Levito um vulto nocturno em rua estreita e mal iluminada. Esquinas que pingam chuvas recentes escondem-me os passos apenas suficientemente rápidos.
Fujo do dia que já acorda e sento-me na mesa 7 do café de sempre. Sai um café curto para a 7, presume o empregado de sempre. Engana-se. Mas na ausência de algo melhor que seja uma bica que me ajude a viver acordado esta manhã recém-nascida.
Fita-me por um momento como se nunca me tivesse visto. Como se soubesse o que só nós sabemos.
De facto, hoje não é uma manhã banal. Esta noite amei a mulher que amo. A que sempre amei em segredo. Finalmente fomos quase eternos. Amámo-nos intensamente junto ao fogo que roubava o oxigénio que nos faltava. Fui persuasivo o bastante para cederes aos meus desejos mais insondáveis. Momentos decerto irrepetíveis mesmo agora que te tenho só para mim. Sei que serás minha para sempre. Mesmo tu que já amaste todos os homens menos a mim. Posso não ter sido o primeiro mas estou certo que serei o último amor da tua vida.
Folheio o matutino por entre tragos intermitentes no café escaldante.
É então que lá fora as luzes azuis giram reflexos desiguais nas paredes ainda pouco iluminadas.
Desvio o olhar para o jornal como se não quisesse saber. Mas só encontro na página aberta ao acaso uma fotografia conhecida debaixo de um procura-se demasiado obeso para passar despercebido. Eu. No meu pior. Melhor assim.
Certamente seguiram-me os passos lentos e ensanguentados pelo húmido empedrado. Já o previa. Podiam ao menos deixar-me terminar o meu café de sempre. O tempo agora pouco importa. Para mim, pouco. Para ti, nada.
De que outra forma poderia ter a certeza de ser o último a quem amaste?
(Um texto verdadeiramente assombroso, dos melhores que li até hoje...)

Selfportrait: Trapped by Asya Schween
Saudades de ti,
da tua pele na minha,
do teu abraço quente
que me queima de prazer...
Saudades dessas mãos
atrevidas, arrebatadoras
que me conquistam
palmo a palmo...
Saudades da tua boca,
desse beijo voraz
que me faz perder o sentido
e me preenche de desejo...
Saudades de te ter em mim
e de seres meu nesse instante
e de ser em ti perfeita
e nesse instante ser tua...
de Maria J. Carvalho

Prism by David Shelby
beijo-te flor obscena.
no abraço dos relâmpagos
cai a chuva de pétalas
no corpo do jardim.
é com o sol nos dedos
que brinco na corola
nua de pólen frágil
e no incêndio das flores
na cegueira da luz
uma brisa solar
leva a cinza volida
no fogo brando claro.
de José Félix
(um poema bem quente para estes dias de calor...)

akt by Frantisek Deak
O senhor já tem o seu?
A menina já copiou?
Lembra-se daquela música que tanto gosta?
Não...?De que está à espera? então passe pelo MP3za e faça já o seu download, totalmente de borla e ao alcance de um simples "click"...
Discos pedidos para os mails dos DJs autores...
Amigos,
Enviem as vossas mensagens, cheias de força e ânimo para ajudar os nossos atletas Paralímpicos a enfrentar as dificuldades que encontram todos os dias.
Mostrem que Portugal está com eles...
E felicitem-nos por nos representarem sempre tão bem e com tanto amor à camisola...
Podem faze-lo em:
Bicas
Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes
O Bicas agradece...

(obrigado Jaime Martins pela divulgação desta excelente iniciativa...)
Poupa-me dos detalhes sórdidos
Dos atalhos que escolhes em caminhos vãos
Dos erros que vais cometendo
Enquanto lutas com a realidade a cada momento
Procura-me lá,
No sítio onde me deixaste
Procura-me lá,
No sítio onde me amaste
Não quero viver o passado num futuro
Quero encontrar-te neste presente
Crescido, mudado e maduro
Em sentimentos de quem segue em frente
Não demores que está a ficar frio
O tempo... a dor... mas também o Amor
Não me deixes aqui neste sítio sem cor...
de Someia Umargi
(mais um poema muito belo desta amiga que tem uma sensibilidade muito grande no que escreve)

