Após o sucesso que foi a semana da poesia erótica aqui mesmo, cabe-me agora o grande prazer de anunciar outro ponto quentíssimo na blogosfera.
Durante a próxima semana, o MP3za terá a semana temática da sensualidade na música. Serão oito dias e oito noites tórridos, com o erotismo à flor da pele, uma verdadeira orgia de sonoridades, procurando o êxtase total através da audição.
Sintam-se lá, vivam a sensualidade, recordem temas, lugares, momentos... a escolha é vossa... o prazer também...
e que o flirt comece...

Music NU by Yuri Bonder
Leva-me para longe.
Para o tempo em que não existe o “ter” nem o “ser”.
Leva-me para um mundo diferente
Sem espaços para chorar
Sem labaredas a queimar os corpos cansados de trabalhar
E de amar.
Leva-me contigo.
Prometo que não te deixo.
Guardas-me no bolso do teu casaco molhado
E atravessas o rio devagar.
Não quero que me vás perder.
Senão deixas-me morrer
por falta de ar.
de Ana Marta
(Ana Marta com um poema de cortar a respiração...)

starfish by foureyes
Veio até mim o Espírito Santo
viajava a noite no seu sombrio manto
leve e escorreito o meu corpo apresou
e o meu leito alvo o incorpóreo cativou.
As suas mãos macias as minhas enclausuraram
e um tremor ávido e sedento percorreu
a sua inquieta língua nos meus serenos lábios.
E numa geleia ardente se transmutou
o meu corpo aveludado em irrupção
e despontando para o deleite e agitação
os poros ocultos do meu atormentado ser.
Sequiosa nunca no corpo experimentara
uma tão proveitosa noite abençoada
perfumando o seu sémen a minha pele santificada.
A sua mestria irrequieta e brincalhona
coloria e desflorava a nova alvorada
e de ensejos de júbilo se encheram os céus
rezando então o seu vulto no meu corpo:
- em breve nova aurora se anunciará! -
Tendo experimentado no seu corpo o meu desejo
e encontrado em si novo destino
- como viverei? -
ah... e como a sua alma cheia de luz
o meu corpo deixou triste e magoado.
de Nancy Brown
Julho 2004
(este teu poema é um pecado delicioso Nancy... apenas lamento não ter já mais para ler...)

Movement by Garik Avanesian
Porque foste na vida a última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu, sem eu saber sequer
Porque és o meu homem, e eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser
de A.C Jobim / A. Oliveira
(uma poema de facto muito bonito, enviado pela Marlene Amorim que, pela primeira vez, decidiu enviar um poema de que gosta... espero que mandes mais... este fica dedicado "às pessoas que vão semeando sorrisos ao passarem pela tua vida")

We are "ONE" by Dieter Frangenberg
Boa noite amigos.
Como já devem ter reparado, a dinamica tem estado um pouco mais lenta aqui por estes lados. Peço-vos desculpa humildemente por isso.
Os vossos poemas não estão esquecidos, os vossos mails não foram ignorados, as mesinhas continuarão com o cafézinho quente à vossa espera.
A minha "mais-ausência" deve-se aos exames de Setembro que se avizinham, os quais quero passar para arrumar de vez com o curso.
É dificil neste momento conseguir conciliar estudos/blogs/emprego pelo que se acaba por reflectir um bocadinho nas menos vezes que tenho postado.
É só uma fase... em breve já passa... e quero agradecer a todos os que, mesmo assim, continuam a visitar-me diáriamente, ávidos de poesia e de leitura... a todos... o meu mais profundo e sincero agradecimento e um sentido abraço...
convosco no coração enquanto me aplico nos exames
Nuno Branco

que esperas
da boca fechada, dos olhos vazios, das mãos derreadas
da palavra gasta, da palavra morta, da palavra inútil
do instante prévio, do momento agora, do sei lá depois
de mim?
serei desprezível? invisível?
serei o silêncio?
serei o vento que temes do assobio remoto?
de onde surge? por onde passa?
que te fará?
já não me acreditas? já não me suportas?
eu nada acredito, nada suporto,
qual a novidade?
dirás defraudada a expectativa...
eu sempre te disse nunca te dizendo,
eu sempre te disse que nada perdura,
sempre te disse, calado nunca.
que é que isso interessa?
é obrigatório que se diga digo
que é inevitável.
querias certezas? isto!
fazes-me sentido? às vezes,
que me distraio da incoerência
e traço necessário o absurdo.
faça-se o silêncio
sobre tudo isso.
nada disso interessa.
dorme.
de Bruno Amaral
(Bruno de volta em grande como é habitual...)

