | Comentários (7)

junho 11, 2004

Tua verdadeira vontade...

Tua verdadeira vontade
De sentir dentro de ti
O frenesim que há em mim
Seria o sonho mais utópico
Desta evidência real.

Dedos que se comem
Bocas que se afagam
Línguas que se cruzam
Beijos que afastam
O medo da solidão.
Sorrisos de prazer,
Aumentam a tentação
De te querer ter
Dentro de mim,
Pois dás-me tesão.


de Ana Marta

(um poema torrido para estas noites quentes)

Desire by Edde Cavalcanti

Publicado por D_Quixote em 01:19 AM | Comentários (4)

junho 10, 2004

Amor

Bateste à porta

num dia cinzento de Primavera e antecipaste [em mim] o cheiro dos nenúfares,
dos crisântemos, das espigas debulhadas, do centeio semeado pelos campos, do teu corpo [no meu] espalhado nas águas do rio, poluído agora com os nitratos do teu amor.

e o corpo do rapaz de Bagdad estremeceu ao tocar do último tambor e a cabeça
de John rolou... rolou... rolou... no imaginário do espectador ocidental.

instalando-se a indiferença, zipando as cabeças e os membros decepados, a
irreverência, o lucro imediato, a história dos milhões, a foto da rapariga
afegã, o míssil, o olhar rebelde do rapaz e o dono do relvado.

e o sangue dos tigres imponentes e majestosos jorrou no firmamento.

e eu não estava...

de Nancy Brown

(o segundo texto desta autora com o seu estilo muito próprio)

Sharbat Gula, Pakistan, 1984 Afghan Girl by Steve McCurry

(e esta a foto premiadissima do Steve McCurry pelo National Geographic)

Publicado por D_Quixote em 01:14 AM | Comentários (1)

junho 09, 2004

Vou

Vou.
Num passo acertado com a minha solidão.
Num balancear distraído dos meus braços.
Em sorrisos que teimo guardar. Eternos.

Vou.
Demasiado cúmplice dos meus segredos. dos meus sonhos.
Querendo sempre mais. demais.
Possuindo cada passo meu. apenas.

Continuam.
os meus passos.
e continuo.
Parado.
na perfeição de momentos que serão imortais,
que não possuí totalmente .
E por isso nunca duvidarei
que serão para sempre belos.


de AMAC

(mais um poema teu, com a qualidade que te conhecemos, um abraço...)

Alone by Gregory J. Mclemore

Publicado por D_Quixote em 12:51 AM | Comentários (4)

Cor-de-laranja

Quem não acredita
que temos uma pessoa guardada
uma alma geminada que nos está predestinada
Há quem julgue que não andamos á procura de uma só pessoa
Com quem passar esta vida dura

Mas descobri a cura pra tanta falta de crença
Logo á primeira vista, contigo, na tua presença
Senti a minha energia
colar-se na tua
brincar com a tua
rir rimar e voar com a tua

Tudo parou por momentos
Tudo cessou de existir
Tudo por instantes pra assistir á cena evoluir
Foi um fluir um desfile de pontos em comum
Um alimentar de pontos vitais há muito em jejum
Paixão cresceu em mim, algo bateu forte
E me deixou atordoado por uns tempos sem norte

Espero que a sorte me ajude
a esperança não mude
que a paciencia aguente firme nesta atitude
até que surja ocasião mais oportuna
P'ra união deste poeta com a sua musa

de Ace (dos Mind da Gap)
enviado pela nossa leitora Janaina... obrigado...