Pedra do Ouro by Jose Pinto
Nós somos pó
somos nada
somos flor que cresce na berma da estrada
colhida um dia ao vento
pelas mãos de uma criança
Nós somos só
uma breve caminhada
feita de amigos bem acompanhada
tolhida num momento
deixando só uma lembrança.
Não tenhas dó
não chores em debandada
porque a vida é só este conto de fada
vivida em aperfeiçoamento
e a alma cresce e avança.
Nascemos todos iguais aos olhos de Deus
e somos iguais
a unica distinção feita
será aquilo que fizemos com a vida que Ele nos deu...
de João Natal

candle by Anunay Nayak
(hoje fui a mais um funeral, infelizmente, foi para os lados de Coimbra... é a quarta pessoa amiga que vejo a partir este ano, a terceira com cancro e depois de perder a minha madrinha... é assustador, mas também é perturbador... talvez estejemos a fazer tudo mal, cada vez mais há pessoas a sofrer desta terrivel doença que nos põe a combater contra nós próprios para nos defendermos dela... de qualquer maneira e tirando isso, posso dizer-vos que era uma senhora fantástica, uma mãe exemplar e um exemplo de coragem digno de ser contado... fará muita falta junto daqueles que a amavam... mas tenho certeza que a sua tarefa por aqui estava cumprida e que foi por isso que partiu. Para continuar com a sua vida, algures na curva deste caminho a que chamamos vida... um grande beijinho para ela...)
Caros amigos e amigas, poetas... peço imensas desculpas, mas devido a um excesso de zelo do meu filtro de lixo electrónico, todas as mensagens que me tinham enviado ontem com poemas desapareceram antes de eu as poder gravar.
Já apurei as responsabilidades em sede de inquérito parlamentar e a culpa não morrerá solteira... iremos casar em breve o filtro do hotmail com outras definições e envia-lo em lua de mel para bem longe...
Pelo que vos peço encarecidamente que reenviem os poemas que tinham enviado para poderem ter o devido lugar... no palco do Poetry Café
mais uma vez as minhas desculpas e um grande abraço...
De voz silenciosa
os olhos tudo dizem..
Choram, gritam
cantam, murmuram
e para os ouvir
basta apenas ver...
São como uma janela,
indiscreta, para a alma
que tudo revela
mesmo sem querer...
Por isso, hoje,
não olhes para os meus
porque estão tristes...
Não olhes para eles
porque falam de mágoas
que não consigo esconder...
de Maria J. Carvalho
(já estava com saudades da tua poesia por aqui...)

a little tear by trinitycomu
resgata-se o poema
ao irradiante verso.
sofreia-se o impulso
ao privado recanto.
permeia-se de luz
a noite
como ruídos ignorados,
na placidez da aldeia,
o imo pranto.
perscruta-se o universo
ao recto feixe.
trespassa-se o couraçado
ao plano ignoto.
premeia-se a luz
da ideia,
como vozes sobrepostas
no turbilhão da urbe,
de um eu remoto.
de Bruno Amaral
(a tua poesia Bruno, de regresso ao nosso palco onde é sempre muito bem vinda...)

untitled by Rene Asmussen
Não queirais por Deus consertar o mundo! Olhai-o de esguelha e passai por ele
de mansinho.
Vigiai-o pelo rabo do olho e largai convenientes despautérios, quando dos
cestos recolheis a vindima.
Plantai e semeai na terra o orgulho e esqueçai amiúde a condição, pois na
terra como no céus, sabiamente sabe estar, quem do mundo se alhear.
de Nancy Brown
Set 2004
(o regresso tão aguardado desta nossa amiga...)