Asleep on bench by Paddy Quinn
Tenho que seguir um caminho
E há tantos entroncamentos
À minha volta e eu sem destino
À esquerda o passado
À direita o presente
E que Diabo, só me apetece seguir em frente
Não posso fazer inversão de marcha
Porque o caminho que percorri
Já não existe
Podia virar à esquerda
Mas a rua em frente é atraente
E a vontade persiste
Podia virar à direita
Mas ficaria perdida
È uma rua sem saída
Em frente, que tentação
Mas é tão distante!
Avisto um qualquer sinal
Forço o olhar nessa direcção
Olho mais adiante
Desejo que os outros não levem a mal
A minha demora a escolher
Preciso decidir, preciso seguir
Começa a chover
Buzinam com insistência
As outras vidas paradas por minha causa
Por favor, mais paciência!
Começo aos poucos
A discernir o sinal
Tapo o sol dos olhos com a mão
Na rua em frente
Estás tu
Com o meu coração na mão.
E percebo de repente
Que caminho tomar
Sinto-me feliz e valente
Sei que vai demorar a caminhada
Mas a felicidade não é um destino
É uma auto-estrada...
de Ana Duarte

Speed of Light by Daniel Stratton
(um poema lindo desta amiga de longa data... eu gosto mesmo muito do que escreves Ana... tenho pena que não o faças mais vezes...)
Vivemos no teatro da dor
Um teatro onde as luzes da ribalta não existem, onde existe apenas lugar para a escuridão...
Um teatro onde a fama nos consome e os seus 15 minutos de fama tornam-se em 15 minutos de vergonha.
Vivemos no teatro da dor...
Um teatro onde não existem actores de carne e osso, apenas marionetas a implorarem para serem controladas, tudo em troca desses 15 minutos tão apeteciveis...
Um teatro onde o encenador tem de genial tanto como de doentio, que se alimenta de cada movimento dado pelas suas submissas marionetas...
Vivemos no teatro da dor...
Um teatro onde as cadeiras estão vazias de publico, onde jazem agora as almas do que outrora foram seres humanos e que agora não passam de ossos e pó...
Eu vivo no teatro da dor...

another perspective by eman banna
(este texto é fantasmagóricamente belo...)
Onde vais tu , mulher sem rosto.
Pela gélida noite sem Luar ?
Não responde a mulher,
Absorta fica a cismar !
Mas o vento volta a perguntar
Para onde vais ?
Estás perdida, ou foges de algo ?
Nessa correria que não fáz sentido,
Andas ás voltas sem destino
E ela nada !
Agora caminha...cansada
Com o rosto preso na calçada
Assustada...continua sem deixar
Que lhe olhem o rosto,
Como se uma maldição,
Lhe tivesse caído em cima.
E o vento sempre a perguntar
Por favor deixa-me ajudar ?
Posso-te levar onde quiseres,
Pois conheço todos os caminhos
E todas as gentes que por aqui passam !
Subirei Montanhas se assim te ajudar
Mas responde-me antes que anoiteça,
Basta um riso , um olhar , uma lágrima,
Eu sentirei isso no Ar !
Vou pedir à Lua e ao Mar
Que me venham ajudar,
Seremos teus guias, na tua busca
Não tarda a neve...
Mais tarde, virá o Sol...
O Outono...
E todas as outras estações,
Te iremos cercar num silêncio respeitoso !
Chega !!!
Chega !!!
" Nenhum de vós , ao meu enterro
estou farta da minha alma doente
não durarei um mês sequer !
mas, mal vos vejo , pulo alegre e contente
como se infância algum dia tivesse !
Só vos quero ouvir dizer : Boa Viagem !"
Coitado de quem fica...Adeus ! Adeus !
por Finúrias
(e mais um poema a ficar na retina enviado por este amigo tão interventivo...)

