Está finalmente aí o cíclo de música dos anos 80 no mp3za.
Todos os dias durante 10 dias, serão editadas quatro músicas diárias daquele que foi, sem sombra de dúvida, um período inesquecível da música moderna.
Não percam, portanto, aquilo que de melhor houve na melodia e ritmo dos frenéticos anos 80...
Vemo-nos por lá!

Meu amor, choro baixinho ao não te ver
E grito em silêncio dentro do universo do meu peito
A descomunal ausência dos teus braços
Risco e rabisco com a força da minha saudade
Porque descobri que não quero viver sem ti
Meu amor, tristeza é a falta dos teus lábios
E solidão é não ouvir a tua voz
Esse pranto parece eterno, tem ao menos dó de mim
E eu perdida em memórias me entrego à saudade
Porque descobri que não quero viver sem ti
Meu amor, ouve meu pedido soturno
‘volta e mata de vez essa dor’
Porque manchaste com Adeus nossas linhas?
Retorna aos meus braços feitos de amor
Porque descobri que não quero viver sem ti
de Marta Silva
(escrever assim é tatuar no coração de quem lê momentos inesquéciveis... muito bom Marta... mais uma vez, muito bom...)

Don't speak by Birute
Quantos são os teus pensamentos?
Quantas as vezes que páras sem lembrar?
Hoje,
Acordei com um mundo dourado dentro de mim!
Lavada de sonhos,
imaginando uma escada feita de ar...
Mil, são as palavras contadas,
escritas, sentidas, molhadas.
Perdidas!
Ainda não te prometi amar!
Quantos, destes meus momentos, não são os teus momentos?
A roda nunca gira sem parar!
Amanhã,
numa curva do meu corpo,
numa ponte do meu Porto,
pelo movimento do meu olhar...
prepara-te para o recomeçar
da invulgar dança da vida.
Não sei se está escrito.
Mas vim,
para contigo subir a imaginada escada de ar!
de Estela Ribeiro
(uma estreia fantástica desta poetisa que, timidamente, lá mostrou todo o seu muito talento... merece uma foto de igual brilho)

Porto antigo de Filipe Oliveira
E apresento-vos um artista diferente...
Bergur Thorberg é um pintor Islandês que tem como material predilecto o café, não só como tema a abordar mas também como tinta.

Assim, a pedido do mesmo, revelo aqui o seu trabalho para que todos possam apreciar e, se tiverem vontade, adquirir o seu trabalho.

Podem saber mais aqui!!! Espero que seja do vosso agrado.
Estou na rua das lágrimas com chuva; subo a montanha e do cimo de uma nuvem vejo um pássaro. Acredito que ele é Deus, criador do horizonte e do céu que se vislumbra dos olhos dos poetas vagabundos.
Caí do ventre para a cidade, Lisboa abriu-me os olhos; tenho a cidade e o rio, tenho as palavras como sangue, a cair do corpo dos livros, para o silencio das ruas.
Conto-te que a poesia se atravessou qual um barco no mar do destino. Tu não acreditas no destino; olhas o branco de um muro e vês apenas linhas e agarras nelas como se faz com os gestos, assim uma outra forma de natureza. A natureza é a mãe de todas as danças, fala ela todas as línguas e tu tens o segredo de fazer mexer todos os órgãos da vida. A terra, o fogo, o elemento solidão, elemento corrosivo das paixões que faz crescer noutra direcção o nosso primeiro fôlego de existência, o princípio da nossa história.
Tomos temos dentro de nós um oceano, todos possuímos um peixe colorido. Em nós flutua a cal, o cimento, o barro vermelho e o ferro que levanta os guerreiros enfraquecidos.
Na cidade havia um rapaz que dormia na gruta dos comboios, olhava o céu e desenhava como um Deus criança o azul seda que cobre os anjos da cidade pobre. Muito tempo a olhar as pedras, a sentir os automóveis velozes e a mão do vento a fechar os olhos dos velhos moribundos.
O rapaz que desenha como uma criança é oriundo de uma ilha, todos somos uma ilha, a nossa ilha é o medo dentro de nós e tantas coisas que nem sempre são laminas ou cinzas que ardem nos olhos com lagrimas.
Tu perguntas se tenho um sentido, se existe a luz e se a escuridão é aquele princípio que faz adormecer. A semente que brota da terra não tem respostas para te dar.
A terra está nua, tu não reconheces a nudez dela, não é apetecível como a das mulheres. É necessário transformar o barro vermelho na forma curva das palavras, é importante regressar á energia que dá fogo ao coração e talento aos operários que transformam a força, naquela vontade, que nos protege a nós cidadãos comuns de certos rituais de sangue.
É esse sangue que o artífice usa para expressar na pedra e no ferro e noutras matérias orgânicas o motivo de ser da ciência e da política, a razão de haver frutos nas árvores e espíritos vestindo os corpos e haver ódios e paixões ricos e pobres e toda a classe de criaturas que o cinema produziu tão frias e verdadeiras como a morte.
de Lobo