ACE
"Intensamente"
Ace Produktionz/NorteSul

Queria levar-te numa volta num clube para fora daqui
P'ra longe daqui, hoje, ou quando desse jeito pra ti
Respeito por ti mantenho por enquanto só sonho
em tardes passadas contigo com vista po Douro
Curtia passar o dia deitado, só a olhar,
só a falar-te ao ouvido coisas ditas com ar
Massajar-te com o óleo perfumado a sandalo
enquanto, incenso espalha aroma no meu quarto

Imagino-me a despir-te,
imagino-me a sentir-te,
a beijar-te, a acariciar-te
Nunca fugir, nunca mentir-te,
ver poesia, cds mostrados
Ver nascer o dia contigo e quadros pintar-te,
Fazer graffs com o teu nome, colours ou silver,
Passar isto para a realidade por saber como é incrível
Quando comunico contigo tenho prazer de te ver,
Guardo a tua imagem nos olhos vou mante-la a sorrir,
Luto com tudo e com todos se for preciso mas fico!
Não arredo pé que afinco na convicção do que sinto,

Queria que visses o mundo diferente do que conheces,
Que vivesses uma vida a sério como a que mereces,
Que me tivesses a teu lado,
Para que acreditasses nas possibilidades de encontrar a felicidade se
amasses,
Se visses, que a atracção é mais que fatal, mais que local,
O meu interesse em ti é mesmo total,
É platónico, nada existe ninguém sabe, ninguém se apercebe disto,
Que em mim quase não cabe,

Quase expludo, guardo tudo isto bem lá no fundo
Aguardo a tua receita pra trazer ao meu mundo
Não me iludo,
Mas acredito no sentimento
acima de tudo espero que isto fique no pensamento
Que te faça sorrir, vibrar de contentamento,
Parar por um momento, fazer contas ao tempo,

Já perdido sem sentido, acreditas no destino?
Tatuei no braço por saber que me ia encontrar contigo,
Arrepiei-me quando vi pela primeira vez o teu sorriso,
E enquanto escrevo isto arrepio-me quando penso nisso.

Não sabias disto?
Chegou a altura de descobrires, de sentires, tenho uma razão a dar-te para
sorrires.

Publicado por D_Quixote em 12:27 AM | Comentários (1)

junho 07, 2004

Exposição de Pintura

"POR MARES NUNCA ANTES NAVEGADOS"
de VINCENT DA ROCHA DIOH

10 de Junho a 31 de Julho
Sacristia da Capela da
Universidade Moderna do Porto

No próximo dia 10 de Junho será inaugurada a Exposição de Pintura “Por Mares Nunca Dantes Navegados”, na Universidade Moderna do Porto, agradecendo desde já toda a divulgação que possam fazer da iniciativa.

Décima primeira exposição de pintura de Vincent da Rocha Dioh, um menino de 9 anos que sofre de síndrome de espectro autista, que reunirá 19 obras datadas de 2001 a 2004.

Esta exposição consiste numa ilustração, sui generis, do texto Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, cujo nome é o título de uma das obras patentes na exposição.

A inauguração de exposição será precedida da Conferência “A História da Pintura do Vincent”, na qual a Professora Zélia Rocha, mãe de Vincent, conta a história da pintura do seu filho de 9 anos, desde os seus primeiros passos, em que ele pintava as paredes da casa, até à fase actual, percorrendo as mais de 10 exposições até agora realizadas.

Convidamos assim a estar presente na conferência, assim como a visitar esta interessante exposição, patente de 10/06 a 31/07, de 2ª a 6ª, das 8h às 24h, Sábados, das 8h às 18h.


Resolvi repassar esta mensagem, isto são as coisas que nos engrandecem e este menino merece todo o respeito e carinho do mundo! Obrigado Claudia por me dares a conhecer este artista.

Publicado por D_Quixote em 11:34 PM | Comentários (3)

junho 06, 2004

Nesta língua de marinheiros

invente-se
uma pequena porta para um mundo em estereofonia
e lá dentro
um pequeno universo cheio de planetas
com som de violoncelo
e tem graça, de repente
surgem-me asas e deslizo no vento
vem-me calor e encaixo na tua luz
as minhas folhas dormem sorrindo
e o meu poema é mel rodopiante
sereno e fofo como uma pétala
e fico meio triste, meio acabado
meio azul, meio simples
um gato que voa e papagaios brincando no fundo do mar
uma lágrima transparente cheinha de sentido
uma criança que dorme
e tudo, mesmo tudo
o que me faz gostar do mundo
sorri


de PoetaVampiro

(enviado pela amiga Ana Marta... obrigado Ana por nos dares a conhecer este teu amigo)