.deep by Marcin Hernik
Aos meus filhos este dia vou dedicar...
Esta manhã, vou apenas sorrir quando vir o vosso rosto,
e rir mesmo sentindo vontade de chorar
Vou-vos deixar escolher as peças a vestir,
sorrir e dizer: “Estais lindos”!!
Vou deixar de lado a roupa para lavar,
a casa por limpar,
pegar em vós e levar-vos para o parque brincar.
Esta tarde, vou deixar o telemóvel desligado,
o computador apagado e sentar-me convosco,
correr, saltar, jogar à bola ou ao balão
e porque não aprender a fazer bolas de sabão?
Não vou gritar nem resmungar.
Vou apenas deixar que me ajudem a assar
os biscoitos que juntos vamos preparar para o nosso jantar.
Esta noite, vou deixar que espirreis a água do banho
Vou deixar que fiqueis acordados até tarde
Vou–vos deixar ir para a varanda contar as estrelas.
Esta noite, apenas quero sentir-vos nos meus braços
e contar-vos a história que faz com que goste tanto de vós
Vou deixar de lado todos os meus programas favoritos da TV
e pensar nas mães e nos pais que visitam seus filhos nos hospitais,
com grito de impotência sofrida.
E quando o dia acabar
vou dar-vos um beijo de boa-noite,
vou apenas pegar na vossa mãozinha um pouquinho mais de tempo,
e então vou agradecer,
sem nada pedir,
excepto mais um dia.
de Dina Moreira
(este poema é um hino a todas as mulheres, enquanto mulheres e enquanto mães... e foi assim que esta poetisa talentosa se estreou aqui...)
As peças do puzzle não encaixam, por muito que eu as misture e remisture, por muito que eu as baralhe e volte a organizar. Faltam-me peças, faltas-me tu.
Já mudei tantas vezes a mobília que acabo por já não reconhecer o meu próprio apartamento. No fim, o resultado é sempre o mesmo… sobra o espaço vazio onde sempre sonhei ver as tuas coisas. Sobra sempre o silêncio que veio substituir o teu sorriso matinal.
Eu podia até fingir que não era nada comigo, repara! Foste tu que quiseste partir, embora tenha sido eu a dizer-te para ires. Mas de certeza que não te faço tanta falta. Eu sei. Mas as peças continuam a não encaixar. Nós encaixávamos.
Repara nas peças dos puzzles! São todas diferentes e distintas, cada uma com um padrão de cor diversa, com encaixes e formatos diferentes, contudo… a totalidade delas juntas na diferença que as compõem formam um todo. Não podíamos ter sido assim Dalila?
Em vez disso sempre fizeste por não encaixar. Como uma criança teimosa que teima em passar um objecto quadrangular por uma abertura em triangulo, birrenta e segura de si mesma nesse egocentrismo cognitivo que tanto te caracteriza.
Agora que penso bem nisso as coisas fazem mais sentido. Pois também reagias como uma menina pequenina quando te tornavas evasiva àquilo que não concebias… o meu amor por ti… acho que reagias como uma pequenina assustada.
Seja como for não te consigo esquecer ou odiar, mais que a desilusão do que não foi e da ilusão do que era, fica o puzzle desmanchado no chão. Eu de joelhos a tentar refazer a minha vida, sem saber ao certo onde param as peças, sem saber ao certo sequer se estão cá todas, ou se são todas deste mesmo jogo que um dia jogamos.
Estranho… parece que me estão a faltar peças à medida que me reconstruo… será que me faltas tu?
de João Natal

#2 of "The Puzzles of Our Lives" by Justin Wheat
Eu só queria
Um bocadinho de ti.
Não muito doce
Nem salgado.
Não queria frio
Nem molhado.
Apenas teu cheiro abraçar.
Eu só queria
Um pedacinho de nada.
Não muito quente
Nem para sempre.
Bastava um corpo ardente
Com sangue escarlate
Para eu beijar.
Eu só queria
Poder-te roubar
Para te levar a passear
Uma noite à beira-mar
E Talvez te pudesse dizer
Que te queria
Amar.
de Ana Marta
(mais um poema lindo da Ana Marta enquanto aguardamos o seu regresso das férias...)

couple at sunset by Fabricio Sousa
Saudade
nas montanhas opulentas
nas acácias em flor
nas amoras silvestres
no farpear das silvas
e no canto dos xistos na superfície das águas
Saudade
no velho barqueiro
na frígida geada
e nos alicerces do rio
anunciando a madrugada
Saudade
no cajado da senhora Olinda
gritando - Graziela! -
no telheiro alvo
e vigiando
as figuras em transição.
Saudade
no distinto rio Mondego
cuja soberba
ludibria os agricultores
e se recria
num húmus renovado.
A saudade
ágil e altiva
palmilhando os pensamentos
e amadurecendo o passado
no presente.
de Nancy Brown
Julho 2004
(simplesmente lindo este poema da amiga Nancy, que já se tornou confortavelmente uma das minhas presenças mais habituais e estimadas)