Lisbon by Miguel Dias
Aconteceu...
e por me teres feito cego
recordo o sabor da tua pele
e a calor de uma tela
que pintámos sem pensar.
Ninguém perdeu,
e enquanto o ar foi cego
despidos de passados
talvez de lados errados
conseguiste me encontrar.
Foi dança
foram corpos de aço
entre trastes de guitarras
que esqueceram amarras
e se amaram sem mostrar.
Foi fogo
que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar...
Estava escrito
E o mundo só quis virar
a página que um dia se fez pesada
E o suor
que escorria no ar
no calor dos teus lábios
inocentes mas sábios...
no segredo do luar.
Não vai acabar
Vamos ser sempre paixão
Vamos ter sempre o olhar
Onde não há ninguém
Dei-te mais...! Valeu a pena voar...
Estava escrito
E a noite veio acordar
a guerra de sentidos travada num céu
Nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu...
foi como um sopro estranho...
...e aconteceu...
És noite em mim,
És fogo em mim.
És noite em mim.
de Toranja

Bola de luz by Fernando Amaral
No seguimento dos acontecimentos despoletados pela altura do aniversário do Poetry Café, cabe-me agora a felicidade de vos anunciar algumas mudanças que aí vêm.
Uma vez por mês será escolhido um poema dos que foram nesse mês enviados para este pequeno palco para ser lido no programa Dose Dupla na Rádio XL. É uma pequena forma de ainda dar mais enfase e exposição a estes maravilhosos novos talentos que por aqui passam. E é algo que devo agradecer desde já a uma pessoa fantástica que nos fez o convite, o Rui Vieira.

Ao mesmo tempo, haverá também uma rúbrica nesse mesmo programa chamada "caçadores de raridades", onde eu e a Teresa partiremos por um safari músical para vos trazer algumas raridades e temas menos ouvidos do panorama músical. Espero que gostem, na altura nós avisamos com o devido link! E esta devemos ao não menos fantástico António Albuquerque.
Além disso, estreará também por aqui, uma rúbrica de um texto enviado por um dos nossos escritores. Uma estreia em grande com direito a vários episódios. A rúbrica chamár-se-á "anda alguém a desacertar o relógio do mundo ou foi encontrada uma mulher morta com sêmen nos olhos" e o seu autor assina como Lobo e eu prometo-vos que não irá desiludir.
Assim sendo, fica o mote para os próximos tempos e os votos de uma boa semana cheia de poesia!!!

D'ouro by Filipe Oliveira
(e ainda vos deixo com um presente, uma das fotos mais lindas que já alguma vez vi do meu Porto e que mesmo assim ainda fica longe de vos mostrar esta cidade que está no meu coração mas onde sempre estarei para vos receber bem)
Olá amigos... é verdade mesmo!
Conforme estava prometido, a primeira semana do mês de Novembro será de música dos anos 80 no MP3za. A festa vai ser de arromba e os temas serão os melhores de sempre. Aqueles temas maravilhosos que não saiem das nossas cabeças mesmo depois destes anos todos. Aquelas melodias que ainda hoje assobiamos e que fizeram parte da nossa juventude...