Soft as Silk by Natalie Papadopoulos

Publicado por D_Quixote em 11:53 PM | Comentários (5)

Sim tu

Escrevo por causa de ti
Ao princípio não soube o que senti
Mas agora sei que te amo desde o dia que te vi

Ponho no papel o que não te posso dizer
Porque sei que não vais entender
A verdade é lixada
Ninguém gosta de a ouvir
Por vezes ela é tramada

Vejo-te sempre na minha mente
Mas tu aqui és uma pessoa diferente
Já não estás ausente
Tas no meu coração e tas sempre presente

Pequenas partes de mim levaste
Mas nem deste conta do importante que encontraste
E passou-te ao lado
Acho é que fui descuidado

Será que algum dia me vais ouvir?
Ou vais estar sempre a fugir?
Estás sempre a escapar
Mesmo que seja o único a te amar
Vejo-me no espelho
E não me reconheço
Desde que sinto isto por ti
A minha vida virou do avesso

Era melhor se não conhecesse ninguém
O problema dessa altura é que quero ter alguém
Espero que sejas tu
Mas já sei que não
O que posso ter pra mim é a solidão

de Niu

A Midnight Toker by Daniel Mccain

Perdi a concentração
Estou a ouvir algo?
São as batidas do meu coração

Hoje estou com a inspiração cheia
É por causa do stress da vida alheia
Que também se tornou minha
Por tua culpa, sinto uma coisa fofinha
Que ta junto do meu coração
Ainda não sei se é amor ou paixão

Gostava de receber uma prenda
Tipo uma coisa que me surpreenda
O teu amor já era bom
Digo isto alto e em bom som
É para toda a gente ouvir
Porque é isto que estou a sentir

Por ti viajei pelo mundo
Mas agora fui até ao fundo
Já não consigo sair daqui
Por mais que tente
Eu só consigo ser feliz ao pé de ti

Olhas-me com esses olhos e não percebes o porquê
Eu amo-te bue e o teu coração não o vê
Está corrompido por alguém
Que não quer o teu bem
Eu quero ver-te feliz
Seja ao pé de mim
Ou de outro gajo que nada te diz

A tua dor também é a minha
Se estás triste eu também estou
Não aguento ver-te assim
Pra longe é onde vou

Por falar contigo 5 minutos fiquei assim
Impotente de dizer algo positivo
Fiquei instável
Desculpa agora já não sou uma pessoa fiável

Estou pra?qui a sofrer
Porque não me estás a ver
Também sofro por ti
Tudo o que tás a sentir também já senti

Todas as vidas têm ciclos
E o meu não tarda em acabar
A única coisa que não acaba é a minha vontade de te amar
Preciso que me salves
Que me leves pra longe daqui
Pra um sitio onde eu seja feliz
Esse lugar não é longe
É só estar perto de ti

O medo é grande de perder a tua amizade
Parece que quero mais
Só espero que olhes pra mim
Antes de ser tarde demais

Ainda não estás a perceber?
É de ti que gosto não me deixes a sofrer
Tas a entender? Ou ainda não?
Por favor ouve o coração

Vá! Diz alguma coisa
?Não sei? não é resposta
?Sim? ou ?Não? é a minha proposta
Não digas que não sabes
Tenho algumas hipóteses?
Eu sei que não?
Tenho vivido numa ilusão?

Tudo está diferente
Vi logo que não estavas presente
Tu podes mudar tudo
Porque eu sozinho não mudo

Ficas-te completamente diferente
Não me explicas a razão
Antes quero um não
Do que tu estares sempre ausente

Já não percebo nada disto
Não sei o que surgiu
Mas o que sentias por mim fugiu

Queres mesmo saber?
Vou te dizer mesmo sabendo que vou sofrer
Não digas que não foste tu que pediste
E agora que já sabes é triste
Foi a partir desse dia que fugiste

Estou tão em baixo e tu ainda gozas
Já está tão negro aqui
Acho que é melhor fechar os olhos

A morte é uma solução
Sempre a dor é menor que a do coração
Quando isso acontecer digam à ?¿XXX??
Que eu sempre a amei
E pra onde vou não a esquecerei?