Her Little Secret by Jessica Hughes
As lágrimas correm
Mas nada parece valer
São dias que morrem
E deixam de acontecer
Procuro o farol
Neste mar que nos engole
Procuro na terra o tino
Neste inconstante desatino
Mas continuo a calar
A vontade de não sofrer
E a quase todos consigo passar
A vontade de te esconder
Sinto agora a boca salgada
Não sei se do salitre
Se da água dos olhos arrancada
De tua boca não será por certo
Porque jamais por mim
Tua doçura foi provada
Mas as lágrimas não param
Não parecem querer desistir
E todas as sensações disparam
Sem as conseguir discernir
Vem, vem arrancar esta dor
Vem me fazer esquecer
Vem festejar o amor
Vem comigo amanhecer
Não deixes ruir
O mais puro sentimento
Pois jamais poderei reconstruir
Esta brisa que apazigua o tormento
Não me deixes cair
De tamanha altura
Pois nunca soube desistir
Desta eterna procura
Peço que possas esperar
Pelo sonho que nos faz correr
Pela vontade de te amar
Pela vontade de viver
Mas não consigo conter
A água que por mim escorre
Pela face rios parecem correr
Apagando o fogo que em mim morre
Como gostava que pudesses entender
A maior frustração que me devora
Estar contigo e ter
E não ter, quando vais embora
É como ver a vida a verter
Através do vidro da janela
Ver na pintura tudo acontecer
E não sentir a suavidade da tela
E volto a sufocar
Todo um sentimento intenso
Cerro os dentes para não chorar
E é em ti que penso
É o teu sorriso que devoro
É teu abraço que me aquece
Por momentos não choro
Por momentos tudo se esquece
Consigo parar de tremer
Porque tua boca me aquece
Diz-me apenas que sim
Para não voltar a chorar
Porque tu és tudo para mim
És tudo que quero amar.
de Teófilo Pinto
(mais um poema para ficar na retina deste já nosso conhecido amigo)

Despair by Joel Bonda
Planeei hoje... a morte
que desfez
aquilo que uma vez
se chamou vida.
Mas o difícil do sacrífício
não é a imolação
que tenho de fazer,
é o desgosto
de matar a ilusão
para que o coração
possa morrer!
de Malandra
(o regresso da bela poesia da nossa amiga malandra)

A***y by marmur
Chega assim ao fim este ciclo tórrido de poesia erótica. Foram duas semanas em que vários autores que enviaram muita poesia, 17 poemas ao todo. Os "históricos" participaram, novos talentos foram descobertos, novos leitores vieram e juntaram-se aos habituais. Ficamos a conhecer novos talentos da fotografia erótica com fotos que sempre acompanharam os trabalhos.
O saldo foi positivo e eu estou feliz...
A todos os que vieram ler e a todos os que responderam ao meu desafio lançado de escrever, o meu mais sincero obrigado.
Hoje é bar aberto, paga a casa... aproveitem!!!

boudoir nº 23 by Didier Hubert
Eu e tu,
no suave contraste da luz fusca
na lânguida sofreguidão dos nossos gemidos
linguas que se exploram,
dedos que se entrelaçam,
sexos que se tocam
e corpos que se fundem
num só.
O vai e vem continua
pela noite fora sem pressa nem demora
como o ritmo pausado do mar
ora calmo e sereno
ora forte e violento ritmado
como a força das ondas nas rochas a rebentar
tomo-te minha
torno-me teu
no vai e vem intenso sem fim.
Toco-te
dedilho-te como um instrumento músical
procuro as estrelas do firmamento
nos detalhes da tua pele
nua,
quente,
minha...
E explodimos de prazer
na noite sem fim
onde o unico limite
é a manhã que ainda tarda
e o despudor da nossa imaginação.
Amor sem limite...
de João Natal

Reconheço a falta de trabalho, vontade
de preguiçar, escorregar sensual pelos lençóis, deslizar
quente e a cama fresca, retirar
meu agasalho, lançá-lo no chão, ficar
nua, ficar só pele, só sensações, animal,
deslizar,
rastejar,
crawling king snake,
eriçar todos os pêlos ao teu toque arfante
no entanto sereno, discreto
Rebentar, rasgar-me em
felinidade, alcançar os meandros da consciência
suprema,
subir, descer,
levantar, cair,
cair nos teus braços e não mais
levantar,
desmaiar sufocante de amor,
sufocar de delírio
gritar alto e bom som
dentro da alma que descubro
de Sandra

fotografia retirada de SWPlace
(um segundo poema desta autora que se estreia em grande e logo na semana da poesia erotica...)
as mulheres adoro e devoro
em pratos de corpo inteiro ou noutros
em que não sei que mais prefira
se as coxas volúveis se as nádegas
redondas o flácido seio já duro ou as covas
sob braços sob joelhos ou entre pernas o ninho
que de andorinha chinês não é
mas também aprecio o peito frito
por mãos hábeis a caldeirada
que de orgãos todos se produz.
Uso a cama como mesa e o meu
corpo para talher
os beijos de aperitivo e os suspiros
como aérea sobremesa.
Por força desta cadeia não entendo
não ter ainda malhado com os ossos na cadeia
por crimes execrandos de antropofagia.