Sim... Não percam mesmo a primeira semana de Novembro no MP3za pois vai ser inesquécivel.

os gatos miam cios na curvatura das telhas.
arranham versos de circunstância
quando a luz beija a laranja no crepúsculo
e os deuses se rendem, religiosamente
na sombra obscura de uma parede
ferida pelo tempo das fotografias.
sal e silêncio na saliva das palavras
as ferramentas do artifício da dor
na comemoração da árvore acesa
pela carícia da chama aberta ao sopro
onde um fogo pede outro fogo
e o vento alimenta a água que atravessa
a península presa no olhar.
há vozes nos recantos da casa
e um cão ladra e uiva numa porta entreaberta.
de José Félix
in "a casa submersa"
(José... o quanto esta poesia não me atira para um cenário campestre de infancia...)

Cat's got the blues.. by Wendy Lane
Só estás bem
quando contigo estás bem
em todo o lado
Estares bem
é deixares-te estar
solitário e indefeso
e os olhos
os teus olhos
acompanharem o ritmo
do empregado de mesa
e recriares
no seu andamento
um lá menor
Estares bem
é recriares no pensamento
no teu pensamento
o marulhar do mar
a pertinência de uma montanha
e reproduzires os sons do vento
num final de tarde Outonal
propício a um suicídio
Estares bem
é sentires o olhar
o teu olhar
preso na rotina
a tua rotina
e descobrires a incapacidade
a tua incapacidade
para nesse momento
estares bem
de Nancy Brown
(mais um poema fantástico dos teus... confesso-te mesmo que de todos os que mandas-te até hoje que este foi o que eu mais gostei...)

Mare by Filip Kurek
i love the sadness
of the golden days
the melancholy
of the old ways
leaves falling
into the ground
dancing a mad dance
in a silent sound
those are the days
that make me cry
but without those days
i rather die
i cry cause i feel
i feel cause i'm alive
pain made me kneel
and you are the shrine
de Ingrid Mouraria
(este é o primeiro contacto desta poetisa e é em inglês, espero que seja o primeiro de muitos pois esta estreia deixa água na boca para mais)

Autumn Path by Nuno Branco
Lambes-me como envelope
Dobras-me como carta
De Amor
Sem qualquer pudor
Deixas-me pela cama
E depois perdes-me entre os lençóis...
Com o selo da saudade de quem se ama
Revolves tudo para me enviares ao teu coração
Memórias tão palpáveis
Que envias pelo correio
Que de novo recebes e guardas e rasgas
Para teres bem junto a ti todo o amor que envias
E de novo lambes-me como envelope
Dobras-me como carta
Com muito Amor
Sem qualquer pudor...
de Someia Umarji...

tangible by marília campos
(um poema extra sensual no regresso desta amiga combinado com o talento da marília)
A noite chega ao fim do dia como sempre. Na cruel inevitabilidade do passar do tempo. E o tempo de regressar a casa e encontrar a tua não presença amedronta-me. Faço por demorar nas pequenas tarefas que tenho a fazer até lá chegar. Paro reflectidamente na padaria a escolher o pão. Demoro mais no supermercado a comprar a pasta de dentes. Não passo nos sinais amarelos no semáforo para desespero dos mais apressados que vêm atrás de mim. Tudo para não chegar depressa à solidão que me aguarda no meu apartamento vazio. A solidão que me aguarda como uma esposa fiel.
Hoje não me apetece jantar. Mas mesmo assim aqueço uma sopa no microondas, coloco um guardanapo sobre a mesa e uma colher. Acendo uma vela. Ligo a leitor de CD e coloco um jazz calmo a tocar. Como se esperasse alguém especial para jantar apesar de só servir sopa. Acabo por desistir dela ao fim de 4 colheres, o olhar perde-se fundido no boiar dos ingredientes e som da música transporta-me para longe dali. E quando volto a mim a sopa está fria. E não há sopa nenhuma do mundo que me aqueça esta noite.
Afundo-me no sofá com um copo de Jack Daniels. As pedras de gelo dançam no copo ao som do jazz que toca e as minhas lágrimas correm pela minha face ao pensar em ti vertendo lentamente caindo no whisky. Lá longe a música toca, ao som do saxofone calmo e melodioso a voz de Kevin Mahogany vai dizendo:
Days go by so fast
Seams to me we’re never really free
Something’s shouldn’t matter quite so much
And some, should never be
But one fine day you will look to me
We’ll have moments, two or three
Keep me close to where you run to hide
I’m never hard to find
Just take your time
And save that time for me…
Talvez um dia seja como a canção diz… talvez um dia te apercebas do quanto erraste… eu tenho tempo como a canção… guarda um tempo para mim também.
E adormeci a pensar em ti no sofá, na companhia do jazz, da mágoa e do whiskey e da saudade.
de João Natal