Publicado por D_Quixote em 11:28 PM | Comentários (3)

junho 05, 2004

Fado para Valéria

Onde estavas tu amor
Onde estavas?
Quando nos dias de chuva triste
Deste sonho que não existe
Eu chorava e tu cantavas.

Onde estavas tu amor
Por onde andavas?
Nos dias de tempestade
Em que eu morria de saudade
Não era em mim que tu pensavas.

Onde estavas tu amor
Onde te encontravas?
Quando perdi toda a razão
E parti o meu coração
Por ser quem tu não amavas.

Onde estavas tu amor?
Onde estavas?


João Natal
17/05/04

Fado by Nuno Oliveira

Este foi um poema que escrevi especialmente para a Valéria. Depois do desafio lançado, a falta de tempo e até mesmo de inspiração para tão dificil tarefa, fez-me ir adiando a criação do mesmo. Um dia saiu, depois das muitas visitas ao blog, cantarolando palavras ao som de guitarras na cabeça. Este poema é teu amiga, para alterar, riscar, apagar ou cantar. É a prenda mais sincera que te posso oferecer... um pedacinho de mim.

Publicado por D_Quixote em 06:50 PM | Comentários (8)

Casino

Violenta é a razão dos que amam,
pobre a fortuna dos que perdem...
O amor...
...o amor é um jogo de azar
e a casa ganha sempre.
Comprei todas as fichas que podia,
vendi tudo,
perdi tudo,
até a alma pus no prego
para tentar mais uma vez
a minha sorte contigo.

Neste jogo viciado,
de cartas marcadas,
de dados tendenciosos,
de roleta russa
com croupier sabido...
Somos todos jogadores
Uns com sorte...
... outros como eu...
Vendi tudo,
perdi tudo,
até a alma pus no prego
para tentar mais uma vez
a minha sorte contigo...
... meu vicio...


“Casino” João Natal 21/03/03


dice by Mattias Eklund


(volto hoje a postar este poema porque o ofereci, juntamente com outro mais recente, a alguem fora de série, que pela sua simpatia, pela sua presença, e sobretudo pela sua grande alma já conquistou um digno lugar na blogosfera e junto dos nossos corações. Escolhi este poema para lho oferecer, talvez pela musicalidade, se a tiver, pois o desafio será a Valéria o cantar num quente fado... a ti Valéria... muitos beijinhos e um prévio obrigado por me autorizares a postar os poemas que te enviei e por poder contar sempre com a tua preciosa companhia).

Publicado por D_Quixote em 12:38 AM | Comentários (4)

junho 04, 2004

Plena ausência de limites

Não. Não me definas.
Recosta-te no meu peito,
envolvo-te no meu quente
e adormece.

Esquece outros olhares
que te trespassam
longínquos nos fazemos
até de nós,
seguros na presença sólida
dos nossos corpos.
Revês-te nas palavras
que não digo?
Segredo-te um desejo
num sorriso,
soçobra um universo
esmorecido
pela força desta paz
que me transmites.
E é na plena ausência de limites
que me perpetuo
sem ter acontecido.


de Bruno Amaral

(mais um poema teu Bruno que só vem confirmar o que eu pensava, és mais um valor confirmado pela tua poesia... um abraço e um obrigado)

Sculpture in shadow by meewosh

Publicado por D_Quixote em 01:56 AM | Comentários (6)

junho 03, 2004

Olhos Verdes

Olhos verdes de ilusão
Recheados de gigantes iluminados,
Percorrem-me os sonhos mais molhados
Em noites frias e sombrias.

Cabelos agrestes,
Fácies assombradas,
Lábios de coruja envelhecidos
Beijam rapazes carentes
Com longas carícias ausentes
Perdidas mansamente entre os gemidos
De corpos vencidos
E almas abandonadas.