Boudoir nº75 by Didier Hubert
(mais uma participação marcante deste nosso já conhecido poeta)
acaricia-me o coração e arrepia-me
a alma, provoca meus sonhos, meus
sentidos, engana-me com ilusões
sussurradas, promessas ao ouvido...
delírios transcendentais...
provoca-me ao tocar levemente meu corpo que,
entregue e trémulo, espera hesitante, atento...
com a ponta dos teus dedos leva-me ao arco-íris
e mostra-me a cor escondida, proibida do
verdadeiro firmamento...
leva-me a viajar, convoca deuses para me
servir, para melhor me amares...
perfumes pairam no ar, as fragrâncias do
amor inundam o nosso santuário, o nosso
corpo... a nossa pele transpira luxúria,
nossos poros exigem mais... o sonho é novamente
ressuscitado e, nos lençóis enrolados, quentes,
deixamos parte de nós de tão cheios que estamos...
derramamos, languidamente, pelo chão os bocados,
os excessos de paixão que não conseguimos guardar...
explodimos...
depois, frente a frente, demoramo-nos tempo
infinito dentro do olhar um do outro
Sonhamos abraçados, acalmando o vendaval passado,
sonhamos no calor dos nossos corpos ligados e, a
pouco e pouco, regressamos à realidade
Voltamos a ser estranhos
de Sandra
(uma estreia que antevê muita boa poesia)
fotografia retirada de SWPlace
Quando em ti me alimento
brota dos pêlos um gemido
como se de uma boca se tratasse
o teu corpo, todo púbico, todo amplo
Do cabelo até aos pés
és toda uma máquina de anseio
feita nascente de carne
Toda afoita toda aberta
Toda dona de uma mão
tão agarrada quanto incerta
de André Sebastião
(in A Minha Voz no Teu Nome, Editora Ausência)
(um bom poema deste autor que já conheciam com o nome de A.S.)

details by Michael Vahle
vem.
olha-me
fala-me
toca-me
lambe-me
consome tudo,
tudo o que há em
mim para consumir.
no fim sem fim
resta sempre
mais e mais.
de mim.

foto de Raquel Cruz (modelo, texto e composição de marília campos)
Olho para o teu corpo nu adormecido ao meu lado,
e sinto o vazio.
O vazio dos beijos que não se deram, das carícias que não se trocaram.
Tenho vontade de me encostar, e de ficar abraçada toda a noite.
Os meus seios a roçarem levemente em ti, e
talvez esse embalo faça com que o sono me visite.
Olho mais uma vez, estás tão desprotegido em toda a tua nudez e
abraço-te com mais força.
O calor do meu corpo nu junto ao teu faz com que acordes,
e a nossa fogueira começa ali .
Agarras-me com força e tudo em nós se mistura, as pernas,
os braços, as línguas, os meus seios nas tuas mãos, tu em mim.
É volúpia e dor. A chama que já foi desenfreada diminui aos poucos o ritmo,
até que se apaga por completo.
Sem olhares para mim, sais da cama e vais para a sala.
O prazer já não é o bastante, não temos mais nada para dar um ao outro.
Sem que me vejas espreito-te, ali estás sozinho e desprotegido novamente,
e aquele olhar que antes era de paixão agora só guarda o vazio.
de Rita Baptista

untitled by Jerry (foto enviada pela própria Rita que é uma estreia em grande aqui no Poetry Café)
Um som desfaz-se o outro se insinua
sai do compasso foge não se cansa
sobe a cristal a vaga não amansa
despe o silêncio até que fique nua
Não pára. Ruge. A minha mão na tua.
O surdo clamor, convite à dança
dos infernos. Espeta a fera lança
e diz-te que arte é carne crua.
Sopram os anjos. Canhões o ar se rende
enquanto a garra solta mais se prende
em teu cantar de lírios e de pasmo
Explode o grito nas raízes. Dei.
Agora vou-me embora. Voltarei
para matar o silêncio noutro orgasmo.
de Rui Costa