A alma anda desencontrada do corpo
tenho de buscar na memória o que toquei
sigo o rasto das lembranças
até chegar ao Esquecimento.
Sinto saudades... não sei ao certo
o corpo não me responde
a alma atormentada não sente.
O tempo vivido não é o tempo sentido
sempre o tempo...
infinito na escuridão
tão escasso para a satisfação.
O Antes no Agora para o Depois,
esconde-se o vazio,
adormece-se a alma,
julgo vencer o tempo
mas permanece o desencontro...
de ccc
(mais um poema lindo dos teus C... já estava com saudades de os ler por aqui!)

untitled by Paul King
sobre quase tudo
dir-te-ei um dia
quando a cinza for
menor que a lembrança
de réstia de luz.
até lá façamos
de conta que a vida
é um pormenor
sobre tudo, quase
e não vale a pena
beber toda a água
contida no copo.
basta um lábio frio
aquecer a noite.
de José Félix
(eu sou um adepto incondicional da tua poesia José... consegues pintar quadros no meu pensamento com as tuas palavras... esta foto foi como vi o teu poema)

Desencontros... de António Ramos (Sepulveda)
Ando só por essas areias finas dessa praia sem dono, ouvindo o som do beijo das ondas no sedimento fino e bem selecionado no qual piso. Ando só, sem destino, sem motivos, sem porquês, sem alguém, sem mim. Ando só por essas areias úmidas, sentindo o toque gélido da água nos meus pés. Ora olhando para a frente - para o nada -, ora olhando para baixo - para o nada -, ora olhando para cima - para o nada.
Sinto o tempo esfriando, sinto meu corpo iniciando a tremer, mas persisto minha caminhada para o nada. Recolho minhas mãos juntas ao corpo para me esquentar, mas o frio é maior, acrescentado do toque suave da gélida água nos meus pés.
Paro por um instante e fito o horizonte à minha frente, um horizonte rosado se misturando com o mar. Um horizonte que vai ganhando uma coloração negra, enquanto aparecem estrelas solitárias sobre minha cabeça.
O frio aumenta... não aguento... mas persisto...
A dor me consome, a dor do frio, a dor do consciente sujo e pesado.
Sintos finas gotas caindo do céu, uma nuvem se apondera da beleza das estrelas e provoca a chuva, a chuva sobre mim, a chuva pra me lavar, ou pra me "nocautear" de vez.
A fina chuva se transforma em forte temporal, com ventos fortes. Não vejo mais nada à minha frente, a escuridão toma conta de tudo e me torno um ponto em movimento em meio a tal escuridão. Os grossos pingos de chuva me inundam, inundam meu corpo, inundam cada parte de mim. Caio no chão sem forças para me levantar... sujo-me de areia... sujo-me com meus pensamentos... sujo-me comigo mesmo...
Permaneço imóvel, morto de frio, com os sentidos paralisados... nocauteado... perto de um fim... cada vez mais perto...
de Marcus Vinicius Costa Almeida Junior
(e do outro lado do Atlântico chega o talento deste amigo... mais um dos que orgulhosamente conservo...)