O que se passou já não me pertence.
Nada tenho a ver com o que fui.
Apenas um desejo,
Nada mais que uma vontade
De te ter, comer, sentir e perceber
Que afinal nunca foste
O que realmente quis para mim.



de Ana Marta

(mais um poema fantástico teu)

faceless. by Sandra Indermuehle

Publicado por D_Quixote em 12:52 AM | Comentários (3)

junho 02, 2004

Molly

Molly avança dançando na calçada austera, estas pedras da calçada não são
pedras límpidas! Molly desconhece outras pedras, como em todas as calçadas
rectilíneas e anoitecidas pelo seu andar atarantadamente simétrico,
aprisionando a vida, gasta na sua calçada, dia após dia, noite após noite,
no calcorrear dos seus cinquenta anos.

Molly cantarola a indiferença e justa e inadvertidamente Molly espreita pelos
cortinados do vizinho do lado, guerreou? Não guerreou? Contrai os ombros,
agasalha o filho no regaço, desatado do acaso, calcorreando as pedras,
intempestivamente, 9 horas? é tarde! O vinte e sete, a calçada e Molly,
encorpada, suja e dura como o breu.

Molly desdenha o homem sombrio, o recruta, o alinhavo, a carteira vermelha,
chanel da ladra, cativando o uniforme, indiferente ao furador, horizontal o
olho pelo arranha-céus, fumo do escape, bálsamo sonolento e envinagrado,
cuspindo o chão e enaltecendo do defunto, os restos mortais.

Molly anoitece e canta, lavando a audácia enrugada, que versos tão bonitos!
Esgotando a arrumação, apinhando o juízo, as beatas, o ar do pó, o cotão e
toda a habituação.

Molly espiona os minutos do exibicionista, descansa, o divino? Sorve o verde da
garrafa e desequilibra o néctar na calçada, escarnecendo do souflé de
espinafres. O senhor dos anéis observa da vidraça, a criança mastiga o ranho
e engole a pastilha elástica, Molly cantarola, arruma as pedras no saco de
plástico e extrai a última carraça do rafeiro do João. Molly
despeitadamente sorri e o rafeiro enraivece-lhe a mão direita ganindo aos
supetões e correndo aliviado pela límpida e escorreita calçada em
sofreguidão.

Molly recupera o filho enxovalhado, sorry pelas horas tardias! Encaixa o puto e
cospe o sangue na calçada incólume, bebericando o último gole e cobiçando o
conforto do sofá do senhor doutor, saboreando o deleitoso souflé de
espinafres, do tupperware prenda de casamento, ah 1954! O Julião, o rapaz mais
jeitoso d'então.

Molly despeja o cachopo na sala, sorve o último gole, ansioso o seu olhar terno
e felino, pelo fim do dia e pela última refeição. Molly não desarma, solta
o rafeiro e desengonçadamente cantarola na cozinha. Adormece exangue ao canto,
acordando amiúde com os latidos, e a vida? Não sabe o refrão.

Molly por fim naquela límpida calçada, cantarolando e ouvindo ao longe o BU BU
do Alfa Pendular.



de Nancy Brown

(o primeiro texto aqui da minha contundente critica)

Getting there by Miguel Torres

Publicado por D_Quixote em 12:35 AM | Comentários (11)

junho 01, 2004

Eu tou aqui

Não tenho muito, mas o pouco que tenho é teu
Se mais ninguém te ouvir tu sabes quem te ouve sou eu
Quando tiveres triste, com falta de um amigo
Fecha os olhos não temas porque eu vou estar aqui contigo
Eu sei que pensas muitas vezes que queres fugir
Eu sei que gritas e não tens ninguém para te acudir.
Vida madrasta nada corre como a gente quer
Tens que enfrentar o destino para o que der e vier
Ao meu alcance faço tudo o que poder para ti
Peço desculpas pelos meus erros, sei que os cometi
Não vou julgar-te porque também eu posso ser réu
Não vou julgar-te porque quem te julga está no céu
Quero que saibas que podes contar com o meu amparo
Amizade pura é um sentimento cada vez mais raro
Conto contigo para fazeres o que faço por ti
E quando nada correr bem eu estou aqui