Boudoir nº 46 by Didier Hubert
(uma foto intensa para um poema intenso... já tinha saudades dos teus poemas Rui...)
A queridinha estava nua e, conhecendo-me,
Guardava sobre ela apenas os berloques sonoros,
Cuja variedade por imensa lhe dava um ar conquistador
Como o que têm as escravas mouras em dias de felicidade.
Quando lança dançando o tinir vivo e apelativo
Desse universo irradiante de gemas e metal
Me causa um tesão extremo porque me excitam loucamente
As cenas em que a luz e o som formam um híbrido animal
Ela estava pois deitada, para a fazer se preferisse,
E do alto do divã sorria de bem-estar
Ao meu vai-e-vem profundo e doce como o mar
Que em ondas posto nela por sua falésia subissem.
Retendo-me pelo olhar, como um tigre amansado,
Mudava de posição mentendo-se sonhadora e vaga -
O charme das suas metamorfoses era evidente,
Mas que dizer da candura dos seus movimentos lúbricos?
Seu braço e sua perna, sua anca e sua cintura
Pareciam de óleos polidos, ondeantes como cisnes,
Eram visões que passavam como imagens nuas;
Eram arcos seu ventre e seus seios, primores do meu vergel,
Que se abriam, mais pedintes que os anjos maus,
Para perturbar o repouso que a alma me pedia
E para destronar da rocha de cristal
Onde, dona exclusiva, se houvera instalado.
Pareceu-me ver unidos por uma nova figuração
As ancas de Antípode ao busto de uma imberbe,
De tal modo o busto fazia sobressair seu ventre.
A sua tez morena e felina revelava uma cosmética soberba.
A luz resignara-se entretanto a morrer,
Deixando à lareira o cuidado de iluminar o quarto -
Cada vez que crepitava um suspiro flamejante
Inundava de sangue sua ambrica pele.
Poemas Proibidos ( As flores do Mal ) de Charles Baudelaire

C. nude by floris andrea
(enviado pela Melancia em nome da equipa do Frutoxocolaty... e a temperatura volta a subir)
durante trinta longos anos
de joelhos juntos
guardou-se e resguardou-se
para os utensílios do futuro cônjuge
que aliás só aos vinte e oito
conheceu
agora atribui ao marido
o aparelho urinário
e de joelhos cerrados
sob as chávenas de café
instila amigos castrados
por mais trinta
ou trezentos anos
a revirgem
de Barbant

Boudoir nº9 by Didier Hubert
(um poema mais calmo e diferente, mas que não deixa de ter o seu muito próprio erotismo inerente)
Quedei-me no teu apelo,
nu teu corpo,
e o meu rosto
sorveu-te num brusco esgar
que transpôs
o horizonte.
Sofri-me em mil espasmos
em suave desespero
lançando ao terno afago
de interstícios
os meus dedos.
Num marulhar gemido
as dermes que, ondulando,
exalam do seu enleio
um salgado aroma acre.
São vagas impacientes
num ritmado crescendo
acercando-se da torre
que se ergue na imponência
da rubra vascularidade
e um céu que se desaba
promovendo ao arregaço
a aproximação em delíquio
ao teu ádito regaço
e na fusão de azuis
céu e mar que se caldeiam
findou-se mais preenchido
o odre que se despeja.
de Bruno Amaral

fotografia retirada de SWPlace
(um poema forte e cheio de sensações deste poeta já bem nosso conhecido no palco do café)
Apraz-me comunicar a todos os clientes e amigos do Poetry Café, que a adesão dos poetas ao desafio lançado da semana da poesia erótica foi de tal forma positiva que, devido à grande afluência de poemas, iremos prolongar este tórrido ciclo por mais uma semana.
Assim, contem com mais uma semana cheia de poemas intensos e quentes e fotos ousadas a acompanhar. Relembro tambem os poetas que ainda não responderam ao apelo que podem ainda enviar os vossos poemas para a minha caixa de correio como habitual.
Um grande abraço e um café quentissimo...

Regressava D. Quixote da sua luta inglória
contra o cavaleiro da Branca Lua
encontrando a noite tristonha e circunspecta
seguindo-a no entanto majestoso
e logo ali aceitando
os atilados conselhos de Sancho Pança:
- Descansai meu senhor! a fama longe soa.
E mais depressa a má que a boa. -
D. Quixote o seu corpo esguio ali estendeu
e em vastas esferas logo reconheceu
a silhueta feminina graciosa
da sua senhora Dulcineia de Toboso
a sua eleita
o indicador prazenteiro lhe estendia
guiando o seu olhar travesso
a uma láctea face torneada e fantasista
de olhar traquina e circunspecto
corpo nu e carnes rijas na ágil madrugada.
E naquele alvo prado encafuado
despojando-se dos trajes de cavaleiro
escudo e elmo, espada e lança
não sem protestos desaguisados
por sua carne seca e estirada
expor sem despudor à sua amada.
Olvidando a supérflua peripécia
o descaramento depressa o alcançou
e correndo como fedelho pelos viçosos prados
o jogo de amor com Dulcineia praticou.
Rápido e inquieto a alcançou
e as longas tranças acariciaram
o seu corpo quente e desembainhado.
de Nancy Brown
Jul2004