Enquanto a noite cai... de Vasco Oliveira
O poeta tem olhos de água para reflectirem as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas,
mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em são olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas
onde se falam todas as línguas da Terra
e o gesto desolado dos homens
que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula,
e os gelos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados
maravilhando como contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores
esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas prò mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo
se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol
na noite de angústia que pesa no mundo
de Manuel da Fonseca

Pé-de-chinelo de Alberto Alves
Foi com este poema que os amigos Rui e António nos presentearam, a mim e à Teresa, no seu programa de rádio.
Hoje, depois da azáfama, do nervoso miudinho, da natural excitação de quem nunca tinha estado numa rádio, fica aqui, em jeito de balanço, aquilo que aconteceu e o renovado agradecimento a quem tornou possível esse momento inesquecível.
Tanta coisa mais havia a dizer, sobretudo, realçar ainda mais aquilo que o poetry e o MP3za têm de melhor, vocês. E os amigos que se vão fazendo ao longo do caminho e que esperamos para sempre manter.
A todos um grande obrigado.

Foi no dia 9 de Outubro de 2003 que o Poetry Café nasceu. Faz hoje um ano.

Coincidindo com o aniversário, amanha, dia 10, das 20 às 22, irei dar uma entrevista juntamente com a Teresa, para a Rádio XL de Espinho, onde iremos falar dos blogs que temos e da Blogósfera.
O Poetry e os seus poetas serão o meu estandarte... Sendo que nos podem ouvir em 88.4 FM ou simplesmente clicando AQUI!!!
O Poetry Café começou meu. Fruto da minha vontade imensa de mostrar ao mundo o que eu escrevia, talvez apenas um gesto timido de avaliar a minha poesia submetendo-a aos poucos misturada com a poesia de autores já consagrados. Acima de tudo este sítio nasceu da minha paixão pela escrita e pela poesia.
Com a ideia de "envie um poema que goste", acabou por acontecer de me enviarem poemas que tinham escrito e aí nasceu o Poetry Café como hoje o conhecem, um espaço de paixão pela escrita e pela poesia, mas também um espaço de divulgação de novos autores. Um sítio onde os poetas portugueses mais ou menos experientes podem mostrar o seu trabalho e vê-lo apreciado ou, no minimo, visto e discutido...
365 dias, 464 entradas, 1814 comentários (só dois ou três maus...) e mais de 30.000 visitas... acho que são uns números simpáticos para quem tinha pretensões muito modestas desde o início. E, no entanto, ainda nem é metade do caminho e ainda há tanto a fazer e tanto a percorrer.
Hoje, o Poetry Café não é meu... apercebi-me disso quando os "meus poetas" me começaram a mandar poemas referindo... "para o nosso blog..." e foi aí que o Poetry Café já não era só meu, mas também de todos aqueles que religiosamente me visitam todos os dias para ler e sobretudo daqueles que com tanto talento, com tanto carinho e tanta dedicação, me enviam poemas, de forma regular e continuada, tornando o Poetry Café aquilo que ele agora é...
"o pequeno café de quem ama poesia..."
A vocês todos o meu mais sincero obrigado...
E a todos estes autores o meu aplauso...
Miguel Patrício
Teresa Sousa
Pedro Gama
Gelatina
Roxy
João da Silva
Filipa Paramés
Nuno Vieira
Anna Tomás
Sérgio Fortunato
Daniel Veiga
CCC
Gonçalo Bilé
Gustavo Vasconcelos
Maria J. Carvalho
Rod Atluco
Rui Costa
Rui Fernandes
Antonio Kovalski Junior
André Sebastião
Ana Marta
Bruno Amaral
Rogério Nunes
Elísio Pinto
Teófilo
Barbant
Antero Barbosa
Niu
António Costa
Nancy Brown
Amac
José Félix
Someia Umarji
Elia Valentini
Sandra Becksfan
Finúrias
Ana Encandescente
Rita Baptista
Marcus Vinicius
Renaldo Ventura
Marta Silva
De igual modo um agradecimento especial a pessoas com muito talento com quem tive o prazer e o previlégio de "trabalhar..." Pessoas com muito brilho naquilo que fazem porque o fazem de forma inesquecivel. Os riscos do Alves, as fotos da Marília e a divulgação da Sandra, foram também partes importantes deste Blog que não posso deixar de realçar.
Por fim, resta-me falar do que me levou mesmo a começar, a minha escrita. Com os meus textos tão acarinhados por aqui, sempre com a figura de João Natal, sinto-me hoje com muita mais confiança para a levar quem sabe, talvez a um livro... o futuro o dirá...
E esta é toda a poesia que vos deixo, a do meu coração aberto e grato pela vossa amizade...
Amanheci com uma vontade louca de calar
De deter-me
De permanecer no silêncio
E deitada esperar
Mesmo que seja por lágrimas
Ou por palavras decoradas mais uma vez
Com um copo de café
E a torrada na mão
Negando-me meus próprios pensamentos insanos
Reprimindo minhas próprias falas normais
Necessidade de apenas prender-se
E olhar a vida passar
E assim suspender a tagarelice da vida
Repousar calada na cálida noite
E observar a lua que subtilmente me conta seus pensamentos
Só eu e ela
Como quem troca ideias por simples olhares
Interrompendo minhas palavras pelo emudecer-se
E permanecendo ali com vontade de ficar pra sempre
Sempre em um reter-se
Em um conter as frases feitas de um coração
E alimentar as razões outrora perdidas
Pela agitação do dia-a-dia feroz
E ali esperar a vontade de acordar
Detendo própria vida
De irromper-se em um inevitável falar
de Marta Silva
(como já referi Marta, o teu talento cada vez mais sobressai no que escreves... continuo deliciado com a tua poesia...)