Lose in the world by DON ^_^
Parei o carro junto à barra, onde começava aquela praia deserta, onde os meus olhos se perdiam sem rumo, num fim de tarde cinzento e só. O rádio tocava uma cassete velha com jazz. A chuva caía tímida contra o pára-brisas embaciado do carro. E o barulho do mar fundia-se perfeito em uníssono com o ruído típico da fita da cassete nos momentos vazios e pausados da música entrando também no ritmo da canção.
Saí do carro e caminhei em direcção ao mar. Encostei-me no parapeito em granito do extremo e fiquei ali, impávido à chuva que caía e ao vento que me despenteava com fúria e agressão. O mar esmagava-se revolto nas rochas abaixo de mim num gesto gigantesco de submissão e poder e a espuma ficava, efervescente, nas pedras.
Ali fiquei encharcado durante horas. Submisso e oprimido pela dimensão do mar irado. Perdido em pensamentos confusos. Encurralado em reminiscências dolorosas. Enfeitiçado por memórias de sorrisos distantes. De ti.
A noite caiu. E a tristeza saía das coisas. Como se fossem um prolongamento de mim. As casas, os carros, os candeeiros foscos acesos da rua, as pedras da praia, o chão do passeio. De todo o lado saíam fios que se prolongavam até mim. As luzes borratavam e estendiam-se na minha direcção. Toda a tristeza do mundo. Toda a tristeza de todas as coisas estendia-se para me tocar. E eu apenas via esses fios negros que se estendiam até mim e me ligavam na dor à tristeza do mundo. O meu coração doía batendo dolorosamente e a minha testa ardia já em febre com a chuva a bater-me fria na fronte.
.
“Estarei eu louco? Que faço aqui?” Limpo os lábios trémulos com as costas do meu braço encharcado, fecho os olhos e recordo o perfume do teu sabor. E seria tão fácil atirar-me ao mar e encontrar no abraço dele a paz que não encontro na ausência do teu abraço. E o ruído das ondas chama-me como o canto de uma sereia.
Mas algo ainda me serve de âncora com a sanidade, nem sei bem o quê. Afasto estes pensamentos febris e regresso a casa. O mar fica para trás e as únicas companhias que levo para casa. São a dor da tua falta e a gripe que apanhei.
Termino a noite sozinho no sofá, deprimido com um chã quente. Até adormecer sozinho nesta infindável tristeza.
de João Natal

The Storm by Henrik Bengtsson
Eu, Você,
Você, Eu,
Eu&Você.
O encontro dos
Nossos lábios
Num beijo envolvente
E interminável.
O encontro dos
Nossos corpos
Numa troca constante
De Abraços e calor.
O encontro dos
Nossos olhares
E sorrisos.
O encontro de nós dois,
Eu&Você.
A junção dos
Nossos corpos.
O encaixar perfeito
De nós dois,
Fazendo jus à expressão
Eu&Você.
Eu&Você juntos,
Trocando sorrisos,
Olhares, palavras
E silêncios...
Eu&Você juntos,
Aos beijos, abraços...
Eu&Você
Consumado.
À Cibele Neves
de Marcus Vinicius Costa Almeida Junior

boudoir nº 73 by Didier Hubert
há princípios de ausência
no teu rosto
e dos ossos só resta a quietude
da espera convertida
na vertigem dos dias.
desenha-se
a última alegria límpida e lúcida
no voo de uma pomba.
é pacífica a morte
quando te beija o corpo quente e dado
aos fantasmas do sonho.
quanto mais sobe a vida na montanha
mais escarpas e sulcos de gangrena
se vão formando em direcção ao pó.
de José Felix

Levitation by Jean-Sebastien Monzani
(este é o meu preferido de 10 poemas sobre o vestigio da morte que o José me enviou... e o meu apreço pelo trabalho dele não pára de crescer... e também fiz referência a ele no Nox)
Não quero acreditar no que vivi contigo,
nos teus olhos, na tua boca, nas tuas mãos,
não quero acreditar que a minha vida tenha passado por ti.
Não tenho ninguém debaixo do chuveiro,
cabelos que os possa lavar, como os teus.
Escolher o filme, dar altura ao chão, abraçar-te, nunca mais fiz.
Tenho saudades da cor rosada e larga dos teus mamilos
secos por uma toalha.
Fim de tarde do meu corpo a entrar no teu, numa casa do Alentejo.
O peso da tua língua existe.
de Miguel Patrício
(que mais dizer Miguel... a tua poesia tornou-se uma das boas constantes daqui...)

nude by david shavers
eu esperava que alguém entrasse na minha vida
alguém esse alguém cujo nome fosse impronunciável
alguém que conhecesse
a razão que me leva a remendar a alcatrão a minha vida
porque me sento aqui
na hora do sonho do fim do dia
o olhar um vão de escada no fim daqueles dias
assim,ninguém sabe
e sento-me aqui,à mesma hora
uns diriam a hora do desespero outros afirmam que só as palavras dolorosas
as palavras que sobrevivem das palavras feito pesadelo
como em criança,assim
se assim o recordam
ele recorda-se de muito pouca coisa
lembra-lhe a cor daquele mar
que agora repousa indigo no relógio
lembra-se duma doença neurodegenerativa
lembra-se de pedir alta a um deus
que não recorda o ar senão ar envenenado
desavindo com alcatrão nos mares
e cansado por entrar na vida das pessoas
Com um ajuste no sobretudo
fuma algo com capa dominicana miolo açoreano e hondurenho
reparte o bote com uma divindade
não usa no rosto blush and kiss miel 04 da lâncome
nem tem os olhos feitos de star powder cobre da make-up forever
mas fundem-se numa só natureza
e tem um nome que por vezes é impronunciável
de Renaldo Ventura
(uma estreia absoluta no café... vale a pena ter assim o palco cheio de talento... vale...)