NUDES # 5 - PHOTO-GRAPHIQUE # 0 by Jean Vallette
(fantástica esta provocação da nossa já conhecida miss Brown...)
Ah minha Dulcineia de Toboso!
quisera eu ser rapaz mais formoso
e nas tuas mãos honrar a mercê!
Dulcineia sorrindo
violenta, sôfrega e admoestada
na gesta húmida e inconformada
tomando-o no chão coberto de erva
entusiasticamente o seu corpo profanou.
Enumerar aos vindouros o sucedido
é obra de romancista virtuoso e bem sucedido
nas letras e palavras do porvir.
Dulcineia acariciou, mordiscou
e do sémen de D. Quixote provou,
suas mãos e sua língua
do seu odor perfumou,
e pela aurora espargiu sem despudor
os seus aromas intensos na natureza enfurecida.
Ora por quem sois minha senhora!
Podeis todo o meu corpo deslindar
a minha pele e o meu pénis
pesquisar e revelar,
os meus pontos fracos exibir.
As vossas faculdades serão estudadas
na feminina natureza dos vindouros.
Sabeis o quanto um homem é no presente desafortunado?
se a sua senhora no seu corpo não lhe adivinha o desejo
e dando-se como se um frete se tratasse?
e no leito estendendo um corpo morto
avesso à lascívia e eucaristia?
Aqui estou senhora ao vosso dispor
ansioso em vosso escravo me metamorfosear
em vossos lindos olhos e mãos travessas
vossas pernas e mamas rijas e avessas ao conceber
e ao deleite só dedicando aprazimento!
Vossos braços são algemas abençoadas!
Tomai este corpo! É vosso recluso!
Tão tardio o degustar
do vosso mel e da vossa energia
desculpai-me senhora a ousadia:
onde guardaste tanta sabedoria?
Assim cogitava D. Quixote
e não ousava a sua Dulcineia estorvar
quando dos céus um astro ritmado irrompeu
elevando os corpos e
amando-se ao vento no céu
foram agraciados por estrelas
e pela fina flor da cavalaria
conduzidos por trompetas, condes e duquesas
entrando no céu em completa romaria
de Deus e dos seus pares apenas receberam
um inclinar de cabeça e assentimento
pois no céu como na terra se pratica
o amor do outro e o que na carne se explica.
Observando estupefacto tudo isto
o expectante e embasbacado Sancho Pança
sussurrava para Rocinante:
- Este mundo é uma bola; quem anda nela é que se amola -
Ora ali vai um digno cavaleiro
encantado por uma donzela
dessas que nos lugarejos se afamam
e que no espírito dos homens
se transfiguram e proclamam
em perfeição muito aquém dos seus talentos
- vale mais um homem honrado enganar que um cornudo abençoar!-
Até sempre digníssimo D. Quixote
descansai em paz no vosso merecidíssimo altar
e guardai aí no vosso reino
uma ilha pró vosso escudeiro governar.
Não vos esqueceis contudo:
- Qu'eu não tenho pressa em aí chegar! -
acolho-me ao lençol do teu cabelo
no amor pedido do teu rosto ilúcido
e entrego-me à irisada luz que zela
os lábios na sombria flor cedida.
a sépala descobre o centro dela
uma a uma dá o corpo à descoberta
na liturgia dos sentidos dados
à reza na capela como oferta.
cavalgo na palavra que me dás
alado nos pequenos montes eros
percorro os sons cativos dos teus ais
aromas luzes são momentos raros.
passeando pela flor acesa o fogo
centelha a cada pétala que apago.
de José Félix