Estou na Lua ! by Paulo Pielle
Dizei-me por que sois tão formosa senhora
nessa vossa vistosa saia amarela?
Não sabeis mas nela
pululam os meus olhos,
vagueando pelas vossas formosas nádegas,
pela maciez e brilho roliço
de vossa cintura delgada
e nesse cabriolar inspirado e errante
exalais misteriosos odores senhora
no entanto e não sabendo porquê
a indiferença ao meu olhar sobranceiro
sobressai no vosso folgado porte
Oh como sois graciosa e levitante
e como as pingas de água de vosso cântaro
aquecem um domingo prazenteiro...
Não sabeis senhora mas...
o vosso B O M D I A gutural
ressoa a sinetas celestes no meu discorrimento
e também não sabeis senhora...
como tornais reconfortante
o amanhecer de mais um dia santo rotineiro.
de Nancy Brown
(quente... como os dias de Verão que já não voltam...)

Ilumicorpus#1 de Teresa Fonseca
talvez o pormenor esteja no texto. compões
o corpo e os lábios mas sou eu que lhes dou
o sentido literário. a comoção. a emoção do
leitor. sem sobreaviso arranco-te o coração
e dou-o à mercancia do desejo. é a finalidade
da escrita. e tu só para mim. objecto das pa-
lavras que reinvento. planto-te nas tempesta-
des e chuvas contínuas como se fosses o único
espelho bafejado pelo sopro da criação. através
da leitura dás-me outros ventos e outras searas
com papoilas e pássaros nos olhos dos inocentes.
regos de terra manchados de sangue de um
amor puro quase impuro. uma parede branca
cheia de sombras. vejo-te beber uma palavra.
morrer num verbo e numa explosão de flores
ateias toda a gramática do jardim. a suprema
dor da fala. a beleza do incêndio no leito das
mãos. as bocas pronunciam os novos sinais
e o fogo aceso espalha a chama com toda a
inocência. o texto talvez seja um pormenor.
a existência apenas uma circunstância da
leitura.
de José Felix
(e a tua poesia continua a deixar marcas por aqui José...)