Red by Yuri Bonder
Alta vai a Noite
E no caminho
Já ninguém caminha
Fica a Noite sozinha
Nem o gato da vizinha
Nem o cão da minha tia
Nem os putos em correria
Nem uma pessoa se avista
Já ninguém caminha
Traços marcados no caminho da Noite
De quem já caminhou de dia
Nem os bancos de jardim
Nem os candeeiros gentis
Nada...lhes faz companhia
Tudo parece pintado de cinza
E o caminho continua só
E a Noite vai passando sozinha
Quem caminhou...
Já não mais caminha
E assim a Noite passa
Sem ninguém no seu caminho
Nem prostitutas na velha esquina
Nem chulos em gritaria
Agora...sim
Já é dia...
talvez logo...
A Noite não seja tão fria
Por agora...
Já toda a gente caminha
Até eu caminho !
O que as pessoas não sabem ...
É que a noite ...é sabedoria !
Que o diga , quem na Noite caminha
Eu...por lá já caminhei
Por isso sei !
de Finúrias
(outro homem do Norte... pois claro...)

Povoa by night by Finúrias
É com singular encantamento que vives. Sei que sonhas noite e dia, acordada ou adormecida, por entre as ruas sem nome da cidade esquecida.
Cruzas-te com pedaços de gente sem sentido, trocas olhares com metades de vidas que ficaram a meio. Todos contam histórias que não queres ouvir mas contam na mesma e ouves como se quisesses ouvir. Lutam pela vida no mundo dos que já morreram porque pensam que vivem ainda. Só tu sabes que este mundo não é nosso. É de alguém que nos matou e agora nos mantém vivos por puro divertimento.
de Gustavo Vasconcelos
(e a brincar, a brincar lá nos presenteaste com outro grande texto...)

The conflict by Yuri Bonder
A Elaine e o Henrique do Sokarinhos resolveram-me distinguir a mim e ao Poetry com este prémio:

A eles o meu agradecimento e o meu carinho retribuido por este gesto bonito.
Obrigado, amigos.
Quero você!!!
Quero você de verdade!!!
... verte em mim
O sangue rubro
Que inunda minha alma
E o meu pensamento.
... verte em mim
O sangue jorrado
Por um coração ferido,
Furado, dilacerado e
Transfigurado.
... em lágrimas
Meu sangue se transforma.
Lágrimas da mais pura tristeza
E desilusão.
Lágrimas da mais pura falta do seu
Corpo junto ao meu.
... lágrimas e sangue
Confundem-se em minha face,
Em meus olhos,
Em meu coração...
... em meu coração
Dilacerado, deixado numa
Esquina qualquer
Simplesmente jogado...
... as lágrimas caem
... o sangue se esvai
... uma hora não terei mais lágrimas
... uma hora não terei mais sangue
... e aí não terei mais vida...
Quero você!!!
Quero você de verdade!!!
de Marcus Vinicius Costa Almeida Junior
(uma estreia fantástica por aqui deste poeta do outro lado do Atlantico... sejas benvindo Marcus... fico a aguardar mais poesia!)