fotografia retirada de SWPlace
(viva o teu erotismo subtil, mas intenso, José... cada vez mais gosto da tua poesia...)
Espero em meus braços plenos de fogueiras e cantigas
a música dos teus lábios adormecidos pelo tempo;
pois eu sou o vento e contigo tenho todo tempo...
para esperar por um consolo, um carinho;
por uns lábios que te aqueçam
esse teu corpo...devagarinho.
A lua se deita em teu peito,
eu aqueço ainda mais teu corpo com os meus lábios mornos.
O desejo é o teu encanto.
Os meus olhos de desejo fazem-te vibrar de emoção.
Sentes o prazer do momento,
suspiras por cada tormento;
sonhas em viver essa paixão.
Toda essa tua vontade nua que eu desperto.
Todo esse teu lado ardente...
pois o teu leite é morno
e minha rosa branca é teu sorriso.
O aroma da rosa perfumada
inunda-te o cérebro de lascivos desejos
e queres sentir o gosto
das pétalas na tua boca
para saberes a que sabe o amor de verdade.
Leva os teus olhos a brilhar nos meus
para sentires todos os raios dos meus lábios doces
a dançarem na tua pele macia e cheiros exóticos.
Deixa que os meus dentes deliciem toda essa beleza
e a minha boca tome conte de ti.
Percorre o veludo do meu corpo
e encaixa os fragmentos do teu ser
no interior da minha alma.
Derrama a tua essência no interior do meu mundo
e converte o desejo em satisfação.
A doce oferta deste carinho tentador: peito e ventre.
Sente um fogo subtil correr de veia em veia
numa súbita explosão de desejos,
fruto de lábios carentes e cheiros nectarianos
que incendeiam esses teus arrepios…
…E me fazem gemer de prazer por te ter
e nem sequer saber que te tenho. Dentro de mim.
de Ana Marta

Sensual touch by Stefan Beutler
(a temperatura continua abrasadora aqui no café, agora com um poema de uma talentosa poetisa que já é uma certeza confirmada por estes lados há já bastante tempo... beijinhos Ana)
Olho os teus seios
e desejo
Olho tua boca,
que procura
A carne de um beijo
Tremo de tanto desejo
Quase em pensamentos proibidos
Tua boca já não vejo
Procura o meu sexo
Esqueço meus sentidos
Tua língua deleita
Um sabor sem sentido
Enquanto minha língua,
enjeita
A procura em minha boca
De um mamilo ferido
Gemes em silencio
Como num prazer só teu
Ofegante me vou
Excitando em teu corpo,
que é meu
Não quero me vir
Sem minhas forças esgotar
Não quero partir
Sem te ver vir
Sem te ver dentro de mim chegar
Não consigo mais aguentar
O meu corpo fervilha
de prazer
Sinto dentro de ti,
Meu sémen jorrar
Enquanto em convulsões,
Me deixas teus gritos ouvir
E não me queres largar
Cria-se o silencio
De ver o prazer carnal partir
Mas voltas para me dar,
um prazer imenso
De olhar para ti
e ver-te outra vez sorrir.
de Teófilo Pinto

fotografia retirada de SWPlace
(e a temperatura vai subindo... espero que estejam a gostar... o Teófilo é um excelente poeta)
Docemente amor
ainda docemente
o tacto é pouco
e curvo sob os lábios
e se um anel no corpo
é saliente
digamos que é da pedra
em que se rasga
Opala enorme
e morna
tão fremente
dália suposta
sob o calor da carne
lábios cedidos
de pétalas dormentes
Louca ametista
com odores de tarde
Avidamente amor
com desespero e calma
as mãos subindo
pela cintura dada
aos dedos puros
numa aridez de praia
que a curvam loucos até ao chão da sala
Ferozmente amor
com torpidez e raiva
as ancas descendo como cabras
tão estreitas e duras
que desarmam
a tepidez das minhas
que se abrem
E logo os ombros
descaem
e os cabelos
desfalecem as coxas que retomam
das tuas
o pecado
e o vencê-lo
em cada movimento em que se domam
Suavemente amor
agora velozmente
os rins suspensos
os pulsos
e as espáduas
o ventre erecto
enquanto vai crescendo
planta viva entre as minhas nádegas
de Maria Teresa Horta
(enviado pela não menos talentosa CCC)

fotografia retirada de SWPlace
Sinto a saudade na pele
Anulo-a com os meus gestos
Que torno os teus
Toco num seio como me tocaste
E ele reage
E toma a forma que tem na tua mão
Sinto no ventre
A contracção que provocas
Quando a tua mão se aproxima
E torno a minha
A tua mão
Levanto as ancas
Como sempre faço para te receber
Cerro as pernas
Como sempre faço para te guardar
Hoje
A saudade mora no meu corpo
E sinto a tua presença
Nos gestos desejo
Que desenho em mim

NUDES # 2 HOMAGE - # 6 by Jean Vallette
(Já estava com saudade da tua poesia no palco do café, foste das primeiras autoras a escrever-me regularmente e o teu trabalho sempre foi apreciadissimo aqui... fico feliz de contar contigo neste ciclo)
Está oficialmente iniciada a semana de poesia com a temática erotismo. Os poetas responderam ao apelo e o resultado estará em exposição durante esta próxima semana.
Sentem-se confortavelmente e espero que apreciem.

Eros 3 by Jean Vallette