Se precisares de mim eu estou aqui
Quando quiseres falar eu estou aqui
Se te faltar um amigo eu estou aqui
Se precisares de alguém eu estou aqui

Tantas as coisas que juntos fizemos tu e eu
Custa a crer, mas a verdade é que o tempo correu
Nem sempre é fácil, às vezes frases magoam
Sem deixar mágoas porque amigos são os que perdoam
É quando se vê quem é amigo de quem, no mal e no bem
Sentindo desdém rodeado de gente sem nunca ter ninguém
Alguém para falar, sempre pronto a escutar
A mão que se estende, a mão que te ajuda a levantar
Quem te corrige quando tu não sabes o que é certo
Quem te dá água quando te perdes nalgum deserto
Sempre por perto, sempre pronto para chorar ou rir
Quem te conhecece e sabe quando tu estás a mentir
Não sou perfeito, mas sabes que sou sincero
Nunca te esqueças de mim, aqui é tudo o que eu quero
E espero que nada, nem ninguém nos faça separar
Conto contigo, comigo podes sempre contar

You can call me, I'll be right there
I'll be right there


de Boss AC


Publicado por D_Quixote em 11:59 PM | Comentários (2)

Cruzada infinita

E os moinhos lá longe esperavam por nós
como gigantes imponentes desafiadores do mundo,
monstros inultrapassaveis de pedra e mito.
O trote tropego do elegante Rocinante
cambaleava lentamente na direcção da aventura
e o fiel escudeiro seguia
como o agoiro que acompanha
ou a sombra que segue.
Meu fiel amigo, adiante os perigos
um homem não é homem se não levanta a espada
um cavaleiro não tem honra se não levanta a cabeça
um amor não é amor
se não se arrisca tudo.
Adiante então de lança em riste
na cruzada infinita por aquilo em que se acredita.


de João Natal
31/05/2004

Imagem fantástica de Alves, do Abstracto Concreto, a quem lancei o desafio de me ilustrar um poema... outro... mas a sinergia tem sido tão boa que surgem desenhos e poesia espontaneamente, um grande abraço para ti amigo.

Publicado por D_Quixote em 12:28 AM | Comentários (9)

Atitude Construtiva

No fim acabas só tu, como no começo
Enfim, pisas o chão, dás mais um ou outro passo
Olhas o céu, como outros olham o teu
O mesmo, porque é que fingem que nada aconteceu?
Trocas uma sala cheia por uma vazia
Sabes que seria igual, nada aconteceria
Pões os teus olhos à procura de rostos familiares
Encontras reacções dispares, muitas aos pares
Poucas sinceras, encerras a actividade social
No final contas contigo menos mal
Ficas perto de ti, a descoberto, sais do deserto
E ficas certo, estavas por um véu coberto

Transbordamos sentimentos,
Nestes hinos abordamos os momentos em que estamos sozinhos
Descobrimos caminhos, inspiramos vida
Ganhamos coragem para enfrentarmos mais um dia

É o que faz gajos mandarem-se da ponte
Do topo de um prédio, para matar o tédio da vida
Põem-se a monte, não há remédio
Quanto mais só estás mais só vais querer estar
Da teia de um ciclo vicioso que não sabes onde vai parar
Precisavas de uma palavra amiga, de conforto
Para fazeres o teu barco chegar a bom porto
Precisavas de uma mão que não se estendesse
Por interesse de alguém que te fizesse acreditar e amortece
Não preciso de elogios, prefiro abraços amigos
Abraços sentidos, mas tenho os braços quase partidos
Não quero tomar partidos num mundo onde tudo está à venda
Continuo a marcar encontros comigo próprio na agenda

A love changes
And the best friends became strangers


de Mind da Gap
(excerto de "Atitude Construtiva", album "Suspeitos do Costume", EMI V. Carvalho, 2002)



Publicado por D_Quixote em 12:05 AM | Comentários (0)