Thru the fingers by Piotr Kowalik
eu sei onde vou pôr a minha poesia
vou colocá-la detrás dos buracos das fechaduras
nas frinchas das portas
e nos parapeitos das janelas.
vou vê-la andar por aí a fazer jogging
passeando o cão como se ele fosse
o psicanalista de serviço em domingos assim
imaginados pelo ruy belo
que até o sol do meio-dia agarra a melancolia
num girassol seco de sede e solitário
na carícia de uma papoila rubra
no fim da estação.
eu sei caro amigo que as coisas não são simples
e verei a poesia pendurada nos candeeiros
escondida em papel de prata dos maços de cigarros
ou em papel barato embrulhando
as figuras mais ridículas e rejeitadas
atiradas para o sótão onde o lixo aguarda
o tempo propício para que o index resolva
definitivamente a morte feita de gangrena
raiva ódio desprezo e de um amor
incompreensível que só os ratos
na sua extrema compreensão
terão o entendimento possível
das palavras semeadas a esmo
na lavradura de uma terra infértil
esganada pela ditadura de sacanas
que cortam rente as flores silvestres
a língua com o gosto das amoras
o primeiro sabor de um pêssego
e até a infrutescência de um figo lampo.
há tantos lugares onde se põe a poesia
esquecida nos sofás ou a mexer um copo de gin
nas noites que se pretendem mais escuras
do que as noites mais escuras na imaginação
do pedreiro de um poema feito com tijolo
de sete furos para a construção de uma casa-poema
onde cabe o sol de todo o ano e um riso cristalino
a começar as madrugadas.
eu sei onde vou pôr a minha poesia
no canto dos lábios de vinho de um homem do leste
no rap a passear no rossio ou nos restauradores
nos bares das docas da 24 de julho
e no corpo das putas possíveis que amam
na plenitude a vida como as outras mulheres.
ah com tanto lugar onde pôr a poesia
ainda verei gente como numa procissão de
homossexuais e lésbicas com bandeiras de poemas
e caixas parecidas com as dos bombons
a oferecerem a todos os filhos da puta
a poesia travestida de grandeza
como a humanidade se importasse
com as palavras presas numa garrafa
atirada ao oceano à procura de uma areia
longínqua uma ilha do dia antes
como se fosse uma sombra na imaginação
de um poeta-judeu ou de um judeu-poeta
que é precisamente a mesma coisa.
e como não há outra alternativa
eu sei onde vou pôr a minha poesia.
de José Félix
(eu só sei que a tua poesia terá sempre lugar aqui, amigo...)

Survival by Tony Gocke
Jovem, tens mais que 10 anos e menos que 90? Procuras uma função útil na sociedade com uma remuneração adequada? Achas que podes ser o próximo idolo de Portugal? Achas que até tu merecias mais um lugar na selecção que o Ricardo?
Então isto não é para ti...
Mas se tens um parafuso a menos como eu? Se o Prozac já não te aguenta e se tens uma necessidade febril de escrever... sobretudo coisas estranhas e escuras a meio da noite... então dá um passo em frente e diz que queres fazer parte do projecto mais gótico da escrita portuguesa.
O Nox Scriptum precisa de alimento, precisa de almas para não arrefecer as eternas caldeiras da escrita.
Tráz-nos o lado mais negro da tua alma e da tua escrita e junta-te ao Nox Scriptum.

Aos poucos começo a compreender o teu silêncio, mas à medida que o compreendo sinto-te mais distante...
A tua voz melodiosa parece ficar muda aos poucos como se fosse levada por uma breve brisa, o teu olhar é apagado de uma tela colorida gasta pelo tempo...
Apenas "ouço" o teu silêncio, como eu o compreendo agora que já não existem mais feridas para sarar, tenho apenas cicatrizes ao longo do meu corpo para te recordar, não é mesmo para isso que uma cicatriz serve, para nos lembrarmos que já tivemos ali uma ferida e qual foi a sua origem?!
O teu silêncio é uma ferida ainda muito aberta, mas pelo menos já sei como fecha-la...
Silêncio, apenas "ouço" silêncio...
(silêncio... este poema deixa-me sem palavras...)

Soul Cages by Piotr Kowalik
Ó mar celeste, mar azul
Quanto de belo trazes
dos mares do Sul?
Uma sereia morena
de cabelo preto molhado
entrelaçado em algas
e doce mar salgado
Uma aurora que nela explode
num amplexo de reflexo de Lua sobre Mar
anunciando o Sol
a querer navegar
Um corpo lindo
vogando em sonhos e mitos
com olhos de estrelas
e lábios prenhes de infinitos
Uma voz de cristal
que esvoaça no espaço
Uma ternura sideral
que estilhaça o aço
Um sabor doce
de saudades amargas
Uma espuma de amor
Que espraia em tuas costa largas
Ai, meu mar imenso, meu mar tão azul
Quanto de belo trazes
dos mares do Sul !
de Yur Sactor
2004-08-14
(Uma estreia promissora de um poeta que espero ver mais vezes por aqui)

Supernatural by foureyes