Caminho para o Pecado de Pedro Marques Pereira
Beijos, abraços, carícias...
Sorrisos, olhares, declarações...
Eu, você, nós...
Toques, sensações, delírios...
Loucuras, devaneios, desejos...
Eu, você, nós...
Olhar para você e sentir a vontade
De te beijar e abraçar seu corpo...
Abraçar seu coração.
Olhar para você e me deliciar com
Seu sorriso.
Desejar-te a cada minuto,
Desejar estar contigo
E poder chegar ao clímax
De nós dois.
Poder sentir seus lábios se
Entrelaçando nos meus
Numa troca envolvente
De desejos e volúpias.
Horas, dias longe de ti...
Vontade e mais vontade de
Estar com você.
Horas, dias sem você aqui...
Desejo de sentir você em mim
E eu em você
Numa troca mútua de
Prazeres.
Sensualidade, amor, paixão...
Eu, você, nós...
À Cibele Neves
de Marcus Vinicius Costa Almeida Junior
(quente... enquanto duram os dias de sol...)

bosom by renz sevilla
"Aos meus poetas..."
No papel que me compete como divulgador de poesia e de oportunidades de escrita, cabe-me a honra e prazer de anunciar um pequeno concurso sobre a temática Amália no blog da amiga Valéria.
Espreitem e concorram! É mais uma janela para mostrar o vosso talentoso trabalho...
O Best Of Write é um blog que nasceu há muito pouco tempo. Dedica-se sobretudo a recolher pedaços de boa prosa e poesia da net e avalia-la ou pelo menos a dar-lhe referência...
O Poetry Café foi agora feliz contemplado e agradece...
Oferecendo um cafézinho quente sempre que apetecer!

Sinto aranhas... a rastejarem pelas minhas veias
Sinto o seu veneno... a ir em direcçao ao meu coração
São milhares delas... que percorrem o meu corpo
Vão-se alimentando do meu sangue... tal como a minha alma se alimenta da solidão
Sinto-a a despedaçar-se... a cada minuto que passa...
A cada minuto a morrer em silencio... aqui sozinho...
Não consigo respirar... até o ar me traz dor...
Tornou-se tão denso... sinto-me perdido...
Os meus olhos já não são castanhos... são brancos sem vida...
A minha pele tornou-se seca... sinto os meus ossos a quebrar
A minha alma já não se alimenta de solidão... mas sim o contrário
Está-me a consumir... Está-me a matar...
Estou em queda livre... não tenho ninguém para me amparar
Sentimento estranho este... de sentir-me à deriva
Mas ao mesmo tempo sentir... que encontrei o caminho certo
Que não pertenço aqui neste Mundo... muito menos nesta vida...
Já ouço o mar... Já vejo o céu
Caminho pela floresta... que dá para o Paraíso...
Vejo anjos a darem-me as boas vindas... com as suas arpas dão-me paz...
Finalmente sinto-me em casa... já não me sinto perdido...
de Sérgio Fortunato
(escuro mas simplesmente lindo...)

untitled by Rene Asmussen
nos teus rubros lábios
onde me perco de amor
sinto minha solidão acalentada
sinto meu vazio, cheio enfim
fico como quem sonha
ao sentir o calor dos braços teus
onde me deleito e me refaço
onde me sinto tão bem
mataste de vez essa minha paixão em chama
trocaste meu afã desvairado
por calmaria e amor
labor por segurança
pranto por sorriso infindo
trouxeste paz para este coração revestido em angustia
que vagueava por entre lágrimas a semear o vazio
acabaste com a dor dessa alma sozinha
meu coraçao agora parece dançar
e eu te esperei por toda a vida pra te dar o meu amor guardado
pra dizer que meu futuro é só teu
e eu te aguardei e me guardei para os teus braços
agora contigo eu já posso sonhar
de Marta Silva
(um poema fantástico nesta estreia desta amiga, acompanhada por uma foto não menos fantástica da marília)

. by marília campos